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Ceasa Pernambuco faz 58 anos com números expressivos

Publicado em: 16/10/2020 10:05

O equipamento recebe por dia uma média de 65 mil pessoas e é lá onde ocorrem a negociação, compra e venda de produtos nos mais de 50 galpões (Foto: Sandy James/DP)
O equipamento recebe por dia uma média de 65 mil pessoas e é lá onde ocorrem a negociação, compra e venda de produtos nos mais de 50 galpões (Foto: Sandy James/DP)

A rotina de quem trabalha no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco - Ceasa/PE começa bem cedo há 58 anos, desde a sua criação em 1962, no Curado, na Zona Oeste do Recife. São milhares de caminhões e carros carregando e descarregando frutas, verduras, hortaliças e todos os produtos necessários para a alimentação dos pernambucanos.

Um dos comerciantes veteranos, Livan Lins, 64 anos, que comanda o Cebolas Canárias, acorda todo dia de madrugada para pegar no batente e não tem planos, por enquanto, de mudar a rotina. "São 45 anos sem férias ou folga. Quem abre e fecha minha loja sou eu", conta. Seu braço direito é a esposa Ivaneide, com quem divide os afazeres e responsabilidades. "Tudo que tenho, conquistei trabalhando aqui com meu esforço. Só tenho a agradecer, o Ceasa me ensinou a viver”, comemora o comerciante que criou os dois filhos - Livan Jr de 28 anos e Ivan, 24 anos, formados em engenharia química e engenharia mecânica - vendendo cebola, batata, alho e temperos secos.

Aos 19 anos, o comerciante saiu de Bom Jardim, no Agreste de Pernambuco, para trabalhar na capital. Começou como funcionário da loja de seu Aluísio e depois de nove anos abriu o próprio negócio na maior central nordestina de comércio atacadista de produtos agrícolas. "Trabalhamos diretamente com o público. É preciso tratar bem qualquer cliente, saber comprar e vender. Receber bem o barraqueiro e carroceiro e pequenos comerciantes. O segredo do sucesso é a simplicidade e paciência", ensina. Para estar disposto, ele conta que dorme sempre às 18h e acorda 1h30 todos os dias. "Até aos domingos, que não preciso vir pra cá, não durmo. Acordo e fico prá lá e pra cá. Acho que se parar de trabalhar vou envergar",  brinca. “Essa fórmula vem dando certo nesse tempo. Por isso digo: em time que está ganhando não se mexe", aponta.

"Tudo que tenho conquistei trabalhando aqui com meu esforço. Só tenho a agradecer. O Ceasa me ensinou a viver%u201D, Livan Lins,
comerciante (Foto: Sandy James/DP)
"Tudo que tenho conquistei trabalhando aqui com meu esforço. Só tenho a agradecer. O Ceasa me ensinou a viver%u201D, Livan Lins, comerciante (Foto: Sandy James/DP)


O comerciante José Figueira, que atua no Ceasa-PE há 40 anos, se inspirou no pai, que era ceboleiro, e hoje conta com a ajuda da filha Camila para administrar o comércio de cebolas e batatas Ki-Batatas. "Como filho, fui acompanhando a função dele aqui dentro e aprendi tudo na prática. Antigamente não tinha outros Ceasas e o de Pernambuco era o principal do Nordeste", relembra. "Ela (Camila) trabalhava no banco e foi demitida. Como já tinha habilidade de trabalhar com dinheiro, veio para a loja. A gente começa orientando e ensinando, mas agora é ela quem dá as coordenadas", conta.

