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Política
DANI PORTELA

Objetivo do PSOL-PE é manter e ampliar presença na Alepe, diz Dani Portela

Publicado: 07/03/2022 às 15:26

/Foto: Tom Cabral/Divulgação

(Foto: Tom Cabral/Divulgação)

Nesta segunda-feira (7), véspera do Dia Internacional da Mulher, a vereadora Dani Portela (PSOL), que teve o maior número de votos para a Câmara do Recife em 2020, concedeu uma entrevista ao programa Manhã na Clube, comandado pelo jornalista Rhaldney Santos. 

A vereadora - que também já concorreu ao Governo do Estado - tem como prioridades em seu mandato as pautas voltadas às populações mais vulneráveis na sociedade (mulheres, pessoas negras, periféricas e população LGBTQIA%2b), concorrerá neste ano a um dos assentos na Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (ALEPE), visando à ampliação da bancada de seu partido na casa, além de fortalecer a campanha do ex-presidente petista (e pernambucano) Luiz Inácio Lula da Silva.

“Hoje só temos uma cadeira, ocupada por um mandato revolucionário, coletivo, por cinco mulheres Juntas. Meu objetivo é reeleger as juntas e ocupar mais uma ou quiçá mais duas cadeiras (...) O PSOL chegou num momento de maturidade política para entender que a polarização e violências políticas que o Brasil está passando, a gente precisa, desde o primeiro momento, defender a candidatura à presidência do ex-presidente Lula”, disse a vereadora. 

Dani Portela enfatiza que sua decisão de concorrer à ALEPE também tem muito a ver com a falta de mulheres ocupando espaços de decisão e poder na nossa sociedade, ainda repleta de machismo e resquícios de uma cultura patriarcal que restringe o papel da mulher na esfera pública.

“No Brasil, nem 15% do parlamento é ocupado por mulheres, a gente começou a votar um dia desse, em 1932. Entre as mulheres negras, esse número cai para 1,7%. As mulheres são maioria da população, somos mais de 50%. Nesse primeiro ano nossa atuação foi voltada prioritariamente para esses setores que, equivocadamente, são chamados minorias”, aponta Dani. 

A afirmação da vereadora conta com respaldo de dados do último censo do IBGE em 2010: na época, a população brasileira é composta por 97.342.162 mulheres e 93.390.532 homens, significando  3,9 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil. “Mas ainda recebemos os piores salários, ainda trabalhamos mais e ganhamos menos, somos sobrecarregadas com trabalhos domésticos, porque ao longo da história foi dado à mulher o papel do cuidar, do privado, da casa. Cuidar da família, dos filhos, dos idosos, dos doentes. Mas isso está mudando, e a gente está aqui para ‘esperançar’ essa mudança”, disse Dani. 

Sua própria eleição reflete esse movimento de mudança social que, embora lento, está em curso. Dani conta, por exemplo, que na última eleição tinha expectativas para uma votação equivalente a 10% do que recebeu em sua candidatura a governadora (cerca de 7.900 votos), mas se surpreendeu ao receber quase o dobro do esperado.

“O que me chama a atenção não é o número do voto, é o que ele representa. Sou uma candidata que não venho de nenhuma família arraigada na política, não venho financiada por nenhum grande grupo ou grande partido. Venho de um partido pequeno, e fazendo essa chamada para que as mulheres se organizem, especialmente as mulheres negras. Quando cheguei na Câmara, eu fiz o discurso de abertura daquela legislatura, e disse que não era um discurso de posse, mas de reintegração de posse desses territórios políticos que são negados às mulheres, pessoas da periferia, negros e negras, que a minha voz possa ampliar outras vozes”, declarou a vereadora.
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