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DEFESA

Múcio diz que Venezuela não invadirá Guiana pelo Brasil em ''hipótese nenhuma''

Ministro da Defesa adverte que "em hipótese nenhuma" militares de Nicolás Maduro utilizarão o Brasil para invadir a Guiana e tomar Essequibo. Preocupação da Marinha é de conflito com participação de potências militares

Publicado em: 12/12/2023 07:09 | Atualizado em: 12/12/2023 07:13

Múcio chega ao Comando da Marinha. Para o ministro, não haverá conflito armado entre Venezuela e Guiana (Crédito: Ministério da Defesa)
Múcio chega ao Comando da Marinha. Para o ministro, não haverá conflito armado entre Venezuela e Guiana (Crédito: Ministério da Defesa)

Os movimentos hostis da Venezuela para tomar o território de Essequibo, na fronteira com o Brasil, são vistos pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, como uma "provocação internacional", e tem "esperança" de que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, "não vá comprar uma briga desse tamanho, porque seria uma insensatez". Em almoço com jornalistas, no Comando da Marinha, afirmou que "em hipótese nenhuma" as forças militares venezuelanas passarão pelo Brasil para invadir a Guiana.

 

"A Venezuela só chegaria passando pelo território brasileiro, o que não vamos permitir em hipótese nenhuma. Isso foi uma manobra política dele (Maduro)", afirmou Múcio, que não crê em conflito armado na fronteira norte. "Ele (Maduro) tem 127 mil homens nas suas forças, a Guiana tem 3,7 mil. O embate Guiana x Venezuela não acontecerá", assegurou.

 

Para invadir a Guiana por terra, a Venezuela teria que passar pelo norte de Roraima, único acesso rodoviário da região. Como praticamente não há estradas que liguem diretamente a Venezuela à Guiana, sem o acesso por Roraima as tropas de Maduro teriam apenas a via marítima para alcançar Essequibo. Mesmo assim, não encontrariam vias para adentrar ao território que a Venezuela ameaça anexar.

 

A região reivindicada por Caracas corresponde a cerca de 70% do atual território guianês. É tomado pela Floresta Amazônica, mas é rico em minérios e petróleo — que começou a ser explorado pela empresa norte-americana Exxonmobil na costa do país.

 

As Forças Armadas acompanham os movimentos da crise. Por enquanto, apenas o Exército reforçou a presença em Roraima, com a ampliação de uma das unidades em Boa Vista e a transferência de blindados para a região. A Aeronáutica e a Marinha monitoram a situação pelas áreas de inteligência.

 

Para o comandante da Armada brasileira, almirante Marcos Olsen, a preocupação é com o envolvimento de potências estrangeiras no conflito. A Guiana anunciou exercícios militares conjuntos com a Força Aérea dos Estados Unidos e Maduro disse que iria à Rússia negociar apoio com o presidente Vladimir Putin — mas adiou.

 

"A crise entre Venezuela e Guiana preocupa a Marinha por conta da participação de potências extrarregionais", disse Olsen.

 

Na quinta-feira, Maduro conversará pessoalmente com o presidente da Guiana, Irfaan Ali, em São Vicente e Granadinas — país insular do Caribe que ocupa, em sistema de rodízio, a presidência Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva designou o chefe da assessoria especial da Presidência, Celso Amorim, como representante do Brasil.

 

Golpistas

 

Olsen também comentou a denúncia de que o ex-comandante da Força, Almir Garnier Santos, apoiou um complô golpista, no fim do governo de Jair Bolsonaro — que se daria com meio de uma intervenção ilegal no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que levaria à anulação da eleição presidencial vencida por Lula. Olsen, que à época comandava a área operacional da Marinha, disse que não houve "planejamento ou adestramento específico" no sentido de apoiar uma intervenção inconstitucional.

 

"Todas as forças de pronto emprego estavam subordinadas a mim e não teve nenhum planejamento e nenhum adestramento. O emprego da Força em qualquer um daqueles campos de atuação não se dá sem o conhecimento e a ação do comandante operacional", assegurou Olsen.

 

As informações são do Correio Braziliense. 

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