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VENDAS

No Mercado São José, vendedores relatam impacto da Covid-19 no comércio

Publicado em: 28/12/2020 14:07 | Atualizado em: 28/12/2020 17:03

 (Sandy James / Esp. DP FOTO)
Sandy James / Esp. DP FOTO
No centro do Recife, alguns segmentos do comércio continuam a sentir o impacto da pandemia da Covid-19. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE), o fim de benefícios sociais, como o Auxílio Emergencial, gerará dificuldades para o setor nos primeiros meses do próximo ano.

“Para 2021, se espera uma dificuldade muito grande, principalmente pela ressaca do consumo, ou seja, pelo fim da questão do auxílio emergencial, que injetou bilhões na economia de pernambuco, pelo fim de projetos que contribuíram para segurar empregos, como o Emprego Emergencial, que teve como possibilidade a redução de carga horária e suspensão de contrato, e maiores restrições orçamentárias das famílias, com a compra maior com o fim de ano e questões de reajustes de serviços e pagamentos de impostos como IPVA, IPTU e materiais escolares”, explica o economista da Fecomércio PE, Rafael Ramos.

No Mercado de São José, que reúne uma variedade de comércios, os vendedores relatam os efeitos da crise sanitária. É o caso de Ruth Miranda, de 66 anos, que há 58 anos trabalha no mercado com comércio de peixes e crustáceos. "Está muito difícil para a gente sobreviver. Porque o movimento caiu demais. É final do ano, a gente está devendo muito e a situação não está muito boa. Esse era o mês em que a gente esperava ganhar algum trocado. Final de ano e semana santa, são os dias que estão sendo mais prejudicados".

 (Sandy James / Esp. DP FOTO)
Sandy James / Esp. DP FOTO

Joel Gomes, 62 anos, relata que com a pandemia, teve que diminuir o número de funcionários. “Antes, trabalhava eu, minha esposa, meu cunhado e mais uma pessoa. Agora só vem eu e meu cunhado, por causa dessa situação da pandemia. Uma cidade deserta, os ônibus com poucas pessoas. Então foi uma situação delicada na área financeira, por questão das responsabilidades que temos para com os pagamentos. E foi uma crise que mexeu muito, não só com o bolso, mas com a estrutura emocional das pessoas”, conta.

O vendedor, que trabalhou desde a reabertura do comércio, também relata os efeitos que a crise causou no período mais crítico da pandemia. “Quem vendia 100kg estava vendendo 10kg, por exemplo. Então qualquer pouquinho que chegasse já ajudava. E, se ficássemos em casa era pior. Se agarrar ao medo, iria até entrar em depressão. Isso não pode existir. É bom usar a fé, pedir para que isso nunca nos alcance”, acrescenta.

 (Sandy James / Esp. DP FOTO)
Sandy James / Esp. DP FOTO

Foi o que também aconteceu com o vendedor de artesanatos Marconis de Soares, 62 anos, que há 50 anos trabalha no mercado. “As vendas caíram em 30%. Aí a gente está virando. Trabalhavam cinco pessoas antes da pandemia, agora só trabalha uma pessoa, pois como o movimento caiu, não tínhamos condição de manter os outros funcionários", revela.

Para Marconis, a vacina é a melhor aposta para a volta das atividades comerciais com segurança. "Espero que com a vacina, volte ao normal. É a única coisa que espero. As pessoas estão com medo de pegar essa doença e com a vacina, vão poder sair de suas casas para fazer compras. Vamos ter fé, para que essa vacina seja boa para todo mundo, e a gente poder viver".

A família de Amanda Barbosa, de 29 anos, vende artesanatos variados há 14 anos no mercado. Para a moça, que substituiu a mãe por ser do grupo de risco da Covid-19, a pandemia afetou principalmente os setores de vendas presenciais. “Aqui, pelo fato de ser algo mais tradicional, de ter essa relação direta com o cliente, a gente não trabalha tanto com vendas on-line, afetou mais ainda porque ficamos fechados por grande período durante a pandemia", conta.

 (Sandy James / Esp. DP FOTO)
Sandy James / Esp. DP FOTO

Amanda afirma que a falta de fiscalização é um problema para todos os comerciantes. "Eu acho que aqui temos uma dificuldade com a falta de fiscalização. Porque desde que reabriu, sendo bem sincera, teve fiscalização na primeira semana. Tinha gente nos portões, tinha álcool, gente falando que não podia circular sem a máscara, e isso parou de acontecer. E por ser um comércio popular, no centro da cidade, tem muita gente entrando sem máscara, e ainda muita gente evita vir ao mercado por conta disso”.

"A gente está bem apreensiva. O Carnaval foi cancelado, é outra data que para gente é muito importante, tanto para o fluxo de turistas que vem visitar a cidade, quanto pela venda do produto específico de carnaval que a gente trabalha, que esse próximo ano já não vai ter”, acrescenta Amanda.

De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE), o que mais prejudicou o comércio foi a restrição ao funcionamento. “Justamente o consumidor pernambucano, tende a comprar de maneira física. Além disso, a gente não tem um comércio tão presente na questão do digital. Começa agora a inovação, onde esses comerciantes correram para fazer uma presença maior em outros canais, além do físico”, explica o economista da Fecomércio PE, Rafael Ramos.

Segundo os dados da Fecomércio-PE, houve uma queda expressiva do desempenho das vendas. “De janeiro a outubro o comércio teve uma perda de 0.1%, então isso ainda é expressivo. Se subir, vai crescer de maneira modesta, muito abaixo de 1%. A expectativa é que o acúmulo se transforme em algo positivo, em que novembro e dezembro, a gente tem um comportamento mais positivo do comércio”, sugere Ramos.

“Em novembro temos a questão do 13º salário, da primeira parcela, e da segunda, em dezembro. Então se contribui ainda mais. Soma-se a questão do Auxílio Emergencial. O FGTS emergencial, também foi liberado, para aquelas pessoas que tinham saldo na conta poderem sacar. Então tivemos o conjunto para que o comércio não caísse tanto”, finaliza.
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