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Notícia de Política

CPI

Senador pede acesso a e-mails da Casa Civil em período que Braga Netto era ministro

Publicado em: 13/07/2021 13:20

 (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Suplente na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) pediu, nesta terça-feira (13), que a presidência da CPI tenha acesso a todas as comunicações via e-mails do período em que o ministro da Defesa, general Braga Netto, ocupou a chefia da Casa Civil, de fevereiro do ano passado a março deste ano. O pedido do senador se dá após uma dura nota do ministro e dos comandantes das quatro Forças Armadas (Aeronáutica, Exército e Marinha) ao presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM). O texto foi interpretado pelos senadores como uma nota a toda a CPI, diante das apurações envolvendo militares.

“O ministro da Defesa, Braga Netto, deve ter muito receio dos contatos, das tratativas, do que ele fez na condição de ministro da Casa Civil. E isso pode ser a base da tentativa de intimidar esta comissão, para que esta comissão não solicite, por exemplo, a comunicação interna dele com os demais ministros da Esplanada, para que a gente possa avaliar como ele se conduziu no combate à Covid-19. Talvez esse seja, no fundo, no fundo, o medo dele. Talvez essa seja a causa maior para uma nota que, em nome de se proteger, coloca expostas as nossas Forças Armadas. Expõe uma instituição que vinha num crescendo de credibilidade na sociedade”, disse.

Na última semana, o presidente Omar Aziz disse que “os bons” militares devem estar envergonhados dos “membros do lado podre das Forças Armadas” que “estão envolvidos com falcatrua dentro do governo”. Depois de ser alertado por colegas, o senador afirmou que não estava generalizando e ressaltou, por exemplo, o trabalho das Forças Armadas em seu estado natal. Em resposta, o Ministério da Defesa e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica emitiram uma dura nota, na qual advertiram que “não aceitarão qualquer ataque leviano”.

Nos bastidores, os senadores receberam a nota como uma ameaça a toda a comissão, que, em meio às apurações de possíveis irregularidades nas negociações de vacina contra covid-19, tem se aproximado cada vez mais de nomes de militares. Estão na mira fardados que já atuaram no Ministério da Saúde, chefiado durante a maior parte da pandemia por Pazuello, e na Casa Civil, como o próprio signatário da nota, Braga Netto.

Ministro da Defesa pode ser convocado
Há senador na CPI que diz que a comissão já tem motivo para convocar o ministro da Defesa há tempos, tendo em vista que boa parte do que está sendo apurado pela comissão em relação à pandemia ocorreu durante o período em que ele era ministro da Casa Civil e coordenador do Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19 - um "gabinete de crise" criado pelo governo para articular e monitorar as ações interministeriais de enfrentamento à pandemia.

“No dia em que esta Casa ou qualquer Parlamentar se acovardar, a gente começa a desmoronar a nossa frágil democracia (...) Nós precisamos saber até onde vai essa sanha autoritária que tem conduzido o país. Nós precisamos fazer o teste, a prova dos nove da nossa democracia, da nossa institucionalidade democrática”, afirmou Rogério Carvalho.

Dossiê
 
Além disso, circula na comissão que o ex-diretor do Departamento de Logística (DLOG) do Ministério da Saúde Roberto Dias, que depôs à CPI na última quinta-feira (e foi preso por ordem do presidente Omar Aziz), teria um dossiê que comprometeria pessoas da Casa Civil, inclusive Braga Netto.

A existência do suposto dossiê foi levantada pelo próprio presidente da CPI no dia do depoimento de Roberto Dias e é desconhecida pelos demais senadores. 

“O senhor sabe que o senhor fez um dossiê para se proteger. Eu estou afirmando, eu não estou achando. Nós sabemos onde está esse dossiê e com quem está. Não vou citar nomes para que a gente não possa atrapalhar as investigações. O senhor recebeu várias ordens da Casa Civil por e-mail, lhe pedindo para atender... Era ‘gente nossa’, ‘essa pessoa é nossa’. Não foi agora, não. Isso foi durante o tempo todo em que vossa excelência estava nesse cargo. Estou tentando ajudá-lo, porque, do nada, criaram uma situação pra você", afirmou, enquanto cobrava respostas de Dias.
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