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Notícia de Política

Eleições

Fazer política é o menor dos desafios

Precisando vencer batalhas diárias nas ruas do Recife, pessoas com deficiência começam a ingressar na política em busca de inclusão na sociedade

Publicado em: 06/11/2020 11:34

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação

 

O número de brasileiros que possuem alguma dificuldade para ver, ouvir, se movimentar ou algum tipo de incapacidade mental, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2010, é de quase 46 milhões de pessoas, ou seja, cerca de 24% da população. A inclusão dessas pessoas na sociedade é necessária. Rapidamente. E as eleições municipais que se aproximam revelam que isso é possível.

Mesmo ainda se tratando de uma minoria, a conquista do seu espaço nas candidaturas mostra o aumento da representação na agenda política nacional. Como no caso de Marília Lordsleem de Mendonça, que, aos 26 anos, vai tentar uma vaga na Câmara Municipal do Recife pelo PSC. Marília é cega. Ela nasceu prematura, com cinco meses, e teve complicações no parto. Ela relata que os desafios encontrados não são exatamente por ser uma pessoa com deficiência, mas sim pela deficiência da sociedade.

“Por exemplo, existem obras que foram feitas recentemente aqui na cidade que não contemplam a acessibilidade ou até contemplam, só que de forma errada”, destaca Marília. Para ela, a falta de comunicação está bastante presente, citando como exemplo os cartazes postos nas ruas. “Não temos acesso à mensagem transmitida nestes cartazes, pois não estão em braile e nem em áudio”, ressalta.

Iremar Júnior, candidato a vereador pelo PCdoB é deficiente físico e luta pela conquista do mandato. Ele tem a deficiência desde que nasceu e possui dificuldade de locomoção e também de fala. Iremar, que também é sociólogo, trabalha com políticas públicas diretamente voltadas ao público das pessoas com deficiência.

“Existe uma distância social entre as pessoas que têm deficiência e as que não têm”, disse Iremar sobre a sua motivação inicial de entrar para o mundo da política, tendo o objetivo de diminuir esta distância social. “O mundo tem que ser para todo mundo”, acrescenta. Iremar acredita que a inclusão de um representante legitimamente com deficiência no município é essencial. “A gente não tem uma pessoa com deficiência para representar o nosso segmento. Sentimos na pele o que é ir aos postos médicos e não poder ser atendido adequadamente e as dificuldades de utilizar o transporte público, por exemplo”.

Fábio Mota, candidato a vereador pelo PCdoB, é surdo desde seu primeiro ano de vida. Ele afirma que as barreiras linguísticas para pessoas surdas sempre foram fortes e são até os dias atuais e que o fato de ocupar um espaço político é considerado uma grande conquista.

“Sempre gostei de política e de lutar pelos direitos das pessoas com deficiência, e agora surgiu esta oportunidade. Estou cansado de ver candidatos fazerem promessas durante as campanhas e depois sumirem sem realizá-las”, desabafou Fábio, afirmando ser o primeiro surdo do Partido Comunista do Brasil.

Projeto Eficientes

Há uma organização de jornalismo independente, criada pela jornalista Larissa Pontes e o jornalista e pessoa com deficiência Marconi Barkokebas, que tem o objetivo de abordar a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. Neste ano de eleições, os jornalistas iniciaram uma série de lives, nomeada Política Eficiente, com candidatos a vereador e a prefeito do Recife.

Análise

Segundo a cientista política Priscila Lapa, a representação das diversidades começa na base. “É na câmera municipal que serão aprovados projetos que interferem diretamente no dia a dia do cidadão, com leis básicas de acessibilidade, espaço no mercado de trabalho, entre outros pontos. Isso tudo se faz com legislação. Quanto mais próximo o legislador está da realidade, mais condições ele terá de contribuir com as ações”, destacou.

De acordo com a socióloga Vera Borges de Sá, um longo movimento de mudança precisa ser feito na sociedade. “A gente tem que se preparar, enquanto cidadão para que não estranhemos a ocasião de um sujeito com deficiência física ocupar espaços políticos. Independentemente das suas condições físicas, ele pode possuir papéis de destaque do ponto de vista público e representar dignamente a sociedade.”

 

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