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Mulher trans e reeducanda trabalha em Olinda e espera pelo nome social

Publicado em: 06/11/2020 19:39

 (Foto: Divulgação)
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A reeducanda do regime aberto e mulher trans, Kayla Emanuele da Silva, 26, trabalha no setor de drenagem, na cidade de Olinda, graças ao convênio do Patronato Penitenciário, Órgão de Execuções Penais da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) com a prefeitura.  A busca pela ressocialização e pela cidadania levou-a a vaga de emprego, que no início era para fazer serviço de varrição nas ruas, mas logo, pelo perfil mais delicado, mudou para funções administrativas. Hoje ela é assessora da Diretoria de Drenagem.

Kayla passou dois anos no Presídio de Igarassu (PIG), unidade que possui pavilhão específico para o público LGBT, mais conhecido como “Sem Preconceito”, e mais seis meses na Penitenciária Agroindustrial São João (PAI), em Itamaracá. “Este foi o primeiro emprego depois que saí da unidade prisional. Aqui eu atendo as pessoas, faço as solicitações de drenagens, assessoro a equipe. Quando entrei, fazia varrição, mas depois me encaminharam para este setor, onde estou há quatro meses e gosto muito”,  revela.

Além de se empenhar pelo retorno ao mercado de trabalho, a reeducanda que conclui a pena em 2022, está aguardando ansiosa pelo registro do nome social. Ela foi orientada pelo Centro Estadual de Combate à Homofobia (CECH), encaminhada para a Defensoria Pública e, agora, faltam apenas algumas certidões para concluir o processo. “Com a mudança de Harlan para kayla espero que tudo melhore, principalmente que eu não passe mais pelo constrangimento das pessoas me chamarem por ele”, desabafa.     

A adoção do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero foi garantido pelo Decreto nº 8.727, de abril de 2016, da Presidência da República. Ele prevê que a pessoa transgênera ou travesti tem o direito de solicitar a mudança do seu pré nome em documentos oficiais e nos registros dos sistemas de informação dos órgãos e entidades da administração pública federal. 

De acordo com o superintendente do Patronato Penitenciário, Josafá Reis, "reintegrar-se a sociedade, ressocializar-se e transformar a vida através do trabalho, cumprindo pena, é muito difícil para os reeducandos por conta do preconceito. Para uma mulher trans, romper as barreiras do preconceito se torna mais difícil ainda, e ela está conseguindo através da oportunidade dada pelo Patronato Penitenciário. Isso é um exemplo para outros reeducandos de que nada é impossível, é só querer," reforça.

TAGS: social | nome | trans | reeducanda |
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