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Novo coronavírus

Estado apresenta balanço dos seis meses de pandemia e não descarta nova onda

Publicado em: 11/09/2020 12:47 | Atualizado em: 11/09/2020 14:22

 (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.)
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.
Seis meses após a decretação da pandemia do novo coronavírus, o governo de Pernambuco apresentou um balanço, nesta sexta-feira (11), durante coletiva de imprensa transmitida online. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), os indicadores da pandemia vêm registrando queda progressiva.

O balanço semestral é resultado de um termo de cooperação firmado entre o Governo do Estado e a Organização Pan-Americana da Saúde. O levantamento é resultado das análises do banco de dados da pandemia em todo o estado. "Olhamos para os últimos seis meses para reconhecer padrões e analisar as ações nos âmbitos nacional, municipal e estadual", comentou o epidemiologista e ex-secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, que foi convidado para ser o consultor do levantamento e é o responsável pelas análises.

Os dados revelam que 64% das pessoas que morreram por Covid-19 já tinham algum fator de risco anterior. A média dos óbitos ocorreram em um período de 15 dias entre o início dos sintomas até a morte. A maioria (7%) dos casos graves que evoluiu para óbito é representada por homens. Quanto à raça, 45% das mortes foram de pessoas pardas, 14% brancas e 3% pretas. No entanto, a maior parte (36%), não teve a raça ou a cor especificada.

Com relação a chance de ocorrer um novo aumento de casos, o epidemiologista não descartou a possibilidade, mas acrescentou que pode ser evitada dependendo do comportamento da sociedade. "A probabilidade existe e é alta. Quanto mais aglomerações nós vivenciarmos, mais chance de ter uma nova onda", afirma, acrescentando que a subnotificação da doença não permite identificar sua real magnitude. "Alguns estudos indicam que há uma subnotificação global. Então, nós não conhecemos a carga real da doença, que é a taxa de ataque, sua verdadeira magnitude. Mas, atualmente, estamos dentro do padrão esperado para a doença", explicou.

O primeiro caso confirmado em Pernambuco aconteceu no dia 11 de março e nos meses seguintes o estado passou por uma crescente de mortes por Covid-19. No início, a cada 100 casos, 66 davam positivo. Ao longo dos meses, segundo o levantamento, o estado aumentou o número de casos positivos, como reflexo do aumento de testagem e diminuiu a taxa de letalidade.

"Se a letalidade está diminuindo, também tem relação com a positividade. A quantidade de casos positivos vai influenciar na letalidade. Ou seja, nós ampliamos muito a capacidade de testagem e hoje a letalidade do estado de Pernambuco está próxima do que é esperado na literatura, em torno de 0,2%. Estamos dentro do padrão de equilíbrio que já é esperado", detalha.


Para o epidemiologista, isso se deu por conta do fluxo de pessoas que ainda era maior, antes dos protocolos de distanciamento entrarem em vigor. "A ocorrência de óbitos no Brasil tende a ter um padrão que segue um pouco o fluxo das doenças respiratórias. Então, estamos vendo que Pernambuco foi o primeiro estado da região Nordeste a ter uma incidência mais elevada de casos. Começamos no Amazonas, depois Pará e veio Pernambuco. Isso, por um lado, foi preocupante, porque nós enfrentamos uma situação bastante difícil e desafiadora e não tão grave quanto Manaus. Recife teve uma boa estrutura hospitalar e, mesmo assim, teve que ampliar muito a capacidade. Nenhum lugar no mundo está preparado para uma grande epidemia, segundo a OMS", afirma o epidemiologista.

Seguindo um panorama nacional, o epidemiologista apresentou os dados do país com relação oa resto do mundo. Atualmente, o Brasil é o terceiro país com a maior insciência da Covid-19 no mundo e o quarto com maior mortalidade. No continente Sul-americano, o Chile tem o maior número de casos, em situação mais crítica. No Brasil, a maior incidência de mortes ocorreu no mês de junho. Pernambuco desde a última quinzena de maio apresenta queda sustentável. "Isso corrobora com o padrão das doenças respiratórias em todo o Brasil", analisa Wanderson Oliveira.

Legado
De acordo com o ex-secretário de Vigilância em Saúde, a pandemia tem deixado como resultado o aprimoramento da rede de saúde. "Cada laboratório no Brasil fazia em torno de 100 amostras por dia. Então nós tínhamos a capacidade inicial de 2.700 testes por dia me todo o país, considerando todos os laboratórios centrais. Hoje, somente o Lacen consegue fazer 3 mil amostras por dia. Então ampliamos a capacidade operacional. Isso fica como legado, assim como a ampliação do sistema de vigilância de síndromes respiratórias, automação do laboratório central. A epidemia não traz somente pontos negativos, mas também oportunidades de aprimoramento", diz.

DADOS

PERNAMBUCO | ÓBITOS

- SEXO

Homens: 7,1%
Mulheres: 4,8

- IDADE

Entre 60 E 80 anos: 50%
Mais de 70 anos: 75%

- RAÇA/COR

Pardos: 45%
Branca: 14%
Preta: 3%
Amarela:1%
Sem informação: 36%

- SINTOMAS

Apresentaram algum sintoma: 95%
Falta de ar: 89%
Tosse: 68%
Febre: 61,4%
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