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Viúva de homem que morreu e teve corpo encoberto dentro do Carrefour pede indenização

Publicado em: 27/08/2020 20:29 | Atualizado em: 27/08/2020 20:43

Caso aconteceu em 14 de agosto, no Carrefour da Torre, Zona Norte do Recife. (Foto: Reprodução/Facebook.)
Caso aconteceu em 14 de agosto, no Carrefour da Torre, Zona Norte do Recife. (Foto: Reprodução/Facebook.)

A viúva do representante de vendas Manoel Moisés Cavalcante, que morreu no último dia 14 de agosto enquanto trabalhava dentro do Carrefour da Torre, na Zona Norte do Recife, irá entrar com uma ação por danos morais contra a empresa. Segundo o advogado Eduardo Barbosa, que representa Odeliva Cavalcante, a rede de supermercados feriu o princípio da dignidade humana por encobrir o corpo do homem e isolar o local onde ele estava para continuar funcionando. A petição está sendo elaborada e deve ser ajuizada em 15 dias.

“É como se as pessoas não valessem nada, não tivesse importância nenhuma para o mundo, só pensam no dinheiro. Fui até onde estava estirado o corpo do meu marido à força, pois não queriam que eu fosse até lá, provavelmente com medo que eu fizesse algum escândalo. Era um direito meu. E ver a cena dele cercado por guarda-sóis e caixas. As pessoas olhavam de longe, curiosas, seguindo com suas compras”, recorda Odeliva. Neste 27 de agosto, ela completa aniversário, mas se sente “vazia” diante de toda a tragédia. 

O advogado Eduardo Barbosa sustenta que a atitude feriu a Constituição Federal. “Uma pessoa ficar duas horas morta, dentro de um supermercado, com o corpo encoberto, é uma cena inacreditável para os dias atuais. Fere o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. Poderiam ter tirado, colocado em uma sala para evitar a exposição, mas não. Foi como se não tivesse acontecido nada e nem prestaram atendimento direito. E a vida dela (Odeliva) vai ficar marcada para sempre por isso”, comenta.

O Diario procurou o Carrefour, que nega não ter prestado assistência à mulher. “Desde o falecimento do Sr. Moisés, estivemos em contato com a empresa para a qual ele trabalhava para garantir que toda a assistência necessária fosse dada para sua esposa, Sra. Odeliva. A empresa também entrou em contato com ela, por meio do Departamento de Recursos Humanos, para oferecer auxílio. Contudo, após uma solicitação da Sra. Odeliva, fomos orientados que deveríamos acionar apenas seu advogado”, rebate.

A rede também diz que “estabeleceu contato com seu representante legal, porém, durante as conversas, o Carrefour foi informado que o advogado foi substituído e que deveríamos aguardar novo contato”.

Em 19 de agosto, a rede tinha emitido uma nota, pedindo desculpas pela “forma inadequada que tratou o triste e inesperado falecimento do Sr. Moisés” e que “mudou as orientações aos colaboradores para situações raras como essa – incluindo a obrigatoriedade do fechamento da loja -, com objetivo de trazer mais sensibilidade e respeito ao conduzir fatalidades”.
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