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Notícia de Política

ENTRE A CRUZ E ESPADA

Dividido entre PT e PDT, PSB poderá lançar candidatura própria ao Palácio do Planalto

Publicado em: 15/07/2021 10:44

 (Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
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Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
Período de seis meses solicitados pelo PSB para decidir quem apoiará nas eleições presidenciais é visto como "compra de tempo" por aliados e até mesmo socialistas. O pedido chegou após a visita do dirigente nacional do PDT, Carlos Lupi, ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara, que é vice-dirigente nacional do PSB. 

Nos bastidores socialista, não se fala em outra coisa a não ser a sigla surgir com algum nome para representá-la e dar uma "fugida" desse impasse entre PT e PDT. Isso, inclusive, conforme vaticinou um líder socialista à reportagem "comparará tempo" e tira "da reta" uma possível ruptura entre socialistas e pedetistas. Afinal, a prefeitura do Recife é composta por PSB e PDT. E não para aí. Há petistas que ocupam cargos na gestão Estadual. Tudo fruto de costuras.

Há, dentro do ninho socialista, quem defenda um outsider. Mas, tem quem já aposte em quem recém-chegou ao PSB, a exemplo do governador do Maranhão Flávio Dino. "Ele teve uma projeção muito boa com a gestão e a forma de lidar com a Pandemia no Maranhão", reforça uma fonte socialista em reserva. 

"Há quem queira apostar em outros nomes que ainda não estão definidos. Molon, por exemplo, pode ser uma aposta. Ainda estamos vendo como isso deve funcionar", destacou outro socialista. Com isso de tentar sair com nome próprio, segundo aliado faz questão de assinalar, a situação do PSB pode ser mais "facilitada e menos dolorida". Ele se refere ao fato do partido precisar definir quem deve apoiar. 

Contudo, a possibilidade de apoiar Ciro Gomes (PDT) vem ganhando forças dentro do partido. Assunta-se que um importante responsável por essa decisão seja o prefeito do Recife, João Campos (PSB). "Ele (João) é quem está fazendo com que o caminho para o PDT fique mais curto que o do PT", revela outro socialista. Mas isso, segundo ponderou, deverá ser decidido mais à frente. A visita do ex-presidente Lula (PT) poderá mudar os rumos. Ela, inclusive, está marcada para acontecer entre o final de julho e início de agosto. Quem está responsável por essa agenda no Recife é o senador Humberto Costa (PT).

Almoço com o PDT

 (Helia Scheppa / SEI)
Helia Scheppa / SEI


Carlos Lupi, dirigente nacional do PDT reuniu-se, na última semana, com o governador Paulo Câmara (PSB), que é vice-dirigente da sigla, para regar o campo do apoio à candidatura de Ciro Gomes (PDT) ao Palácio do Planalto. Entre as pautas, além do apoio ao presidenciável da sigla, a unidade entre as legendas em Pernambuco e a importância do PDT na composição da Frente Popular de Pernambuco, liderada pelo PSB.

Estiveram presentes no almoço, além de Lupi (PDT) e Câmara (PSB), os dirigentes estadual e municipal da sigla, os dirigentes estadual e municipal do PDT, deputado Wolney Queiroz e Fábio Fiorenzano e a vice-prefeita do Recife, Isabella de Roldão. Sobre a participação de Wolney, vale trazer à tona o que disse, há pouco tempo, ao Diario. É sabido que o PSB e o PT estão tentando reatar a aliança no estado, tanto que se sabe que até cargo na gestão estadual algumas pessoas ligadas à sigla voltaram a ocupar. Sobre isso, Wolney assinalou ao Diario que “Se o PSB quiser marchar com o PT, estaremos em outro palanque”. Inclusive, a fala de Wolney é vista pelo deputado estadual Tadeu Alencar (PSB) como algo “precipitado”. 


Ensaio de retorno é antigo

O PT e o PSB ensaiam um retorno de alianças desde quando a eleição municipal do Recife em 2020 foi encerrada. Eleições essas que deixaram algumas relações estremecidas. Petistas, inclusive, deixaram cargos que ocupavam nas gestões municipal e estadual. Passados movimentos, pessoas ligadas ao PT voltaram a ocupar cargos na gestão do PSB, desta vez, unicamente na gestão de Paulo Câmara (PSB). Já na gestão João Campos (PSB), o prefeito mantém o que prometeu durante a sua eleição: "não ter ninguém do PT em seu governo". Afinal, parte de sua campanha no segundo turno foi no tom antipetista. Apesar disso, há quem diga que ele "goste do Lula". 

Publicamente, representantes políticos confirmam possível aliança. A novidade movimenta tanto os cenários nacional quanto o local. Em Pernambuco, por exemplo, a possibilidade da união “em prol de um bem comum” guia o reatar de alianças entre as duas forças políticas - que dominam o Norte e o Nordeste. Os olhos seguem fitados para 2022. De malas prontas para voltar ao PT, o ex-prefeito do Recife e deputado estadual João Paulo (PCdoB) é um adepto da aliança entre PT e PSB. Em recente entrevista à Rádio Clube assinalou que por mais que o PSB tenha "mal tratado o PT", eles sempre serão aliados. 

Representantes das legendas não descartaram o reatar de laços para 2022. Tudo isso, segundo apontam especialistas, vem do “efeito Lula” e da importância que a maior liderança petista possui no Brasil e a força que mantém no Nordeste. O deputado federal Milton Coelho (PSB) não descarta aliança com o PT, destaca que o que aconteceu em 2020 ficou pra história e reforça a máxima de uma unidade para 2022. “As eleições para prefeito já passaram. Nós temos que ter capacidade de virar a página para conseguir ler o livro. A eleição de 2020 é parte da história agora. Temos que olhar para frente, o que fazer e de agora por diante. Não está descartado o diálogo com nenhuma força política. Desde que esteja disposta a construir uma unidade programática para tirar o Brasil da crise política, institucional, econômica e social que se encontra”, destacou em recente entrevista ao Diario de Pernambuco. 

A mesma máxima é defendida pelo deputado federal Carlos Veras (PT). O petista, inclusive, não tece críticas à possível volta da aliança entre as siglas. “... o futuro em 2022 será novamente decidido pela direção nacional do PT. Construindo todo o processo, inclusive, em torno da candidatura à presidência do ex-presidente Lula. As conversas e se a gente vai ter uma candidatura própria em Pernambuco, que temos muitos quadros, como o senador Humberto Costa, a deputada Marília Arraes, vai depender desse processo de construir em nível nacional.
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