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Notícia de Política

ALIANÇAS

Lula busca palanque único em Pernambuco, apoiado pela Frente Popular

Publicado em: 04/10/2021 14:09

 (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
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Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
O ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva (PT), esteve reunido com o atual governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e com seu correligionário, o senador Humberto Costa (PT-PE), no último domingo (3), em Brasília, onde fizeram uma foto juntos, com ares de cordialidade. 

Segundo uma fonte próxima ao Partido dos Trabalhadores que falou ao Diario de Pernambuco em reserva, o encontro serviu para que os três discutissem a possibilidade de uma aliança entre o PT e o PSB com foco nacional, na busca pela eleição de Lula contra Bolsonaro (sem partido). 

A união dos dois partidos no âmbito nacional pode isolar Ciro Gomes (PDT), que apoiou o então prefeito do Recife, João Campos (PSB) na campanha de 2020 e conta com o partido em sua oposição tanto ao PT como ao bolsonarismo, simultaneamente.

Tratando-se de três pernambucanos, sendo Paulo Câmara além de governador, vice-presidente do PSB, e Lula ex-presidente pelo PT, a conversa articulada por Humberto Costa passou, inevitavelmente, pela conjuntura estadual. Segundo a fonte que não deseja ser identificada, há possibilidade de aliança ampla, com o PT ocupando uma posição de destaque na conjuntura.

Além disso, ainda não houve uma conversa focada diretamente em nomes, mas assumiu-se a possibilidade de governador(a), vice-governador(a) e senador(a) entre as principais siglas. Nesse cenário, seria possível, inclusive, que o PT ocupasse a cabeça de chapa na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas contra as forças de oposição que se organizam no estado.  

Muito se especula sobre a possibilidade do até então governador Paulo Câmara buscar um assento no Senado Federal. No meio político, contudo, também há quem ventile a possibilidade de que ele seja vice-presidente na chapa encabeçada por Lula. 

Nesse sentido, há quem veja sentido e força no seu nome, mas considere o momento inadequado para que o ex-presidente da República tome tal decisão, com tantos partidos para dialogar e tempo pela frente. 

O senador Humberto Costa, próximo tanto de Lula quanto de alguns nomes do PSB, é um dos nomes ventilados a eventual candidato petista ao cargo de governador. A deputada federal e candidata derrotada à prefeitura do Recife em 2020, Marília Arraes (PT-PE), que não estava na reunião do último domingo em Brasília, tem se movimentado bastante para viabilizar seu nome como potencial candidata ao governo pelo Partido dos Trabalhadores. 

Já nesta segunda-feira (4), o ex-presidente Lula participou, também em Brasília, de uma reunião com as bancadas do PT na Câmara e no Senado. De acordo com o deputado federal Carlos Veras (PT-PE), que participou do encontro, o objetivo de Lula ao reunir os parlamentares foi discutir “as questões do Brasil”. 

“Uma reunião com o presidente para a gente tratar de questões dos estados e do próprio Parlamento, questões pautadas no momento para dar uma discutida com toda a bancada da Câmara e do Senado”, contou o deputado. Veras define o encontro como um momento de discussão da conjuntura e preparação para 2022, “mas acima de tudo o momento que o país está vivendo. Nós discutimos o futuro, mas o presente também, porque o futuro depende dele”. 

Ao ser questionado sobre conversas acerca de alianças que possam colaborar com a formação de uma chapa para disputar a presidência, o parlamentar afirmou que a ideia é que Lula aproveite sua passagem por Brasília para conversar com lideranças de diversos partidos. “É um momento para conversar e discutir um futuro melhor para o povo brasileiro”, diz o deputado ao apontar a perda de poder aquisitivo, trabalho e qualidade de vida da população. 

Presente em ambas as reuniões, o senador Humberto Costa afirma que Lula tinha como objetivo falar da situação política nacional e sobre seu interesse em estreitar as relações entre PT e PSB. De acordo com o senador, ex-presidente e governador saíram animados do encontro. 

Humberto aponta que Lula queria saber como anda a conjuntura em Pernambuco e “disse que tinha uma expectativa muito positiva de que aqui nós tivéssemos um palanque único de apoio a ele na frente popular”. 

O senador afirma que não foram levantados possíveis nomes para compor a chapa, mas que Lula afirma ter confiança na condução de Paulo Câmara para esse processo, além de se dispor a ajudar no que o governador julgar necessário.

Humberto Costa já admitiu publicamente em diversas oportunidades que, caso o PT nacional o considere uma alternativa viável, gostaria de ser candidato ao Governo de Pernambuco. Contudo, como a diretriz do partido é apoiar ao máximo a força da candidatura à presidência, o senador afirma que o partido está pronto para qualquer cenário na hipótese de se concretizar a união com a Frente Popular. 

“Qualquer que seja a melhor decisão para a eleição de Lula, estaremos preparados para qualquer cenário. Seja para apoiar a candidatura da frente popular [que não seja PT], seja para apresentar um nome se a Frente Popular, se ela considerar que pode considerar algum nome do PT, e estamos preparados para uma eventual candidatura do partido com outras forças políticas, mas sem a Frente Popular toda. O caminho tomado pelo PT nacional, nós estaremos aí”, disse Humberto Costa. 

Ampliar as bancadas do PT na Câmara e no Senado, segundo Humberto, também foi um dos principais pedidos que o ex-presidente fez a seus correligionários nas próximas eleições. A estratégia, segundo o senador, será puxar nomes de peso que não vão disputar as majoritárias e lança-los aos cargos do legislativo, em chapas grandes com destaque à legenda do PT. 

Tanto um desejo de facilitar a governabilidade em um futuro eventual mandato quanto uma reação estratégica à fusão entre DEM e PSL podem motivar a postura de Lula ao pedir esforços pela ampliação da bancada nas próximas eleições. Questionado se a fusão das siglas de centro-direita pode mudar a balança do Congresso e as estratégias eleitorais, Humberto Costa diz que sim.

“Você vai ter um partido de centro-direita forte, provavelmente dento do Congresso Nacional o mais forte e com mais tempo de televisão. Mas em princípio, também um partido que não tem uma candidatura majoritária nacionalmente, que vai ter que buscar apoiar um do nome. São tantos nomes aí na centro-direita. Isso certamente vai produzir muita discussão interna, a gente vai ter que esperar um tempo para ver se isso vai dar certo. Não sei como vai ser”, afirmou o senador.

Já a deputada Marília Arraes, que ao lado de Carlos Veras integra a bancada pernambucana do PT na Câmara dos Deputados, participou do encontro desta segunda-feira (4), mas não concedeu entrevista ao Diario de Pernambuco.
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