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POLÍTICA

Governadores dos maiores colégios eleitorais mantêm distância de escândalo golpista

Nos três estados que concentram 40% do eleitorado, os chefes de governo local, até pouco tempo alinhados com Bolsonaro, mantêm distância segura do escândalo golpista. Interesses regionais influem na postura moderada

Publicado em: 14/02/2024 10:11 | Atualizado em: 14/02/2024 11:01

Zema e Lula no lançamento de pacote de investimentos em Minas Gerais, na semana passada: ''Boa convivência, sem extremismos'' (Crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Zema e Lula no lançamento de pacote de investimentos em Minas Gerais, na semana passada: ''Boa convivência, sem extremismos'' (Crédito: Ricardo Stuckert/PR)

Os governadores dos três maiores colégios eleitorais do país saem do carnaval equilibrando pratos. Se, por um lado, precisam manter a base mobilizada para as eleições municipais — e, para alguns, a de 2026 —, também necessitam evitar desgaste com o eleitor moderado e alimentar o diálogo com o governo federal. Todos são de oposição e aliados declarados do ex-presidente Jair Bolsonaro: Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro; e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais.

 

Para eles, o cenário pós-carnaval é desafiador. A megaoperação da Polícia Federal (PF) que mirou Bolsonaro, militares e ministros do governo anterior na semana passada os colocou em uma posição delicada. Eles evitaram se manifestar, seja a favor do ex-presidente, seja da atuação da PF. Bolsonaro, por sua vez, promete fazer barulho e convoca aliados em sua defesa.

 

Tarcísio foi o governador mais pressionado após a operação. O governo de São Paulo afastou o major da reserva Angelo Martins Denicoli, que atuava como assessor especial da Prodesp, uma empresa pública estadual de Tecnologia da Informação (TI). Denicoli é um dos alvos da Tempus Veritatis, que investiga a preparação de um golpe de Estado no círculo próximo de Bolsonaro. Segundo os investigadores, ele atuou em um esquema para divulgar notícias falsas sobre o sistema eleitoral. Tarcísio também é cobrado por bolsonaristas a prestar apoio público ao ex-presidente, e enfrentou críticas após ter subido em palanque com Lula e elogiado o PAC.

 

O coronel aposentado da Polícia Militar Ricardo de Mello Araújo, que foi indicado por Bolsonaro para ser vice na chapa de Ricardo Nunes (MDB) à reeleição como prefeito de São Paulo, publicou nas redes um vídeo com cobranças durante o fim de semana, marcando o perfil de Tarcísio. "Os governadores têm uma responsabilidade muito grande. Muitos foram eleitos nas costas do Bolsonaro", disse o ex-comandante da Rota, considerada a tropa de elite da PM de São Paulo. "Cadê o povo da direita se manifestando?", acrescentou.

 

Tarcísio também é pressionado a participar da manifestação convocada por Bolsonaro para 25 de fevereiro na capital paulista. O ex-ministro e governador paulista é tido como principal aposta da direita, no momento, para 2026, mas seu afastamento da ala mais radical do bolsonarismo vem causando insatisfação no entorno do ex-presidente. Mesmo mantendo apoio ao ex-chefe, a gravidade das acusações e das provas coletadas pela PF pode fazer com que Tarcísio se distancie ainda mais do aliado. 

 

As informações são do Correio Braziliense

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