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Covid-19

Depois de impacto do desastre com óleo, pescadores da Ilha de Deus sofrem com pandemia

Publicado em: 10/07/2020 19:55 | Atualizado em: 10/07/2020 22:39

 (Foto: Bruna Costa/Esp. DP)
Foto: Bruna Costa/Esp. DP
Um ano perdido. Essa é a sensação de moradores da Ilha de Deus, comunidade da Zona Sul do Recife, que sobrevivem da pesca, em relação a 2020. Depois de terem enfrentando as consequências do óleo no litoral do Nordeste, quando estavam se reerguendo; veio a pandemia da Covid-19, que, mais uma vez, afetou a vida econômica do local. Agora, dizem aguardar por um cenário mais tranquilo em 2021.

 (Foto: Bruna Costa/Esp. DP)
Foto: Bruna Costa/Esp. DP
O pescador Edson da Cruz, 33, vive da pesca desde cedo. Mora na Ilha de Deus e sai nas primeiras horas da manhã para o Pina, de onde volta com o barco carregado de sururu. As cargas, porém, mal são vendidas. Se na época do desastre com óleo na costa nordestina, entre setembro do ano passado e janeiro deste ano, os clientes se recusavam a comprar com medo de contaminação, hoje, com a pandemia, muitos sequer abrem as portas. 

"Eu vivo de pescar e vender de porta em porta. A minha área é San Martin, Caxangá, Engenho do Meio (Zona Oeste do Recife), mas as pessoas não querem nem sair de casa. O comércio fechou, então, muitas vezes, não tenho para quem vender", relata o pescador. "A situação é muito difícil. O óleo já tinha sido uma época complicada, mas a pandemia está sendo pior, pois está durando muito tempo", completa.

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 (Foto: Bruna Costa/Esp. DP)
Foto: Bruna Costa/Esp. DP
Celina Dias, 74 anos, cata marisco na Ilha de Deus para ter o que comer. Ela vive na comunidade há três anos. Veio do Rio Grande do Norte, onde trabalhava como artesã. "Lá eu fazia de tudo: bolsa, chapéu, doce de goiaba. Aqui, não tem dessas coisas, aí acabei nesse trabalho, que é o que tem para a gente sobreviver", conta. Comparando com a situação vivida na época do desastre com petróleo cru nas águas do Nordeste, ela avalia como melhor o cenário atual, mesmo com a Covid-19. "Estamos conseguindo trabalhar agora. Na época do óleo foi mais difícil", afirma a idosa, que trabalha de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.

Pandemia

 (Foto: Bruna Costa/Esp. DP)
Foto: Bruna Costa/Esp. DP
Não é possível dimensionar com precisão o impacto da Covid-19 na Ilha de Deus. Como é uma comunidade e não um bairro, não há dados oficiais sobre a realidade da doença no local. Por lá, a maioria dos moradores circula sem usar máscara. Na Imbiribeira, bairro onde a Ilha de Deus está localizada, são 212 casos confirmados do novo coronavírus, o que representa 2,6% do total de casos no Recife. O bairro registrou 49 óbitos pela doença. Os números são menores em comparação com outras localidades da Zona Sul do Recife, como Boa Viagem, que soma 685 casos (8,6% do total da capital pernambucana) e 125 mortes.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento enfatiza que os aquicultores brasileiros têm um papel fundamental na produção de alimentos para o país e para o mundo. "Essa atividade deve ser essencial para a continuidade do abastecimento de produtos de pescado e para a manutenção da cadeia produva. Além disso, em muitos casos, representa a principal e única fonte de renda de muitos produtores e trabalhadores rurais", pontua.

O órgão federal reconhece que o cenário atual traz "dificuldade de escoamento da produção (exportação e mercado interno); acúmulo de peixes no ambiente produvo ou matéria­-prima processada". O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento afirma ainda que, assim como para todos os outros tipos de alimento, não existem evidências científicas de que o pescado seja responsável pela transmissão da Covid-19.

"Como o contágio é feito pelas gotículas expelidas pelos portadores, são as medidas de higiene, como o ato constante de lavar as mãos imediatamente após tocar qualquer tipo de superfície ou produto comercial, aliado ao comportamento de evitar levar as mãos à boca, ao nariz e aos olhos nessas situações, consideradas fundamentais para evitar a propagação do vírus. Portanto, é seguro e altamente recomendável o consumo do pescado por ser considerado uma fonte saudável de nutrientes, rica em aminoácidos e ácidos graxos essenciais", ressalta.
 
 
   
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