Vida Urbana
Luisa, 3 anos, sofreu queimadura na perna esquerda após cair em uma fogueira. Foto: Marcionila Teixeira/DP/
Os festejos juninos ainda serão encerrados no próximo dia 29, quando se comemora São Pedro, mas o número de atendimentos no Hospital da Restauração (HR) em virtude de queimaduras por fogos de artifício e fogueiras já chama a atenção. Do último dia 12 até agora, 41 pacientes deram entrada na unidade, sendo 29 por conta do manuseio inadequado de fogos de artifício e 12 casos relacionados a fogueiras. O balanço total do período será divulgado na próxima segunda-feira. A maioria dos episódios aconteceu na Região Metropolitana do Recife, mas casos registrados no interior ainda podem chegar ao HR, já que muitas vezes os primeiros socorros acontecem nos municípios.Luisa Vitória, 3 anos, ficou com uma queimadura na coxa esquerda após cair na brasa de uma fogueira do vizinho, no bairro de Dois Unidos, no Recife. A avó da criança, Maria das Graças dos Santos, 47, disse que a garota foi pegar uma fralda descartável para o irmão quando o acidente aconteceu. A fogueira, acessa no dia anterior, ainda tinha brasa. Essa é uma das principais falhas de quem gosta de manter esse tipo de tradição, segundo o médico Marcos Barreto. “O correto é jogar água na fogueira antes de dormir para evitar acidentes”, explicou.

Segundo o balanço, 15 crianças se acidentaram com fogos e outras oito com fogueiras. Quanto aos adultos, 14 se acidentaram com fogos e outros quatro com fogueiras. Os casos considerados mais graves são quando as vítimas perdem alguma parte do corpo, o que aconteceu com três adultos (com idades variando entre 40 e 51 anos) e com duas crianças, de 9 e 12 anos, que perderam dedos das mãos. Ou seja, um total de cinco pessoas mutiladas. “O número total de feridos em relação ao total de pessoas que acenderam fogos e fogueiras é pequeno. Mas imagine que cada um dos feridos tem uma família que sofre com o ocorrido”, explicou o médico Marcos Barreto.
Das 20 pessoas que precisaram ser internadas, 13 ainda permanecem na unidade, sendo uma em estado mais grave, na UTI. “Não podemos eliminar a tradição. Enquanto os fogos estão na prateleira, não são risco. A mão do homem é que dá essa condição”, acrescentou o médico. Ele preferiu não comparar os casos deste ano com os do ano passado, quando aconteceu a Copa do Mundo e muito mais manuseio de fogos de artifício. Em relação a 2017, entretanto, os números atuais são preocupantes. Naquele ano, foram 55 casos em todo o período junino, com 20 internações, sendo nove adultos e 11 crianças. Este ano, o HR já alcançou as 20 internações e ainda não contou com São Pedro.

Bruno Heleno, 12, feriu o rosto e uma das mãos manuseando fogos de artifício. Por pouco não atingiu os olhos e prejudicou a visão. “Ele e um amigo acharam uma bomba na rua e resolveram abrir para tirar a pólvora e acender. Foi quando teve a explosão”, contou a mãe do garoto, Jandielma Albina, 41. A família mora no Cabo de Santo Agostinho. Agora, é aumentar os cuidados para o São Pedro que se aproxima.
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