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Notícia de Política

INVESTIGAÇÃO

Motoboy confirma à CPI que fez saques em dinheiro vivo

Publicado em: 02/09/2021 07:24

 (Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado)
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Em depoimento, ontem, à CPI da Covid, Ivanildo Gonçalves, motoboy da VTC Log — empresa que prestava serviço de logística de distribuição de insumos para o Ministério da Saúde —, confirmou que fez várias retiradas em dinheiro vivo. Segundo ele, o maior valor individual foi acima de R$ 400 mil, na agência da Caixa Econômica Federal, no aeroporto de Brasília. Além disso, ele reconheceu que esteve “constantemente” no Ministério da Saúde.

Ivanildo assegurou que o dinheiro era usado para pagar boletos dentro do próprio banco, em contas cujos destinatários disse não se lembrar. Explicou, ainda, que quando sobravam cédulas após os pagamentos, as devolvia à VTC Log.

De acordo com o motoboy, a ordem dos saques e pagamentos vinha de Zenaide Sá Reis, responsável pelo setor financeiro da empresa — cujo nome foi acrescentado à lista de próximas convocações pelos senadores. Ivanildo é funcionário da VTCLog desde 2009. “O financeiro da empresa passava os cheques para mim (sic) fazer os saques e, aí, eu executava. Era na boca do caixa”, explicou, acrescentando que, ultimamente, o volume de movimentações diminuíra.

Apesar de ir várias vezes ao Ministério da Saúde, ele foi enfático ao dizer que “não conhecia ninguém, ia de sala em sala, de setores em setores entregar faturas da empresa”. Ivanildo se recordou de, em uma dessas idas à pasta, ter levado um pendrive da VTCLog para uma mulher, no quarto andar do prédio — o mesmo no qual ficava o Departamento de Logística (Delog), chefiado à época por Roberto Ferreira Dias.

Sem olhar nomes
“Não cheguei a entregar dinheiro para ninguém. A única coisa que eu executava no papel era de pagar boletos. Às vezes depositava quando me pediam: ‘olha, deposita esse dinheiro’. Mas eu não cheguei ainda, assim, a entregar dinheiro para ninguém”, afirmou, sem também se recordar de nomes que constassem nas faturas — lembrou-se apenas que os dos sócios da VTCLog estavam em algumas e de também uma empresa de fornecedora de combustível. “A princípio, eu não chegava a olhar o nome de ninguém”, garantiu.

Os senadores indagaram se Ivanildo pagou boletos de Roberto Ferreira Dias. “Eu não estou lembrado de ter pagado boleto nenhum dele. Nunca ouvi falar e nunca estive com ele”, respondeu. De acordo com a CPI, os maiores valores de saques começaram em 2018, mas, segundo nota divulgada pela VTC Log em seu site, os seus contratos com o governo federal foram firmados no mesmo ano, até 2019, e depois retomados em 2021. Alega, ainda, que a pasta lhe é devedora.

Os nomes de Ivanildo e de Zenaide, aliás, constam em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou saques em dinheiro e pagamentos que somam R$ 4,7 milhões, entre 2018 e julho de 2021.

Para os parlamentares, o motoboy foi usado pela VTC-Log para movimentar valores de um suposto esquema de corrupção. No depoimento, ele disse desconhecer a origem das quantias e afirmou que apenas cumpria as ordens. “Eu estou me sentindo tranquilo. Então, não me sinto, assim, no momento, complicado. A única coisa são os meus pensamentos a respeito... diante de valores que estão citados para o mundo inteiro. Isso aí me traz um desconforto de pensamentos”, afirmou.

CGU abre processo contra a Precisa
Investigação conduzida pela Controladoria Geral da União (CGU) encontrou fraude e apontou “comportamento inidôneo” por parte da Precisa Medicamentos, que intermediou a venda da vacina Covaxin com o Ministério da Saúde. As apurações estão a cargo do corregedor-geral da União, Gilberto Waller Júnior. Dois processos foram iniciados pelo órgão depois da denúncia feita ao Ministério Público Federal pelo servidor Luís Ricardo Miranda, chefe do setor de importação do ministério. Uma dupla de auditores foi designada por Waller para conduzir as investigações, que devem ser concluídas em até 180 dias. Entre as punições que podem ser aplicadas à Precisa estão a declaração de inidoneidade, com proibição de novos contratos com o poder público, e a aplicação de multa, que pode chegar a 20% do faturamento bruto, conforme previsto na Lei Anticorrupção.
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