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Notícia de Política

CPI DA COVID

Depoimento de vendedor de vacinas reforça suspeitas de corrupção

Publicado em: 02/07/2021 07:40

 (Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado)
Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado
A confusão provocada na CPI da Covid com o depoimento de Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply, foi avaliada por senadores como uma forma de tumultuar os trabalhos da comissão e desviar o foco da denúncia de corrupção que envolve o governo. Apesar de parlamentares verem o depoente como “plantado” pelo Executivo para fazer acusações inverídicas, eles avaliam que a oitiva confirmou a suspeita de cobrança de propina, dentro do Ministério da Saúde, na compra de vacinas contra o novo coronavírus.

Dominguetti confirmou as declarações dadas à Folha de S. Paulo de que o então diretor do Departamento de Logística (DLOG) do Ministério da Saúde, Roberto Dias, cobrou propina de US$ 1 por dose para fechar contrato de 400 milhões de unidades da AstraZeneca que o representante comercial tentava vender à pasta. De acordo com ele, o pedido ilegal foi feito em 25 de fevereiro, num encontro num shopping com Dias e mais duas pessoas, que seriam o ex-assessor do departamento Marcelo Blanco e o coronel Alexandre Martinelli, ex-subsecretário de Assuntos Administrativos do Ministério da Saúde. Dominguetti reconheceu o militar numa foto mostrada na CPI, mas disse que precisaria vê-lo pessoalmente para ter certeza. Martinelli, por sua vez, nega que tenha participado dessa reunião.

A confusão ocorreu quando Dominguetti afirmou que o deputado Luis Miranda (DEM-DF) tentou negociar a compra de vacinas com a Davati. Foi o parlamentar e o irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, que denunciaram suspeita de superfaturamento na compra, pela pasta, de 200 milhões de doses da Covaxin, ao custo de R$ 1,6 bilhão.

Para tentar comprovar sua declaração, Dominguetti mostrou áudio de uma conversa em que Miranda supostamente tentava negociar imunizantes e dizia ter um comprador “com potencial de pagamento instantâneo”. A mensagem teria sido enviada pelo deputado a Cristiano Alberto Carvalho, representante no Brasil da Davati. O áudio teria sido enviado a Dominguetti por Cristiano. “O comentário do Cristiano foi: ele está lá fazendo denúncia, mas aqui faz o inverso”, relatou o depoente. Pouco depois, Miranda, que estava na Câmara, foi à CPI furioso para desmentir a versão, e houve bate-boca (leia reportagem abaixo).

O áudio, entretanto, não tratava de vacina. Dominguetti foi rapidamente contestado e voltou atrás. Afirmou que não poderia dizer sobre qual produto Miranda estava se referindo e admitiu ter sido induzido ao erro. Ele recebeu apoio do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). “Minha avaliação é de que em momento algum ele mente. Pode ter sido usado pelo Cristiano, que foi procurado pela repórter (da Folha), sabia da história, mas não fala e o mandou falar. Outra coisa: ele passou um áudio pela metade. Foi induzido ao erro”, enfatizou. Aziz negou pedidos feitos por senadores para dar ordem de prisão ao depoente por mentir.
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