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ONG no Coque ressignifica espaços dentro da comunidade através de cultura e educação

Publicado em: 03/07/2020 11:41 | Atualizado em: 03/07/2020 13:44

 (Reprodução/Instagram )
Reprodução/Instagram
Repensar o lugar da periferia dentro da sociedade, superar o olhar limitante de território de morte e violência e mostrar o modo de vida, cultura e educação a partir das próprias experiências periféricas. Esse é o trabalho da organização social Neimfa, que atua na comunidade do Coque desde 1986, e tem resistido durante 34 anos. Atualmente, trabalhando em cinco núcleos diferentes, entre eles cultura, educação, saúde, políticas locais e desenvolvimento comunitário, a atuação desses agentes transformadores de realidades sociais se tornam inspiração para movimentos de resistência nas periferias.

Esperar atitude dos governantes não é uma opção, principalmente em tempos de pandemia. De acordo com levantamento feito pela Prefeitura do Recife, a Ilha de Joana Bezerra, onde o Coque está situado, possui 12.629 habitantes onde 57% vivem com uma renda entre R$ 130,00 e R$ 260,00.

Durante o período de isolamento social, a organização distribuiu mais de 100 cestas básicas e material de higiene para as mães da comunidade do Coque, através de uma parcerias e doações.

“Esse momento foi importante para mostrar o quanto a própria periferia cria políticas para superar e pensar em desafios sociais, principalmente em momentos como este de pandemia”, explica Sidney Rocha, coordenador da NEIMFA.

As ruas nem sempre são calçadas e as dificuldades para encontrar postos de saúde próximos já se tornaram alguns dos problemas contabilizados inúmeras vezes em grande parte das favelas da Região Metropolitana. Para Sidney, o que tem que ser mostrado agora são as formas como as favelas estão representadas nos setores públicos, de uma visão real e de quem vive nas comunidades.

“A cidade e a sociedade precisam escutar mais a periferia para poder pensá-la em um lugar comum. As pessoas têm uma ideia para as favelas que são vistas de cima para baixo, de quem não está diariamente nessa realidade. A sociedade criou uma espécie de surdez em torno desses espaços”, relata o coordenador.

Há dez anos, Sidney, que acredita na mudança através da educação e cultura, criou uma biblioteca infantil, e é dessa forma que inspira tantos jovens que participam e acreditam na voz que ecoa das favelas.


“No núcleo de arte e cultura nós formamos arte educadores dentro das próprias favelas, seja pela linguagem do teatro, da poesia, da fotografia, do vídeo. Criamos um espaço para reunir livros juvenis, literaturas baseadas na afro perspectividade e na cultura preta. Também trazemos livros sobre cultura tibetana, sobre diversas religiões, e isso faz com que nós possamos aprender e ensinar outros mundos. É uma biblioteca com diferentes olhares para ser contada entre nós e para nós, de dentro da comunidade do Coque”, explica.

O projeto de políticas locais entre as comunidades do Recife cresceu e desenvolveu entre si, ganhou força através das redes sociais e de organizações locais, mas ainda há espaços onde a luta pela visibilidade e Direitos Humanos são apenas rastros. E para aqueles que visam mudanças dentro da sua comunidade, Sidney orienta:

“Precisamos lembrar historicamente que nós não somos responsabilidades dos políticos. Não podemos esquecer a história das pessoas que vieram antes de nós, povo da periferia só tem a si mesmo. O mínimo que podemos fazer é mantermos esses locais vivos, a cultura, a política, arte, educação. Acho perigoso a gente silenciar a nossa ancestralidade periférica porque não são apenas territórios geográficos, mas sim afetivos”, desabafa.

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