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Notícia de Política

SALVADOR

Além de Bia Kicis, outros deputados bolsonaristas apoiam motim de PMs na BA

Publicado em: 29/03/2021 13:44

Militar Wesley Soares Góes foi morto na Bahia após disparar contra policiais (Foto: Reprodução/Twitter)
Militar Wesley Soares Góes foi morto na Bahia após disparar contra policiais (Foto: Reprodução/Twitter)
Não é só a deputada Bia Kicis (PSL/DF) que está tentando capitalizar com a morte do militar Wesley Soares Góes, ocorrida na tarde de domingo (28), após sofrer um surto psicótico, na região do Farol da Barra, em Salvador, na Bahia.

Vários perfis bolsonaristas na redes sociais aproveitaram para insuflar um motim contra o governador  baiano Rui Costa (PT).

O oportunismo ocorre após as manifestações de PMs registradas ainda na noite desse domingo (28)em protesto pela morte do soldado. A partir dos protestos, bolsonaristas passaram a  estimular um motim dos militares baianos.

Para tanto, as hashtags  #Surtou e #RuiCostaGenocida estiveram entre os assuntos mais comentados do Twitter na manhã desta segunda-feira (29).

Bia Kicis foi uma das primeiras bolsonaristas  a se manifestar. “Soldado da PM da Bahia abatido por seus companheiros". A parlamentar compartilhou um vídeo em que Wesley Góes aparece momentos antes de iniciar os disparos para o alto. Mais tarde, acabou apagando a publicação. 

Reação em cadeia
Assim como a parlamentar fez no domingo, bolsonaristas  têm divulgado a narrativa de o PM, que trabalhava na 72ª CIPM, teria sido abatido pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) após se recusar a obedecer ordens do governador do Estado.

A versão contraria a apresentada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), de que o policial foi baleado após disparar com fuzil contra guarnições do Bope.

O deputado estadual Soldado Prisco (PSC), que pelas redes sociais disse que “a hora de parar é agora”, convocou os militares para realizarem assembleias e manifestações nesta segunda-feira, 29.
 
“Mataram um policial, mataram um trabalhador. Até quando vocês vão aceitar isso? Mataram o policial, mataram. Vamos parar esse c******, a hora de parar é agora, eu convoco vocês”, disse. Em outro vídeo, o parlamentar bolsonarista chamou grupos de apoio ao presidente dentro da PM para iniciar manifestações, nesta segunda-feira (29)  

“Policiais militares, Salvador e região metropolitana, amanhã, às 9h, no Farol da Barra, nós vamos lá fazer uma manifestação pacífica e ordeira em nome do nosso irmão, soldado Wesley. E o interior do estado, escolham um lugar para às 9h da manhã, todos vocês fazerem a mesma assembleia em conjunto”, convocou. O deputado federal Daniel Silveira (PSL) compartilhou o vídeo do baiano.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) compartilhou o mesmo vídeo e afirmou que “aos vocacionados em combater o crime, prender trabalhador é a maior punição”, escreveu. “Esse sistema ditatorial vai mudar. Protestos pipocam pelo mundo e a imprensa já não consegue abafar. Estão brincando de democracia achando que o povo é otário. Que Deus conforte os familiares do PM-BA”, disse o filho do presidente Jair Bolsonaro. 

O deputado José Medeiros (Podemos-MT) publicou nas redes sociais uma imagem do governador Rui Costa com as mãos sujas de sangue. “Esse é governador da Bahia, do PT. Quem imaginaria que um soldado da PM baiana iria dar o brado preso na garganta dos trabalhadores brasileiros e pagaria com a vida esse ato de coragem”, comentou na legenda.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) também compartilhou o vídeo de Wesley. “Sinto muito a morte do PMBA. É muito difícil aguentar tanta pressão”, escreveu a parlamentar no Twitter.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, engrossou o coro de bolsonaristas que usaram as redes sociais para relacionar a morte do PM com insubordinação às ordens do governador. “Soldado Wesley Soares Góes, um patriota da Bahia que não aceitou cumprir as ordens do petista Rui Costa, foi executado. Minha homenagem a esse guerreiro brasileiro”, tuitou o ex-deputado federal.

Incitação a motim é crime
O advogado criminalista Davi Tangerino, ouvido pelo  jornal o "Estado de S.Paulo",  sustenta que Bia Kicis cometeu crime ao incitar que a PM descumpra ordens do governador Rui Costa.

“É espantoso que a presidente da CCJ estimule a aplauda sublevação da polícia, minando o federalismo, agudizando a pandemia. Se não é quebra de decoro, nada mais será”, disse.
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