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PERSEVERANÇA

Durante a pandemia, Praça do Sebo resiste por meio das vendas virtuais

Publicado em: 08/09/2020 18:05 | Atualizado em: 08/09/2020 21:24

Severino Augusto, um dos primeiros lojistas da Praça do Sebo, começou a vender pelo Whatsapp  (Foto: Tarciso Augusto / Diario de Pernambuc0)
Severino Augusto, um dos primeiros lojistas da Praça do Sebo, começou a vender pelo Whatsapp (Foto: Tarciso Augusto / Diario de Pernambuc0)
O primeiro livro que Severino Augusto da Silva leu na vida foi O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, publicado em 1952. Não era uma criança adepta a leitura, até se encantar com o romance que conta a história de um pescador cubano. Na obra que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, ao passar por uma maré de azar, Santiago estava há quase três meses sem conseguir pescar um peixe sequer. Mas, na manhã do 85º dia, fisga uma criatura gigante que, por sua força, oferece resistência e arrasta a embarcação para o alto mar. “Eu fiquei curioso. Queria saber como ele levaria um peixe daquele tamanho em uma embarcação tão pequena. Mas o pescador resistiu. Conseguiu domar a criatura mesmo com feridas nas mãos. O bicho era tão grande que esbarrava em arrecifes e era atacado por tubarões. Quando chegou em terra firme carregava apenas a carcaça do animal, mas ele cumpriu sua missão e ganhou o respeito de todos os outros pescadores. Esta obra fala de perseverança, por isso me encanta”, comenta Severino, um dos pioneiros da Praça do Sebo, localizada no Centro do Recife e que completa quatro décadas de existência no próximo ano.  
 
Foi com perseverança que o dono de dois boxes, e um acervo de quase 6 mil livros, conseguiu passar pelos três meses de portas fechadas durante a pandemia do Coronavírus. Aos 61 anos de idade, 39 por trás das páginas, viu o fluxo de visitantes da praça diminuir e o horário de funcionamento também. Desde a reabertura, em junho, a maioria dos lojistas têm começado o serviço às 9h da manhã e fechado às 16h, uma redução de três horas do horário original (8h-18h). “Sim, o movimento deu uma balançada nestes últimos meses. Mas, para mim, fácil nunca foi. Comecei vendendo livros na rua e quando conquistei esse espaço só tinha duas prateleiras. Realizei, com a venda de livros, o sonho de ter uma casa. Não é agora que vou desistir”, comenta. “Dei um jeito. Passei a vender online. Me ensinaram a usar o whatsapp e isso me ajudou bastante, falo com clientes por lá.” 
 
Além de Seu Augusto, como é mais conhecido, outros lojistas também têm investido em alternativas. “O que salvou a gente foram as vendas online. A maioria dos vendedores já tinham acervo em sites, mas durante a pandemia tivemos a necessidade de aumentá-lo, se antes colocava 10 livros disponíveis, agora são 100. Hoje em dia, estimo que pelo menos 80% das minhas vendas venham da internet”, explica Cátia Sales, que há 22 anos trabalha no local. “Por mais que tenha dado certo, não quero migrar totalmente para lá. Espero que o público venha, compareça à praça. Espero que o poder público olhe para o Centro, olhe para a Praça do Sebo. Em 2021 faremos 40 anos, deveríamos ser reconhecidos. Resistimos ao PDF e ao Ebook, e agora a esta pandemia. O que fazemos aqui é fundamental para a Cultura.” 

Cátia Sales aumentou o seu acervo virtual (Foto: Tarciso Augusto / Diario de Pernambuc0)
Cátia Sales aumentou o seu acervo virtual (Foto: Tarciso Augusto / Diario de Pernambuc0)


A época com mais movimento no Sebo é o início do ano. Em janeiro, mês de preparação para volta às aulas, várias pessoas procuram os boxes para concluir a lista de livros requisitados pelas escolas. “Não sei o que faríamos se a pandemia chegasse nesse período, é quando vendemos mais. Mesmo assim, não foi possível guardar o que lucramos por tanto tempo. Foram três meses sem abrir, sem rendimento, e já vínhamos passando por uma fase difícil nas vendas de livros físicos”, explica a lojista Adriana Ramos. “As lojas do lado têm fechado cada vez mais cedo. Alguns colegas ainda não reabriram e outros saíram às 14h, por exemplo. Não tem procura.” 
 
As queixas mais frequentes daqueles que trabalham na Praça dizem respeito à segurança e limpeza. “Ninguém cuida daqui, só a gente mesmo. Se não nos juntarmos para passar uma vassoura ou recolher o lixo, ninguém faz. Desde que reabrimos não chegou nenhum representante da prefeitura ou serviço de desinfecção, o que é importante, pois estamos em uma pandemia”, diz Adriana. A falta de placas e anúncios também incomoda. “Esse espaço deveria ser mais valorizado, é um equipamento cultural do Recife, e não há nenhum tipo de divulgação. Tem recifenses que nem sabem que aqui funciona uma Praça do Sebo”, aponta ainda Marinalva Ferreira, que também trabalha em um box. “O movimento anda fraco, sem estímulo do poder público piora. Se não fosse nossa parceria com sites, como a Estante Virtual, venderíamos muito menos.” 

A Prefeitura do Recife enviou nota oficial sobre a Praça do Sebo. Confira na íntegra: 
A Prefeitura do Recife informa que uma equipe volante da Emlurb realiza a limpeza da Praça do Sebo diariamente, mas vai reforçar a higienização do local. Já a Secretaria de Saúde (Sesau) do Recife esclarece que agentes de saúde ambiental e controle de endemias (asaces) realizarão a sanitização da Praça do Sebo, no bairro de Santo Antônio, no sábado (12) e no domingo (13). 
A Sesau Recife já realizou mais de 85 mil visitas para desinfecção  de espaços públicos da capital, garantindo mais segurança às pessoas que frequentam locais de grande circulação de pessoas. A técnica reconhecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como eficaz no enfrentamento ao novo coronavírus, é utilizada pela PCR desde março, quando o Recife se tornou a primeira capital do Nordeste a utilizar a sanitização em lugares públicos. 
Todos os dias, cerca de 130 profissionais visitam cerca de 600 espaços públicos da cidade, entre eles unidades de saúde, equipamentos sociais, vias de grande circulação, terminais e paradas de ônibus, praças e parques, instituições de longa permanência de idosos, entre outros. Até agora, já foram aplicados mais de 590 mil litros da solução desinfetante com ação viricida de alto nível, cujo efeito tem início em até cinco minutos e o efeito residual atua por 24 horas. 
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