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Participação da Petrobras na Braskem faz governo preferir evitar CPI

Apesar da proposta de CPI no Senado Federal ter sido de iniciativa de um dos principais aliados do governo, o senador Renan Calheiros, o Planalto teme que a comissão parlamentar possa atacar a estatal

Publicado em: 12/12/2023 13:23 | Atualizado em: 12/12/2023 13:27

Renan Calheiros e líder do governo no Senado, Jaques Wagner: Lula teve conversa reservada com parlamentares alagoanos sobre CPI da Braskem  (Crédito: Pedro França/Agência Senado)
Renan Calheiros e líder do governo no Senado, Jaques Wagner: Lula teve conversa reservada com parlamentares alagoanos sobre CPI da Braskem (Crédito: Pedro França/Agência Senado)

Em um esforço de jogar água na fervura a fim de evitar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado Federal sobre a situação do colapso das minas de sal-gema da Braskem em Maceió, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na manhã desta terça-feira (12/12) com políticos alagoanos para debater a situação. A petroquímica, apesar de ter como maior acionista, com 51% do capital votante, a Novonor, novo nome da Odebrecht, tem uma significativa participação da Petrobras, que controla 47% da empresa.

 

A CPI foi proposta por um importante aliado do governo, o senador Renan Calheiros, mas a avaliação palaciana é de que Calheiros aposta na comissão para desgastar o seu oponente político, que é a outra principal liderança do estado nordestino, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

 

 

 

Como o governo não quer criar nenhuma indisposição com Lira, de quem depende da boa vontade para votar temas de interesse no parlamento, e teme que essa comissão se torne um palanque para bater na estatal petroleira, a ordem no Planalto é tentar evitar a CPI.

 

Na contabilidade da política, a instalação da comissão parlamentar poderia desgastar tanto o prefeito João Henrique Caldas (PL) — conhecido por JHC — aliado de Lira, quanto o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), aliado de Calheiros. Porém, como as eleições do segundo semestre de 2024 são municipais, o grupo de Lira deve ser o maior prejudicado na pretensão de seguir no comando da capital alagoana.

 

Apesar do esforço do governo em evitar que o "incêndio" de Alagoas chegue a Brasília, parte dos senadores quer a instalação da CPI ainda nesta terça-feira. Após a reunião no Planalto, os alagoanos devem se reunir no gabinete do senador Omar Aziz (PSD-AM), que foi presidente da CPI da Covid, em 2021, e é apontado como provável presidente da CPI da Braskem.

 

A indicação de Aziz pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), indica um movimento para reduzir o protagonismo de Calheiros, mas pode mandar o alagoano para a relatoria, repetindo a dobradinha que ficou famosa na CPI da Pandemia.

 

Mostrando que o Senado tem pressa em entrar no assunto, ainda na segunda-feira (11), 10 das 11 vagas titulares foram indicadas pelos partidos. Somadas as vagas de suplentes, serão 18 parlamentares compondo a CPI da Braskem. Todos os senadores de Alagoas foram indicados, faltando apenas a indicação do líder do PDT para a última vaga de titular do colegiado.

 

  • Já indicados para a CPI da Braskem:
  • Renan Calheiros (MDB-AL)
  • Fernando Farias (MDB-AL)
  • Rodrigo Cunha (Podemos-AL)
  • Soraya Thronicke (Podemos-MS)
  • Omar Aziz (PSD-AM)
  • Otto Alencar (PSD-BA)
  • Angelo Coronel (PSD-BA)
  • Fabiano Contarato (PT-ES)
  • Rogério Carvalho (PT-SE)
  • Jorge Kajuru (PSB-GO)
  • Efraim Filho (União-PB)
  • Jayme Campos (União-MT)
  • Dr. Hiran (PP-RR)
  • Cleitinho (Republicanos-MG)
  • Wellington Fagundes (PL-MT)
  • Eduardo Gomes (PL-TO)
  • Magno Malta (PL-ES) 
As informações são do Correio Braziliense.

 

Tags: braskem | petrobras | cpi | governo |

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