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Notícia de Política

ENTREVISTA

Kassab aposta no estilo pacificador de Rodrigo Pacheco para Eleições de 2022

Publicado em: 22/07/2021 08:09

Kassab: "Estamos há muitos anos vivendo uma guerra política no Brasil. Quem ganha as eleições quer acabar com seu adversário, quem perde as eleições torce para que o Brasil vá mal" (Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Kassab: "Estamos há muitos anos vivendo uma guerra política no Brasil. Quem ganha as eleições quer acabar com seu adversário, quem perde as eleições torce para que o Brasil vá mal" (Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O Brasil quer sair da polarização política, acredita Gilberto Kassab. Por essa razão, o presidente do PSD tem trabalhado, em todo o país, em favor de candidaturas própria da legenda. É um esforço para construir uma alternativa ao debate extremista que tem dominado a vida nacional. Nesse sentido, Kassab conta com um personagem considerado fundamental: Rodrigo Pacheco, recém-eleito presidente do Senado Federal. “Ele é o melhor perfil para o Brasil neste momento”, resume o pesedista. O estilo pacificador, a formação moral e profissional constituem, no entender de Kassab, alguns atributos que credenciam Pacheco a rivalizar com Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva na caminhado ao Palácio do Planalto. O senador ainda não se pronunciou sobre os planos para 2022.

Na entrevista ao programa CB.Poder, uma realização do Correio Braziliense e da TV Brasília, Kassab avalia “com muito entusiasmo” as críticas de Bolsonaro e Lula à terceira via. “No fundo, a tradução correta é, ao invés de menosprezo, preocupação. Eles têm muita preocupação com a terceira via há anos, e acho que eles têm toda a razão de ter preocupação. Efetivamente, o Brasil quer uma alternativa”, afirma Kassab. Leia, a seguir os principais trechos da entrevista.

Em entrevista ao Estado de Minas, o senhor disse que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, é o Plano A, B, e C para concorrer à presidência da República. O que leva o senhor a ter tanta certeza que Pacheco será o candidato da terceira via?
Quase 30 anos de vida pública nos dão experiência. Quando você responde que existe um plano A, é porque existe um plano B e C. Esta é uma pergunta tradicional, quando os jornalistas querem saber quais são as outras intenções. Como nós só estamos trabalhando com a hipótese de uma candidatura própria, o PSD se preparou, nos últimos dois anos, estruturando o partido com candidaturas a governador, com chapas com candidatos a deputado federal, estadual, senadores. Era lógico, como resultado desse trabalho, que deveríamos ter um candidato a presidente. E tenho dito que (ele é) o melhor perfil para o Brasil neste momento.

Por quê?
Os ânimos vivem muitos acirrados, estamos há muitos anos vivendo uma guerra política no Brasil. Quem ganha as eleições quer acabar com seu adversário, quem perde as eleições torce para que o Brasil vá mal, quanto pior melhor. O empossado indo mal, ele pode voltar. A democracia pressupõe justamente o contrário. Ao fim das eleições, temos todos que dar as mãos para torcer e trabalhar por um Brasil melhor. Isso não significa que quem perdeu as eleições vai integrar a base do governo, mas vai fiscalizar, cabe ao perdedor. Não é trabalhar contra o Brasil, mas sim fiscalizar quem ganhou, aplaudir os acertos, denunciar os erros, mostrar as diferenças. O Rodrigo Pacheco mostrou que tem essa vocação para a pacificação, como bom menino que é, ele tem o perfil adequado para que a gente possa superar esse momento muito triste.

Ele já disse sim à sua proposta?
O Rodrigo é jovem, portanto, ele pode expressar esse sentimento que todos querem, de renovação na política brasileira. Ele é um advogado muito bem sucedido, um dos principais advogados do país. Alguns anos atrás, resolveu deixar a advocacia e ingressar na vida pública, ingressou saindo candidato a deputado federal por Minas Gerais, em uma eleição muito difícil, e na primeira tentativa se elegeu. Chegou à Câmara dos Deputados, ocupa o segundo cargo na Câmara, um cargo dificílimo, que é a presidência da Comissão de Constituição e Justiça. Foi muito bem. Foi tão bem ao longo dos quatro anos de mandato como deputado federal e teve a candidatura ao Senado lançada por Minas Gerais. Elegeu-se bem, ficando em primeiro lugar. Chegando ao Senado, elege-se presidente da Casa, presidente do Congresso Nacional. Portanto hoje é um chefe de Poder, mostrando que tem talento para a política. Tem vocação para a vida pública, associada à boa imagem, a uma boa formação moral, uma boa conduta ética, boa formação profissional. Então tem todos os predicados que um candidato deve ter. Essa é a razão de o PSD estar abraçando a sua eventual candidatura e o convidando para que seja esse candidato.


Qual o prazo para ele confirmar?
Entendo que ainda é muito cedo para ele se manifestar, porque ele é presidente do Senado. Tem o compromisso de fazer a gestão do Senado, essa deve ser a prioridade dele, sim. Existe algum tempinho neste ano, muito possivelmente. Ele terá condições de manifestar a sua posição. Não tenho dúvida nenhuma de que ele vai entender a importância da sua contribuição para o Brasil, emprestando seu nome para a candidatura que tem tudo para ser vitoriosa.

