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"Não é fácil para mulher chegar a qualquer cargo", diz Cármen Lúcia

Ministra fez fala durante julgamento no TSE sobre suposta fraude em cota de gênero em eleições para vereador em cidade baiana, em 2020

Publicado em: 19/03/2024 22:51

Ministra alertou para o rigor do TSE no julgamento de determinados casos de fraudes (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil )
Ministra alertou para o rigor do TSE no julgamento de determinados casos de fraudes (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil )

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia disse nesta terça-feira (19) que a "vida de uma mulher para checar a qualquer cargo não é fácil".

 

A fala da ministra ocorreu durante o julgamento no TSE de um caso de suposta fraude na cota de gênero nas eleições para vereador em Central (BA), em 2020. 

 

O processo trata de casos de candidatas que não chegaram a participar de suas próprias campanhas e teriam sido usadas por seus partidos para simular o cumprimento da cota de 30% de candidaturas femininas. 

 

Cármen rebateu uma fala do ministro Raul Araújo, que alertou para o rigor do TSE no julgamento de determinados casos de fraudes de candidaturas de mulheres. Na avaliação do ministro, a possibilidade de condenação e decretação da inelegibilidade pode afugentar candidaturas femininas nas eleições de outubro.

 

A ministra disse que as mulheres são "invisibilizadas" e "silenciadas" e que é necessária a presença delas na politica mesmo diante das dificuldades.

 

"Os senhores homens, pelo menos nesta bancada, tiveram facilidades que eu não tive e nem tenho. Isso não me desanima de ser juíza brasileira. Isso me faz mais comprometida e responsável com outras que eu não estou vendo. Não se preocupe, mulher só desanima quando não está disposta mesmo", afirmou a ministra.

 

Após quatro votos a favor do reconhecimento da fraude, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Nunes Marques.

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