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Notícia de Política

HOMOFOBIA

Bolsonaro afirma que pautas LGBT 'destroem a família' e comemora ações na mão de Mendonça

Publicado em: 10/01/2022 19:32

 (Foto: Evaristo Sá/AFP)
Foto: Evaristo Sá/AFP
O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a provocar polêmicas em relação à homofobia. Ele afirmou, nesta segunda-feira (10), que as pautas LGBTs são usadas contra ele como forma de desgaste ao governo e constituem uma forma de "destruir a família".

"Tem LGBT que conversa comigo sem problema nenhum. Tem muita gente que a gente descobre que é depois e o cara tinha um comportamento completamente normal e não tem problema nenhum. Isso tudo são pautas para desgastar. Uma das maneiras de você dominar o povo é você destruir a família com essas pautas", disse. 

A declaração do presidente, em referência ao termo antigo do atual LGBTQIA+, ocorreu durante entrevista ao canal Jovem Pan News. A nova sigla busca representar as comunidades de indivíduos fora das normas binárias de gênero e sexo, historicamente marginalizados e excluídos da representatividade social, além dos grupos originais da sigla: lésbicas, gays, bissexuais e transgênero.

Bolsonaro ainda comemorou que pautas que chamou de "ideologia de gênero" estejam nas mãos do novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, o que caracterizou como "sorte". O ministro foi o nome escolhido pelo presidente para a vaga que ele tinha prometido como de um magistrado "terrivelmente evangélico" para a Corte.

"Demos uma sorte. As pautas voltadas para ideologia de gênero caíram com André Mendonça. É uma tranquilidade para a família tradicional. E não é só a família tradicional, não. O pessoal que vai morar aí dois homens e duas mulheres, a maioria deles não quer essa promiscuidade toda. Eles querem é trabalhar, cuidar da vida deles e ser feliz entre quatro paredes. Não fica com esse ativismo: 'Ah, todo mundo tem que aceitar isso daqui, botar na escola'", afirmou.

O presidente disse ainda que seu antagonismo às causas LGBTQIA o promoveram enquanto ainda era deputado federal.

"O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) resolveu regularizar essa questão e aceitou, não o casamento, uma união estável entre eles até pela questão de partilha de bens, etc. Está incorporado na sociedade. Aquilo lá me promoveu, porque é uma coisa que não era normal para a gente. Começar a querer falar para criancinha se vai ser menino ou menina quando tiver 10, 12 anos não tem cabimento isso. Até um pai que acaba… um pai não, um casal ‘homo’ que adota uma criança quer a normalidade para aquela pessoa. Que a pessoa seja um bom profissional, seja feliz, cuide da sua vida e não entre nessa questão", declarou.

O chefe do Executivo fez novas críticas à linguagem neutra. onde os pronomes contemplam pessoas de gênero não binário, no lugar de "ele/ela".

"Você vê: linguagem neutra. O nosso Português já é uma língua difícil, imagina como isso vai se manifestar aí fora perante o mundo. Em um país que venha a adotar isso daí", afirmou.

Bolsonaro também criticou a decisão do ministro do STF Edson Fachin, que suspendeu, em novembro de 2021, uma lei de Rondônia que proibia a linguagem neutra na grade curricular e em materiais didáticos, em escolas públicas ou privadas, e em editais de concursos.

"Tem uma lei lá que foi sancionada pelo governador proibindo a linguagem neutra. O que o ministro Fachin fez? Acho que foi o Fachin. Deu uma liminar contra essa lei que estava lá em Santa Catarina proibindo a linguagem neutra. Que país é esse? Que ministro é esse do Supremo Tribunal Federal? O que que ele tem na cabeça? Virou ‘eu quero’, ‘eu não quero’?", questionou.

No começo de dezembro do ano passado, Bolsonaro comentou sobre o que chamou de "linguagem neutra dos gays". O chefe do Executivo citou como exemplo uma questão da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2018 e reclamou que a utilização dos termos neutros "estraga a garotada".

Depois, voltou a tecer comentários de cunho homofóbico afirmando que, hoje, está "um vale tudo terrível".
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