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Para manter ajuda a comunidade, ONG faz distribuição de comida e cria mercadinho solidário
Publicado: 21/08/2020 às 20:22
Distribuição de alimentos, como munguzá ou sopa, acontece três vezes na semana. (Foto: John Lenon/AOL.)

Conhecida pelo trabalho com crianças e adolescentes de Santo Amaro e da Ilha do Joaneiro, no Recife, a Associação Oásis da Liberdade deu um jeito de continuar ajudando essas comunidades, mesmo com as atividades principais suspensas temporariamente por causa da pandemia do novo coronavírus. A instituição fez um censo das famílias que moram nessa região para avaliar o grau de vulnerabilidade que cada uma passa. Com a análise desses dados, montou um mercadinho solidário, começou a promover distribuição de alimentos em áreas periféricas e, a partir da próxima segunda-feira (24), passará a dar apoio psicológico para quem precisa.
“Um momento desses (pandemia) é quando a comunidade mais precisa de ajuda”, aponta a fundadora da ONG, Adriana Eustáquio. O censo foi feito em julho, analisando cada família cadastrada, sejam as 60 que já participam das atividades regulares ou as 80 que estão na lista de espera. “Vimos quantas crianças, quantos idosos tinham em cada casa, para conseguir atender melhor”, acrescenta.
Uma das responsáveis pelo levantamento foi a professora Raquel Luiza, que dá aula de reforço escolar na instituição há nove anos. “A gente vê a necessidade da comunidade. Houve muita perda de emprego. Muitos chegavam até nós pedindo comida e precisávamos fazer algo”, conta.
A primeira ação montada foi o mercadinho, no início de agosto. Em vez de receber a cesta básica, a pessoa vai até o centro comunitário e escolhe os itens que deseja e precisa na ocasião. Adriana Eustáquio avalia a ideia como uma forma de empoderar o público. “Fora a questão da comida, é uma forma de trabalhar a questão da dignidade, da autoestima, em vez de apenas receber uma cesta. Isso dá força para as pessoas conseguirem voltar ao trabalho”, explica.
Podem ser pegos de 18 a 28 itens no espaço, mantido por doações de pessoas físicas e empresas. Por lá, tem de tudo um pouco: macarrão, flocos de milho, biscoito, leite. Por conta das limitações, apenas 140 famílias cadastradas pela associação podem usufruir do mercadinho. Mas a ideia é que, com novas doações, mais gente possa ser contemplada.
“É triste em casa você ter seu filho pedindo comida e não ter o que dar”, relata Samuel Barbosa, que mora com doze netos e cinco filhos na mesma casa, na Ilha do Joaneiro. Sem emprego fixo há três anos, dependendo de trabalhos temporários em construções ou zeladoria, o homem viu sua renda sumir com o avanço da pandemia.
Apesar de ter acesso ao auxílio emergencial, é complicado dar conta de tanta gente com pouco dinheiro. Mas ações como a do mercadinho ajudam a passar por essa fase difícil. Nesta sexta-feira (21), ele foi pegar alimentos para sua família. “A gente que é adulto até aguenta, mas criança não. Mas Deus está iluminando as pessoas. Estou maravilhado”, disse, agradecido.

A segunda ação é a cozinha solidária. Três vezes na semana, a instituição faz caldeirões de comida para distribuir em 14 comunidades diferentes. Um desses pontos de distribuição é a sede da ONG, perto do Campo do Onze, em Santo Amaro. Diferente do mercadinho, esse recurso pode ser acessado por quem desejar. “O cardápio é diversificado. A gente faz munguzá, canja, sopa. A distribuição começa às 16h, mas como as pessoas realmente estão precisando, muitas chegam uma hora antes, para guardar lugar e garantir. Nosso maior desejo é o de atender mais gente ainda”, pondera Adriana.
E a partir da próxima segunda, mais novidades. O espaço passa a contar com um bazar solidário, com venda de peças a todos por preços baixos, e volta a oferecer o apoio psicológico tanto para os jovens que estão buscando se afastar do mundo das drogas quanto para os moradores da comunidade que estejam tristes e abatidos com a pandemia: “Durante o censo, a gente notou muita gente depressiva na comunidade”.
Como ajudar
Quem quiser ajudar a Associação Oásis da Liberdade pode colaborar de três formas. A primeira é com a doação na conta da instituição, no Banco do Brasil - Agência 3612-9, Conta 17.858-6, CNPJ 00.494.392/0001-92 -. A segunda é indo até a sede, na Avenida Jayme da Fonte, 123, na esquina com a Agamenon Magalhães, em Santo Amaro. E a terceira é entrando em contato direto com Adriana Eustáquio, pelo número (081) 99647-0710. “A gente quer muito continuar ajudando as pessoas, mas precisa de apoio para aumentar o trabalho”, afirma a fundadora.
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