DOM FERNANDO 10 ANOS Arquidiocese celebra, com missa, 10 anos de pastoreio de Dom Fernando

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 18/08/2019 17:35 Atualizado em: 18/08/2019 17:39

Arcebispo contou um pouco da sua trajetória e ouviu depoimentos de amigos e auxiliares. Foto: Patrícia Monteiro / DP
Arcebispo contou um pouco da sua trajetória e ouviu depoimentos de amigos e auxiliares. Foto: Patrícia Monteiro / DP
Há exatos 10 anos, no dia 16 de agosto de 2009, Dom Fernando Saburido dava início à sua missão como Arcebispo de Olinda e Recife. Para celebrar esta década de pastoreio, foi realizada, na manhã deste domingo (18), uma Missa de Ação de Graças no Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora de Fátima, bairro da Soledade, Recife. Na mesma ocasião, a igreja católica celebrou, ainda, a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora.

Dentre as características da gestão do religioso, destacam-se, para muitos, a capacidade de diálogo, a articulação de soluções e a intercessão pelas minorias e causas sociais. Dentre as principais contribuições do Arcebispo, em números, estão a criação de 40 novas paróquias e duas áreas pastorais; do Arquivo Arquidiocesano Dom José Lamartine Soares; implantação da divisão dos vicariatos territoriais (09) e pessoal (01); impulsionamento das Comissões Arquidiocesanas de Pastoral (15 CAP’s); início do processo de beatificação de Dom Helder Camara (2015); ordenação de 39 padres e 33 diáconos permanentes; construção da Fazenda da Esperança masculina de Jaboatão (Fazenda padre Antônio Henrique, a 1ª construída na Região Metropolitana do Recife); reativação da Comissão de Justiça e Paz Arquidiocesana; transferência da Cúria Metropolitana da Várzea para as Graças (palácio dos Manguinhos) e abertura das igrejas históricas para visitações e celebrações. É destaque, ainda, a presença pastoral nas questões sociais do Recife e região, e também da Província Eclesiástica de Pernambuco como o apoio a vítimas das enchentes, auxílio aos moradores do Edifício Holiday, oposição à construção de uma Usina Nuclear em Itacuruba/Sertão PE e estímulo ao debate sobre a proposta de Reforma da Previdência. 

A celebração, com a igreja lotada, contou com a presença de fieis e admiradores. Flávia Damasceno, 23 anos, aspirante a Irmãs Paulinas, era um deles. “Antes, Dom Fernando era meu bispo da minha cidade natural, Sobral. Lá, ele também realizou seus feitos. Por isso, para mim, é uma grande alegria estar aqui”, afirma. Terezinha Cani, 77, aposentada, também foi prestigiar o religioso. “Conheço Dom Fernando desde que ele era irmão no Mosteiro de São Bento. Quando soube que seria aclamado, fui à posse. Eu frequentava a Igreja da Sé, mas hoje moro no Espinheiro e não consigo mais. Acredito que Dom Fernando faz um belíssimo trabalho. Ele é muito atuante, participa de tudo com seus colaboradores. É um homem de Deus”, resume.

Durante a missa, prestaram depoimento o bispo auxiliar Limacêdo Antonio e a desembargadora, advogada e escritora, Margarida Cantarelli. Dom Limacêdo falou da alegria de estar junto com Dom Fernando, do seu poder agregador e características pessoais definindo-o como dócil, diplomático e pastor amigo. “Uma vez, um motorista de Uber, percebendo que eu era religioso, perguntou se eu trabalhava com o senhor. Respondi que sim e perguntei o que mais o agradava em sua pessoa. Ele respondeu: Dom Fernando fala o que todo mundo entende. Este talvez seja o resumo do seu ministério. Um homem que, de fato, está no meio das famílias para a evangelização. Pastor sensível, acolhedor, presente e fiel à sua missão. Que compartilha das alegrias e tristezas do povo de Deus. Tenho muito gratidão por estar ao seu lado e estou sempre atento aos seus passos, bebendo da fonte do seu ministério”, afirmou.

Margarida Cantarelli, por sua vez, também membro do conselho econômico da Arquidiocese, falou sobre a felicidade do rebanho que o tem como pastor. “Uma pessoa que não tira os pés do chão mas tem os olhos para monitorar o sofrimento dos que nos rodeiam. Dom Fernando tem a simplicidade dos sábios e dos santos. De simplificar o que é complexo e de não complicar o que é simples. Está há 10 anos desempenhando seu papel com extrema competência e exemplo de serviço ao povo de Deus, que somos nós. Obrigada por tudo e por sempre”, ressaltou.

Em seu depoimento, Dom Fernando agradeceu a todos os presentes e contou um pouco da sua trajetória, revelando, inclusive, o quanto relutou em aceitar o arcebispado. “Conheci o Mosteiro de São Bento e me encantei pela vida monástica. O monge Fernando era uma pessoa realizada e feliz naquela velha abadia de Olinda, mas nossos planos nem sempre coincidem com os de Deus. Fui chamado para o episcopado, tomado de muita surpresa e medo. Tanto a ponto de renunciar a uma primeira convocação. Cedi ao segundo chamado por ter me convencido de que não podia dizer não à vontade de Deus, que me parecia insistente. Passada esta década, louvo a Deus pela feliz caminhada ao longo dos anos graças a proteção do Senhor e de tantas pessoas que tem colaborado com meu ministério. Sinto-me feliz na missão que Ele me confiou. Pretendo levá-la até o último dia e peço perdão pelas minhas falhas”, relatou.

Dom Fernando falou, ainda, sobre a missão de uma igreja samaritana, solidária com pobres e excluídos. Citou, ainda, o desafio de estar à frente do 18º Congresso Eucarístico Nacional que acontece em novembro de 2020 e cujo tema é Pão em Todas as Mesas. “Temos que refletir sobre a situação precária em que vivem os pobres e famintos, sobretudo em nossa região, além de recordar aos congressistas a necessidade de lutar contra toda e qualquer desigualdade que descrimina e exclui”, continuou.

Ao fazer um balanço destes últimos 10 anos, o religioso utilizou palavras como emoção, gratidão, solidariedade e descreveu outro grande desafio, além do Congresso. “Queremos implementar uma Fazenda Esperança Feminina, pois esta questão das drogas é muito séria. Temos um terreno na cidade de Primavera doado com esta finalidade. Agora, o objetivo é trabalhar para conseguir realizar”, adiantou. Sobre os próximos três anos de exercício, prometeu entusiasmo e empenho. “A intenção é essa: missão cumprida até quando der o apito final e eu estiver liberado. Até lá, vamos edificar o reino de Deus”, concluiu. 



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