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INVESTIGAÇÃO

Carlos Jordy segue conta de golpista preso pela PF

PGR aponta "forte ligação" do parlamentar com homem acusado de ser um dos organizadores dos atentados de 8 de janeiro

Publicado em: 18/01/2024 15:09 | Atualizado em: 18/01/2024 15:39

Mensagens enviadas por Carlos Jordy motivaram a operação da PF desta quinta-feira (18) (foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
Mensagens enviadas por Carlos Jordy motivaram a operação da PF desta quinta-feira (18) (foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) continua seguindo no Instagram o vereador suplente Carlos Victor de Carvalho — identificado como um dos líderes dos atentados de 8 de janeiro, em Brasília. Victor morava em Campos dos Goytacazes (RJ) e também era servidor da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

 

Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal afirma que Carlos Victor administrava grupos de extrema-direita, participou da organização dos atentados em Brasília e aponta indícios de que ele estava na capital federal e participou da invasão na sede dos Três Poderes.

 

Operação foi motivada por mensagens de Carlos Jordy incitando bolsonaristas

Um mandado de prisão foi expedido contra ele em 16 de janeiro de 2023. No dia seguinte, 17, de acordo com a PF, já na condição de foragido, ele ligou para Jordy. O golpista foi preso no dia 19 do mesmo mês, no Espírito Santo. O parlamentar segue 2.052 pessoas no Instagram, entre elas, Paulo Victor. O deputado é seguido por mais de 800 mil pessoas.

 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que o parlamentar trocou mensagens, fotos, vídeos e outras mídias com Carlos Victor. As conversas ocorreram principalmente entre agosto e outubro de 2022, período eleitoral. Jordy foi alvo de mandados de busca e apreensão em Brasília, nesta quinta-feira (18), expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo. Ele teve o celular apreendido.

 

 

"Bom dia, meu líder"

 

De acordo com as investigações, após o ex-presidente Jair Bolsonaro perder as eleições, o acusado pediu orientações e autorizações ao parlamentar para deflagrar atos contra o resultado do pleito. Carlos Victor liderava grupos de redes sociais com objetivos antidemocráticos — de acordo com as acusações.

 

Em uma das mensagens, o acusado pede orientações ao parlamentar. "Bom dia, meu líder. Qual direcionamento você pode me dar? Tem poder de parar tudo", declarou. Jordy então responde perguntando se o acusado poderia atender uma ligação. A PF diz que Carlos Victor participou dos atentados em Brasília e, mesmo após foragido, manteve contato com o deputado.

 

 

 

"Foi apurado ainda no curso da investigação, quando da análise das mídias, de dados obtidos nas contas de e-mail ou em fontes abertas, foi possível colher indícios que Carlos Victor de Carvalho possui fortes ligações com o Deputado Federal Carlos Jordy que transpassam o vínculo político, vindo denotar-se que o parlamentar, além de orientar tinha o poder de ordenar as movimentações antidemocráticas, seja pelas redes sociais ou agitando a militância da região", afirma a PF.

 

Pelas redes sociais, o congressista nega as acusações e diz que não participou da preparação e organização dos ataques. "Eu, em momento algum do 8 de janeiro, incitei, falei para as pessoas que aquilo ali era correto. Pelo contrário. Em momento algum eu estive nos quartéis-generais quando estavam acontecendo todos aqueles acampamentos. Nunca apoiei nenhum tipo de ato, tanto anterior ou depois no 8 de janeiro. Embora as pessoas tivessem todo o seu direito de fazer suas manifestações contra o governo eleito", afirmou.

 

 

 

Confira as informações no Correio Braziliense.

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