Acha que a gestão da pandemia já tirou o presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, de um segundo turno?
Não vou dizer que é a questão da pandemia em si. Para ser lógico e coerente, se eu acredito que o Rodrigo Pacheco é o melhor candidato que o Brasil pode ter hoje para disputar as eleições, que seria um grande presidente por conta do seu perfil de reunir o país, é porque eu acredito que dos dois, pelo menos um estará fora do segundo turno. Acredito que tenha grandes chances de o presidente Bolsonaro não estar no segundo turno.

Tanto Lula quanto Bolsonaro criticaram a terceira via, o surgimento de um candidato de centro. Como vê essas críticas?
Todos nós temos uma rede de comunicação, de relações muito amplas, os famosos grupos de WhatsApp e de outras redes. Posso dizer que a manifestação tanto do presidente Lula quanto de Bolsonaro encheu, a todos nós, de muito entusiasmo. Qualquer analista mediano, quando vê esse menosprezo que ambos tiveram pela terceira via, considera evidente: no fundo, a tradução correta é, ao invés de menosprezo, é preocupação. Eles têm muita preocupação com a terceira via há anos, e acho que eles têm toda a razão de ter preocupação. Efetivamente, o Brasil quer uma alternativa, o Brasil quer fugir desse enfrentamento, dessa guerra política, dessa torcida da parte dos adversários para que o país vá mal e dessa posição de governo que querem amassar, querem enfrentar, querem aniquilar os adversários. A preocupação deles faz sentido porque a terceira via vai se fortalecer muito nesse processo eleitoral.

Se saírem muitos candidatos nessa terceira via, ela pode se pulverizar a ponto de não chegar ao segundo turno. O senhor não tem essa preocupação?
Lá na frente haverá uma convergência, mas uma convergência natural. Na política não há datas, mas, com certeza absoluta, vai acontecer essa convergência. A naturalidade na política é o melhor caminho. A candidatura de proveta, nascida em gabinete, nunca deu certo no Brasil. Tenho certeza de que a naturalidade levará a todos nós a estarmos juntos.

O senhor vê o Democratas, de ACM Neto, apoiando Rodrigo Pacheco lá na frente?
A questão, posta de uma maneira muito respeitosa, não é em relação a partido. É que o PSD vai ter uma candidatura. O que nos animou a fazer o convite ao Rodrigo foi a certeza de que a candidatura del cai muito bem na nossa rede de candidaturas locais. O Rodrigo Pacheco está muito integrado ao PSD, seria muito bem-vindo, muito bem acolhido, uma candidatura fortíssima. Essas reflexões, fazemos com total transparência, com muito respeito, porque a política, antes de mais nada, precisa ser conduzida com esse respeito.

Como vê a discussão do voto impresso no Congresso?
Sou radicalmente contra. Respeito as pessoas de boa-fé que defendem o voto impresso porque – é importante que todos saibam -- o voto impresso não é a volta da cédula. Na verdade, é a duplicidade na apuração. Ou seja, uma apuração eletrônica e uma apuração humana. Essa apuração humana, quando tiver discordância, vai ser o caos. E a discordância sempre será fruto da apuração humana. É só perguntar a qualquer caixa de banco se, ao final do dia, quando ele foi fechar o caixa, não houve discrepância entre o apurado manualmente e o eletrônico. Vira e mexe acontece, porque é um recurso a mais que o caixa deu para uma pessoa ou um a menos que ele deixou de receber. Há essa discrepância.

A urna eletrônica é 100% confiável?
Acompanhei, nesses 25 anos, parte desses anos como ministro da Ciência e Tecnologia, diversas auditorias realizadas pelas mais importantes empresas brasileiras e internacionais, que nunca testaram nenhuma vulnerabilidade. A urna é à prova de fraude. É importante dizer que existem pessoas de má fé, que querem a duplicidade para que se crie um cenário de eleições fraudadas, de que é muito fácil promover a discrepância em alguma urna. Fraude havia no passado, quando a apuração era manual, com cédulas de papel, que passavam de mão em mão, montinho de cédulas sendo trocado. Eram fraudes e mais fraudes denunciadas e todas comprovadas.

O presidente Bolsonaro disse que vai apresentar provas de que houve fraude nas eleições de 2014. Como vê essa posição do presidente? Ele pode estar planejando alguma coisa diferente mais à frente?
Eu duvido. É blefe do presidente. Qualquer um que aparecer mostrando que há fraude deve ser algum picareta. Eu acompanhei várias auditorias. As urnas são auditáveis, e nunca foi comprovado e não será comprovada. O presidente falou isso há dois dias, fez a mesma afirmação há um mês, há dois meses. Nunca apareceu nem vai aparecer, porque a apuração é à prova de fraude. Nunca foi comprovado, e a tendência é que não seja daqui para frente. Temos uma tecnologia aperfeiçoada, as auditorias estão muito mais bem realizadas, o sistema é admirado no mundo inteiro.
 
* Estagiário sob supervisão de Carlos Alexandre de Souza 
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