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Notícia de Política

ENTREVISTA

Mendonça defende Miguel Coelho, mas cenário ainda é incerto

Publicado em: 30/08/2021 17:13 | Atualizado em: 30/08/2021 20:58

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação
O “xadrez” político de Pernambuco ficou ainda menos definido no campo da oposição diante da saída do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, do MDB para o DEM em busca da sonhada candidatura ao Governo do Estado. 

A chegada de Miguel torna o Democratas um partido chave na oposição ao PSB no campo da direita, diante da possibilidade de uma composição de chapa entre a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), com Priscila Krause (DEM) como vice-governadora. Krause, no entanto, segue como um possível nome para cabeça de chapa. 

Num cenário que ainda envolve o atual prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), de olho no Palácio do Campo das Princesas, as costuras oposicionistas para definição de candidaturas ficam cada vez mais complexas. 

O Diario de Pernambuco entrevistou o presidente estadual do DEM em Pernambuco e futuro candidato a deputado federal, Mendonça Filho, em busca de informações que permitam lançar luz sobre o indefinido cenário eleitoral de 2022. Confira:

Diario: Com a chegada de Miguel Coelho ao DEM, a oposição ao PSB-PE tem diversas opções de candidaturas, como Priscila, Raquel e Anderson. Quem está mais sintonizado com o povo?

Mendonça: Na verdade, você está num processo de construção de um projeto alternativo para Pernambuco. Pernambuco está sob domínio das forças do PSB e do PT há mais de 20 anos. Há claramente um sentimento de saturação e fadiga de material com relação a esse contexto. Pernambuco perdeu espaço no cenário econômico e social do Nordeste, perdeu liderança, perdeu força. Pernambuco economicamente está, infelizmente, perdendo terreno no ambiente de geração de oportunidades no campo dos negócios para geração de emprego e renda. 

As forças de oposição terão que se organizar diante desse quadro, debater um projeto de forma aberta com a sociedade, com os formadores de opinião. Nomes para a disputa nós temos muitos, e qualificados. Miguel Coelho ingressou no DEM e se coloca como pré-candidato, Raquel Lyra está no PDSB e também se coloca como uma alternativa para comandar esse projeto de mudança e tem qualidades para isso, assim como Anderson Ferreira, prefeito de Jaboatão que está no PL, também tem credenciais para postular o cargo de governador.

Eu somaria, nessa composição majoritária, um nome da política pernambucana, que é Priscila Krause, e espero que um debate faça com que a gente construa o nosso nome para 2022. Defendo o nome de Miguel no partido, e que esse nome se submeta aos vários nomes com qualidades e condições para encarar o debate e a discussão relativa ao processo eleitoral de 2022.

Diario: O bloco de oposição busca unidade e você vem dialogando desde a filiação de Miguel Coelho ao DEM. Que impacto a filiação dele tem no cenário político-eleitoral para 2022 e suas possíveis alianças?

Mendonça:  Absolutamente natural. Fernando Filho é deputado federal pelo DEM, Antônio Coelho é deputado estadual pelo Democratas, portanto Miguel vem se somar a forças políticas que já estão na região dele, tem atuação em Pernambuco e vem fortalecer mais o partido. Devido a um momento de disputa por hegemonia, ele sentiu que não tinha espaço para ganhar a indicação nop MDB e achou por bem nos procurar para que a gente pudesse abrir essa oportunidade no Democratas. Naturalmente é um nome com trajetória política vitoriosa, duas vezes prefeito de Petrolina, é competente, jovem, articulado, trabalhador. Tem as credenciais para disputar o cargo de governador. 

Quando conversamos com Miguel, e esse é o entendimento dele, colocamos que ninguém é candidato de si próprio. Há uma discussão, uma vontade, você pode ter uma disposição, mas tem que ser subordinado a um contexto mais amplo da construção de uma plataforma, de uma proposta, de um programa para o estado que tem que ser bem recebida pela população. A gente vai agora abrir uma sequência de debates, workshops e discussões que envolvem o desafio do futuro de Pernambuco na educação, na saúde, na infraestrutura que está sucateada e acabada, geração de emprego e atração de empresas. 

Essa discussão vai também se subordinar ao debate envolvendo os demais nomes, como de Raquel e Anderson, igualmente qualificados. O conjunto das forças de oposição deve chegar a uma conclusão no final desse ano ou começo do próximo sobre a escolha do nome para encabeçar a chapa. Defendo Miguel, vejo nele as  credenciais para disputar o cargo, mas o conjunto e essa sintonia com o povo que vai determinar o candidato ou candidata para enfrentar a hegemonia socialista e petista no pleito do próximo ano. 

