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Protesto

Familiares e amigos fazem caminhada no Recife pedindo justiça por Jhonny

Publicado em: 13/08/2020 17:25 | Atualizado em: 13/08/2020 18:29

 (Foto: Bruna Costa/Esp.DP)
Foto: Bruna Costa/Esp.DP

Familiares e amigos de Jhonny Lucindo Ferreira - adolescente de 17 anos assassinado, no último dia 5, com um tiro na cabeça efetuado por um policial militar - fizeram uma manifestação no Centro do Recife pedindo justiça e o afastamento dos PMs envolvidos no caso. Às 13h desta quinta-feira (13), o grupo protestou em frente à Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS). De lá, seguiu para o Palácio do Campo das Princesas, onde os pais de Jhonny foram recebidos.

O protesto teve início na Avenida Conde da Boa Vista, onde fica a Corregedoria da SDS. Com cartazes, camisetas e carro de som, parentes do adolescente pediam celeridade na apuração do caso e faziam um apelo para que os policiais envolvidos na abordagem que resultou na morte de Jhonny fossem afastados das ruas. "A gente sabe que quem atirou no meu filho continua aí, fardado e podendo matar outros", disse o pai de Jhonny, o soldador Cleiciano Ferreira, 41 anos.

Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco informou que instaurou, por parte do comando do 6º BPM, um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos. "No presente momento, os PMs envolvidos na ocorrência se encontram  exercendo atividade administrativa, estando um deles, também, de licença médica", respondeu.

 (Foto: Bruna Costa/Esp.DP)
Foto: Bruna Costa/Esp.DP

Cleiciano completou 41 anos nesse domingo (9), dia dos pais. "Na semana do dia dos pais, ele chegou para mim e disse 'pai, não tenho dinheiro para comprar um presente para o senhor'. Eu respondi que não precisava, pois ele era o meu maior presente", contou. Dois dias após a conversa e faltando cinco para o dia dos pais e aniversário, Jhonny foi morto.

Segundo o pai, o adolescente estava indo, por volta das 15h do dia 4 de agosto, em uma motocicleta com um amigo, até a casa de uma tia para buscar uma ferramenta necessária para o trabalho como soldador na oficina caseira de Cleiciano. "Ele gostava de trabalhar como soldador. Estávamos só esperando completar 18 anos para trabalhar numa firma, em um emprego que arranjei para ele. Ele também gostava muito de moto, como eu, que já ganhei o primeiro lugar em uma competição de motocross", afirmou.

"Ele nunca teve preguiça de trabalhar, de limpar mato. O sonho dele era ser policial. Ele estava sem camisa e com um celular no bolso. Na abordagem, se assustou e deu três passos para frente, aí o policial assassinou meu filho com um tiro na nuca", disse a mãe de Jhonny, a vendedora ambulante Maria Solange Pereira.

 (Foto: Bruna Costa/Esp.DP)
Foto: Bruna Costa/Esp.DP

Na Corregedoria da SDS, os pais de Jhonny foram recebidos, acompanhados de três advogados do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), pelo major Ivo Botelho. "Ele nos recebeu e ouviu a família. Disse que a conclusão do processo administrativo, que já foi aberto, precisa ser aguardada", disse o advogado do Gajop, que presta suporte jurídico à família, Eliel Silva.

Investigação
 (Foto: Bruna Costa/Esp.DP)
Foto: Bruna Costa/Esp.DP

A Polícia Civil de Pernambuco,  por meio da 11ª Delegacia de Polícia de Homicídios/Divisão de Homicídios Metropolitana Sul, informou que as investigações sobre o caso seguem sob a responsabilidade do delegado Victor Hugo. "A PCPE informa que só irá se pronunciar após a conclusão do inquérito policial", respondeu, em nota.

A Secretaria da Casa Civil de Pernambuco informou, em nota, que os pais de Jhonny e os advogados foram recebidos nesta quinta, no Palácio do Campo das Princesas, pelo secretário-executivo de Articulação e Acompanhamento, Eduardo Figueiredo. Eles pediram agilidade na conclusão do inquérito e o afastamento dos policiais de suas atividades.

No encontro, o secretário-executivo lamentou o fato e informou à família que o governador Paulo Câmara já havia determinado à Secretaria de Defesa Social (SDS) a apuração rigorosa dos fatos e que, de imediato, a pasta acionou a Corregedoria da Polícia Militar. Na ocasião, foram instaurados inquéritos policiais.

"A Casa Civil informa ainda que o secretário-executivo Eduardo Figueiredo terá uma reunião na SDS, nesta sexta-feira (14), para que sejam discutidas as reivindicações feitas pela família do adolescente Jhonny Lucindo quanto ao afastamento imediato dos militares e à celeridade na conclusão do caso", respondeu a pasta.

Entenda
 (Foto: WhatsApp/Reprodução)
Foto: WhatsApp/Reprodução

Jhonny Lucindo Ferreira, 17 anos, foi morto durante uma abordagem da Polícia Militar, em Prazeres, Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife. Segundo a polícia, ele morreu durante uma ronda, quando voltava para casa em uma moto, com outro adolescente, de 18 anos, que pilotava o veículo.

Atingido na cabeça, Jhonny foi socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sotave, de onde foi transferido para o Hospital da Restauração (HR), na área central do Recife. No local, ele morreu. O corpo do adolescente foi enterrado no dia 6, no Cemitério de Muribeca, também em Jaboatão dos Guararapes. 

Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco afirmou que policiais militares do 6º BPM realizavam rondas em Prazeres quando receberam informações sobre uma dupla em uma motocicleta que estava praticando assaltos na região. "Nesse momento, os PMs se depararam com duas pessoas em uma moto, em atitude suspeita. Ao dar ordem de parada, eles não obedeceram e fugiram, mais adiante, eles pararam e um deles correu, enquanto o outro, colocou a mão na cintura, parecendo estar armado, momento em quem o policial atirou", respondeu a PM. 
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