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Pesquisa faz avaliação dos riscos e saúde mental dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente da Covid-19

Publicado em: 17/08/2020 16:58 | Atualizado em: 17/08/2020 17:28

O objetivo da pesquisa  é avaliar os riscos aos quais esses trabalhadores estão expostos durante a pandemia e subsidiar políticas públicas (Andréa Rêgo Barros/PCR Divulgação)
O objetivo da pesquisa é avaliar os riscos aos quais esses trabalhadores estão expostos durante a pandemia e subsidiar políticas públicas (Andréa Rêgo Barros/PCR Divulgação)

A Fiocruz Pernambuco coordena um estudo que está ouvindo profissionais de saúde que lidam diretamente com pacientes de covid-19. O objetivo é avaliar os riscos aos quais esses trabalhadores estão expostos durante a pandemia e subsidiar políticas públicas, na busca de formas de trabalho mais seguras para quem atua na linha de frente em situações de emergência sanitária.

A pesquisa "Avaliação de riscos de Profissionais de Saúde que cuidam de pessoas com Covid-19" investiga os riscos de infecção desses trabalhadores, em diferentes cenários de atendimento (emergência, enfermarias, UTIs e ambulatórios). Iniciada em abril, no âmbito do Recife e Região Metropolitana, a análise leva em conta o grau de exposição aos pacientes com Covid-19 e o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). "No momento temos mais de 400 profissionais recrutados em nossa coorte, com maior adesão dos médicos", explica a coordenadora do estudo e pesquisadora da Fiocruz PE, Fátima Militão. Também integram o público alvo os enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem.

A partir deste mês de agosto, a pesquisa foi ampliada e passou a ser multicêntrica. O protocolo, formulado no Recife, será seguido de forma harmonizada pelas regiões Metropolitanas de Belém, Fortaleza, São Paulo e Porto Alegre e foi ampliado para contemplar a avaliação de saúde mental*, esta, por sua vez, elaborada pela equipe do Serviço de Psiquiatra do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre. Esse aumento na abrangência da pesquisa foi viabilizado pelo financiamento do Instituto de Avaliação de Tecnologias em Saúde, que passou a financiar também o centro do RS, bem como do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "A partir da aprovação do projeto em edital do CNPq, outras regiões metropolitanas vão aplicar o nosso protocolo de avaliação de riscos. Isso permitirá a comparação dos resultados entre as localidades", declara a coordenadora. 

Fátima destaca outro aspecto, que vai além da diversidade de regiões do país agregada à amostra do estudo. É o fato de incluir municípios que estão vivenciando momentos diferentes da pandemia, como é o caso de Porto Alegre em relação ao Recife. "Esse é um fator a mais, que enriquecerá os resultados a serem obtidos", complementa.

SAÚDE MENTAL
Nessa segunda etapa a pesquisa passa a analisar também o impacto emocional da pandemia, por meio da avaliação da saúde mental dos trabalhadores. A abordagem dada a esse componente é inédita, de acordo com a parceira nesta iniciativa, Luciane Nascimento Cruz, que é coordenadora do Núcleo de Pesquisa do Serviço de Psiquiatria do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS).  "Pelo que temos revisado em estudos científicos, já há vários dados abordando a questão da prevalência e incidência desses transtornos mentais, mas o conhecimento do quanto isso pode estar associado ao nível de exposição a que estes profissionais estão submetidos, ainda é pouco explorado". 

A psiquiatra aponta outro diferencial do estudo, que é investigar níveis disfuncionais de estresse emocional. "Temos ferramentas que estão investigando depressão, transtorno de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e o abuso de álcool. Esses instrumentos não dão um diagnóstico clínico, mas têm um alto valor preditivo para um diagnóstico de transtorno psiquiátrico", ressalva. 

Luciane lembra que, muitas vezes, os profissionais que estão em sofrimento emocional não se dão conta da necessidade de cuidado e o momento de responder à pesquisa poderá representar uma oportunidade de reflexão sobre o tema. "Como o questionário é autoaplicável, somente a pessoa e seu celular, cria-se um ambiente favorável para refletir sobre si mesmo e se sentir à vontade para fazer seu relato", pondera.

Os profissionais da saúde vêm sendo recrutados remotamente, pelo WhatsApp e cada participante indica cinco outros colegas para participar. Os questionários são respondidos por meio do aplicativo Fique Seguro, desenvolvido pela FITec – Fundação para Inovações Tecnológicas. As avaliações são feitas em quatro momentos, na adesão à pesquisa e após dois, quatro e seis meses. A previsão é que os resultados sejam divulgados no primeiro semestre do próximo ano. Porém o grupo tem divulgado parciais das análises de risco realizadas em cada período.

Até agora o maior percentual é de profissionais jovens com menos de 30 anos (46,6%) e 52% do total de participantes relataram ter tido sintomas de Covid-19. Sessenta por cento dos profissionais foram testados (239), dentre os quais 41% tiveram resultado positivo no exame RT-PCR.

A percepção de maior risco entre os entrevistados guarda a mesma distribuição de frequência da primeira análise**: os procedimentos com os pacientes são vistos como a situação de maior risco (28,3%), seguido pela reutilização de máscaras (19,7%) e a desparamentação (15,7%).

A equipe da pesquisa é composta por pesquisadores da Fiocruz PE, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade de Pernambuco (UPE),  Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS), FITec, Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Evandro Chagas (PA), Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa Misericórdia (SP) e Hospital Moinhos de Vento (RS). O trabalho é desenvolvido com o apoio das secretarias estaduais e municipais de Saúde das localidades abrangidas pela pesquisa e das entidades representativas dos profissionais de saúde.

 

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