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Chanceler ligou para embaixador chinês após fala de Guedes sobre China

Publicado em: 28/04/2021 13:30

Carlos França agiu rapidamente para tentar conter os estragos das falas do ministro da Economia na terça-feira (27). China é principal parceiro do Brasil em importação de vacinas e insumos para os imunizantes
 (crédito: Marcos Corrêa/PR)
Carlos França agiu rapidamente para tentar conter os estragos das falas do ministro da Economia na terça-feira (27). China é principal parceiro do Brasil em importação de vacinas e insumos para os imunizantes (crédito: Marcos Corrêa/PR)
O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, revelou nesta quarta-feira (28) que ligou para o embaixador chinês no Brasil, Yan Wanming. A conversa ocorreu um dia após o ministro Paulo Guedes disparar contra o país asiático dizendo que a China "inventou o vírus" e que, mesmo assim, teria uma vacina menos eficaz que os Estados Unidos.

"Em conversa telefônica com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Yang Wanming, fiz dois pedidos: que (a China) apoiasse a aquisição pelo Brasil de 30 milhões de doses da vacina da Sinopharm, para entrega ainda no segundo trimestre deste ano; e que nos auxiliasse no fornecimento de IFAs (Ingredientes Farmacêuticos Ativos) com vistas à produção no Brasil de um total de 60 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca", disse o ministro, em discurso na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Ele defendeu que a China é um grande parceiro e afirmou que o embaixador comprometeu-se a fazer tudo o que estivesse a seu alcance para cooperar. "Reservará e fornecerá ao Brasil, o quanto antes, quota maior de IFAs para a produção da vacina Oxford-AstraZeneca. Ressaltou, na ocasião, que abril seria mês crítico na China, e que precisam acelerar a vacinação interna. Mas afiançou que, em maio e junho, haverá grande aumento da produção de IFAs naquele país", detalhou.

Em seu perfil no Twitter, o embaixador Yang Wanming confirmou a conversa e disse que o objetivo da conversa foi fortalecer a parceria por mais vacinas. "Nesta manhã, conversei, por telefone, com o Chanceler brasileiro Sr. França. Concordamos em reforçar ainda mais a confiança política mútua num ambiente sadio e amigável, implementar os consensos entre os chanceleres, e continuar a nossa parceira de vacinas", disse ele, ao publicar uma foto de 2019 em que aparece ao lado de França.

Logo após a fala de Guedes, na terça-feira (27), Wanming chegou a responder às críticas, sem citar o ministro: "Até o momento, a China é o principal fornecedor das vacinas e dos insumos ao Brasil, e respondem por 95% do total recebido pelo Brasil e são suficientes para cobrir 60% dos grupos prioritários na fase emergencial. A CoronaVac representa 84% das vacinas aplicadas no Brasil", disse ele no Twitter.
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