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Covid-19

Estudo da Fundaj mostra disparo de casos em Santa Cruz do Capibaribe

Publicado em: 30/06/2020 17:54

Santa Cruz é uma das cidades que integram o famoso polo têxtil de Pernambuco. (Foto: Blenda Souto Maior/Arquivo DP.)
Santa Cruz é uma das cidades que integram o famoso polo têxtil de Pernambuco. (Foto: Blenda Souto Maior/Arquivo DP.)

Se antes o número de casos de contaminação estavam distribuídos em áreas ao norte da Região Metropolitana do Recife, Agreste e Sertão. Agora há uma nítida concentração no entorno de Caruaru. O principal exemplo é a cidade de Santa Cruz do Capibaribe, que lidera com 564 novos casos. Até o último dia 16, eram 24 casos. Um aumento de 2.250%. Para o pesquisador da Fundaj e coordenador responsável pelo painel do Cieg, Neison Freire, as condições e dinâmicas do polo têxtil podem estar relacionadas à elevação. “Há intenso fluxo no comércio, que mescla varejo e atacado. O cluster conecta várias cidades do interior não só de Pernambuco, mas de estados vizinhos como a Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Ceará e Piauí”, observa.

Ainda de acordo com o pesquisador, as confecções familiares ou de pequeno porte, que ocupam espaços apertados, com pouca circulação e condições precárias de trabalho, favorecem a disseminação. “A situação é diferente de um mês atrás. Para entender a distribuição é importante compreender o contexto geográfico de Caruaru, que é um polo comercial e se conecta com várias cidades do entorno. A mobilidade pelas cidades, como consequência dessa função urbana, não cessou como na Região Metropolitana do Recife. Onde medidas mais rígidas foram adotadas assim que houve maior concentração. Os relatos são de que houve resistência da sociedade quanto à aderência do confinamento social”, reflete Neison Freire. 

Os demais destaques do Agreste a ocupar o ranking são Brejo da Madre de Deus, variando de 12 para 275 casos (2.192%); Cupira, de 18 para 302 casos (1.578%); Belo Jardim, de 37 para 488 casos (1.219%); Pesqueira, de 24 para 270 casos (1.025%) e Bezerros, de 44 para 360 casos (719%). As variações apontam também o surgimento de novos casos no Sertão de Pernambuco, onde a contaminação ainda é menos acentuada. A exemplo do município de Santa Cruz da Baixa Verde, que variou de 1 para 6 casos (500%); Afogados da Ingazeira, de 3 para 10 casos (234%), Bodocó, de 2 para 6 casos (200%) e Flores, de 1 para 3 casos (200%). 

O mapeamento do Cieg analisa os números de casos confirmados ao longo dos 184 municípios analisados. Assim como no último levantamento, a cidade de Manari (21.434 habitantes), no Sertão do Moxotó, é o único sem registro de casos confirmados. Completam a lista de variações São Joaquim do Monte (700%), Toritama (586%), São Bento do Una (565%), Agrestina (552%), Caruaru (500%), Bonito (379%), Jupi (250%), Lagoa do Ouro (200%),  Casinhas (175%), Gravatá (174%). “As velocidades são diferentes. Foi muito mais rápida a contaminação e difusão do vírus na RMR, onde há uma concentração e densidade populacional muito maior, o que varia no Agreste. Já no Sertão ela é mais lenta em virtude da distância entre cidades pequenas e trocas menos intensas de comércio”, explica Freire.
 
Pico da doença
No entanto, os pesquisadores da Fundação Joaquim Nabuco apontam que o pico da pandemia nas regiões Agreste e Sertão ainda está por vir. Diferente do que apontam os dados da Região Metropolitana do Recife. Apesar do documento refletir uma tendência na queda dos números de novos casos confirmado e óbitos em Pernambuco, é difícil falar em “queda sustentável” pela flutuação ascendente e descendente nos gráficos. De certo, está claro que as ondas de contaminação avançam da Região Metropolitana do Recife rumo ao interior do Estado. Para driblar a defasagem dos dados publicados pela SES-PE, os sites das prefeituras locais e portais de notícia também estão sendo monitorados. A pesquisa teve início em 17 de março e já foram publicados mais de 200 mapas.
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