A instituição de proporções gigantescas, recebe por dia uma média de 65 mil pessoas e cerca de 14 mil carros, e é lá onde ocorrem a negociação, compra e venda de uma infinidade de produtos nos mais de 50 galpões. Anualmente, há três épocas que registram movimentação acima da média: a feira do Bredo, que ocorre na Semana Santa (abril), onde o equipamento bate recordes de caminhões, o mês de junho, quando são comercializados toneladas de milho, e dezembro, que ocorre aumento natural do consumo por conta das festas de confraternização e de fim do ano, ultrapassando os índices diários. "Concentramos a produção agrícola em um só local, garantindo que não haja preços abusivos e fazendo valer a lei da oferta e da procura com livre negociação", explica o coordenador operacional, Gildo Tomaz, profissional que atua no equipamento há 48 anos.  

Neste ano de 2020, o Centro de Abastecimento comprovou ainda mais sua importância e função primordial para todos os pernambucanos. Durante os meses da pandemia, chegou a registrar um aumento de 30% no fluxo, com cerca de 90 mil pessoas e 21 mil veículos em um único dia. "Meu orgulho de falar do Ceasa é que passamos por problemas como todos os Ceasas do Brasil, e nenhum saiu maior do que entrou. Tivemos a Greve dos caminhoneiros, em 2018, e nos mantivemos. Agora veio a pandemia e, mesmo assim, alcançamos alto volume de comercialização. Nosso trabalho é fazer com que não falte alimento na mesa dos pernambucanos", explica o presidente do Ceasa-PE e presidente da Associação Brasileira das Centrais de Abastecimentos (Abracen), Gustavo Melo.

Segundo o presidente, 60% dos hortifrutigranjeiros de Pernambuco é oriundo do Ceasa. "É uma responsabilidade grande. Manter essa roda girando é um grande desafio", afirma. "No momento de crise financeira e aumento do desemprego, é comum que o consumidor recorra ao Ceasa. Somos a quarta maior do Brasil, ficamos atrás apenas de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro", completa.

Números
 
Área total: 580 mil m²

51 Galpões de comercialização

90 mil toneladas/mês comercializadas

65 mil pessoas por dia

17 mil veículos carregados por mês

14 mil veículos por dia

Dia Mundial da Alimentação

Ceasa vai receber obras de requalificação para melhorar mobilidade e acomodações (Foto: Sandy James/DP)
Ceasa vai receber obras de requalificação para melhorar mobilidade e acomodações (Foto: Sandy James/DP)

Para marcar o Dia Mundial da Alimentação, o Banco de Alimentos do Sesc Pernambuco promove ação hoje, das 9h às 11h, no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa). Haverá degustação de alimentos e conscientização sobre o desperdício e aproveitamento integral de insumos. Durante a atividade, 15 profissionais da instituição
vão abordar os comerciantes e possíveis doadores, respeitando os protocolos sanitários, para oferecer biscoito de casca da goiaba e quiche de casca de abóbora. O Banco de Alimentos atende mais de 150 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, por meio de 400 instituições sociais cadastradas. "Queremos sensibilizar as empresas e lojistas sobre nosso trabalho e mostrar como eles podem contribuir para a redução da fome
aqui no estado", comenta a gerente do Banco de Alimentos, Isolda Braga.

O Centro também vai receber uma série de obras estruturais. O projeto, que será assinado pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara na segunda-feira (19), prevê a maior obra
estrutural desde a fundação. Serão três obras voltadas para melhorar a mobilidade e a acomodação de pequenos agricultores.

"O maior problema que enfrentamos hoje é o trânsito. As obras estruturadoras são almejadas pelos próprios comerciantes. Toda e qualquer decisão fazemos questão de ouvi-los, mantendo um bom diálogo com todos. Nossa gestão pensa coletivo para construir
as soluções que o Ceasa precisa", comenta o presidente, Gustavo Melo. A previsão é iniciar as obras no início de novembro. O planejamento inclui a requalificação e modernização do galpão Reciflor - local que recebe a feira de flores e orgânicos, a ampliação de 40% do Galpão do Pronaf, que recebe pequenos produtores rurais, e o início da implantação do estacionamento de caminhões para melhorar a circulação e o trânsito no espaço.
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