Diario: O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) se torna, agora, o único membro da família Coelho fora do DEM, e até então não fez nenhuma declaração sobre também mudar de sigla. Essa possibilidade existe? Há diálogo para que ingresse na sigla?

Mendonça:  Não posso falar pelo senador Fernando Bezerra. O senador decidiu manter-se no MDB e entende que deve defender a saída do MDB da composição governista do MDB como aliado do PSB em Pernambuco, mas é algo que não me diz respeito.  

Coloco a posição do MDB como algo de discussão interna, não tenho condições de avaliar os caminhos que o MDB seguirá com relação ao processo eleitoral de 2022. O que posso dizer é que na última conversa que tive com o senador Fernando Bezerra Coelho, ele disse que se manteria no partido e trabalharia para trazer o MDB para o bloco oposicionista. 

Diario: Minha curiosidade era, de fato, sobre o diálogo e o senhor sanou a dúvida. Bom, quero falar da eleição saindo do âmbito do governo. Priscila Krause está na Alepe e vem sendo cogitada como possível vice de Raquel Lyra numa candidatura ao governo, ou como cabeça de chapa. Com a chegada de Miguel e sua candidatura, apoiada por você, esse cenário ainda é possível? 

Mendonça:  Priscila é um dos melhores quadros da política pernambucana. É uma jovem talentosa, obstinada, a principal voz da oposição na Alepe e tem credenciais para qualquer cargo eletivo. Evidente, ela também será sempre considerada como atriz de primeira grandeza na oposição. 

Não posso antecipar o desdobramento desse cenário para 2022, porque enfrentamos um debate interno com três pré-candidaturas postas, mas no bojo dessa discussão, amplamente falando, Priscila, sim, se coloca como uma pessoa que tem qualidades e credenciais para disputar qualquer cargo eletivo. O início da discussão envolve, evidentemente, a escolha do nosso candidato a governador ou governadora. 

Eu defendo o nome de Miguel, reitero essa defesa, mas defender Miguel não significa desconsiderar as qualidades de Raquel, as potencialidades dela, nem de Anderson Ferreira. Nesse bojo, com um amplo debate com relação à composição da chapa majoritária que enfrentará as forças governistas no processo eleitoral do próximo ano. Nesse sentido, como já disse, Priscila reúne todas as qualidades e credenciais para ocupar qualquer que seja a posição. É esse o quadro que eu vejo do processo eleitoral de 2022. 

Diario: E pensando ainda no legislativo ,tanto estadual como federal, como o partido se articula? Antônio Coelho deve tentar a Alepe? E o senhor, que posto deverá buscar?

Mendonça:  Ficou estabelecido que os dois disputarão a vaga de deputado, no caso de Fernando [Filho], estadual, e Antônio [Coelho], federal. Temos hoje três deputados estaduais no legislativo, Antônio, Priscila [Krause] e [Gustavo] Gouveia, e um deputado federal que é Fernando Filho. 

Vamos tentar conseguir cinco deputados na Assembleia Legislativa e na Câmara eu devo disputar para deputado federal e tentar a terceira vaga. Ou seja, ampliar a nossa representação para pelo menos três nomes no quadro de deputados federais e até cinco nomes no quadro de deputados estaduais. Essa é a posição.

Diario: E sobre a disputa majoritária nacional, como vocês se articulam para a disputa à presidência? Têm pensado mais em alianças com outros partidos de oposição, em candidatura própria, com Mandetta, por exemplo, ou apoiar outra sigla, como o PDT?

Mendonça:  O debate está bem aberto no DEM. Há uma ala que defende a candidatura DE Mandetta, que seria quadro natural, ou de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado. Outra ala defende neutralidade para que cada estado componhasua escolha de apoio presidencial e há, ainda, um quadro que defende a reeleição do presidente Bolsonaro. O DEM, no momento certo, vai tomar sua decisão. Eu defendo candidatura própria. 

Diario: Com o ex-ministro Mandetta, mesmo?

Mendonça: Isso.

Diario: Atualmente o DEM se coloca como um partido independente do governo e fora de sua base. Mas no que diz respeito às eleições, em um eventual segundo turno, embora seja cedo, é possível que haja apoio da sigla à reeleição? Como o senhor enxerga esse quadro?

Mendonça: Está muito cedo, seria uma tremenda precipitação. Discutir segundo turno seria exercício de futurologia. 

Diario: Eu entendo. A gente sempre tenta entender melhor como estão caminhando as coisas, mas para tentar melhorar um pouco a pergunta, quanta força tem hoje, no partido, a ala que defende a reeleição de Bolsonaro? 

Mendonça: Não posso dimensionar, mas não julgo que seja majoritária. É minoritária. Vamos aguardar os desdobramentos e a posição final do partido.
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