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"Acontece até de o índio trocar uma tora por cerveja", diz Bolsonaro

Publicado em: 19/11/2020 21:40 | Atualizado em: 19/11/2020 21:40

 (Foto: Facebook/ Reprodução)
Foto: Facebook/ Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro voltou a falar sobre a questão do desmatamento da Amazônia na live desta quinta-feira (19/11). Ao lado do superintendente regional da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Silva Saraiva, o presidente criticou outras países que acusam o Brasil de não cuidar do meio ambiente. "Países hoje nos criticam, em algumas oportunidades até com razão, em outras não", afirmou. 

Bolsonaro também voltou a colocar a culpa pelo desmatamento na Amazônia nos índios. Ele afirmou que em alguns locais da Amazônia, indígenas trocam ‘tora” de madeira por coca-cola e cerveja. "Existe o desmatamento ilegal? Existe. Eu acho que existe até, [Alexandre] Saraiva [delegado e superintendente da PF no Amazonas], em alguns locais, onde o índio por exemplo troca uma tora com uma Coca-Cola ou com uma cerveja. É possível? Acontece isso ou é próximo disso?”, questionou.

“Já aconteceu da madeira em terra indígena ser negociada por valores pífios, na terra indígena e por indígenas. Existe isso”, rebateu Saraiva. “Mas a grande causa do desmatamento é a fraude nos processos administrativos que foram gerados lá atrás. O desmatamento de hoje vem de processos administrativos que autorizaram que vêm lá de 2010. Então não temos desmatamento atrelado a processos recentes, mas a antigos. Mas o ano recorde foi 2018, e 2017 também foi muito forte”, ressaltou o delegado.

O presidente começou criticando o projeto do Reino Unido que pretende proibir a compra pelo país de commodities que apresentam "risco florestal". Dessa forma, as companhias serão obrigadas a fazer a rastreabilidade dos produtos para comprovar que não vieram de áreas desmatadas ilegalmente. "É um grande jogo que existe entre alguns países do mundo, em especial para nos atingir, porque nós somos realmente uma potência no agronegócio, nos commodities que vêm do campos. E eles querem exatamente é diminuir a concorrência nossa, com toda a certeza facilitando outros comércios ou até mesmo o comércio interno desses commodities. Mas não podemos esquecer que no ano que vem, em 21, na Inglaterra será realizada a Cúpula das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. Então é um cartão de visitas que a Inglaterra está apresentando, e isso vai ser feito política em cima disso, com o objetivo, em grande parte, de atingir o Brasil, porque o Brasil é o país que mais sofre com isso", afirmou. "Tem como esses países colaborarem conosco. A Amazônia é uma imensidão, é maior que Europa Ocidental toda junta, então não é fácil você tomar conta de tudo aquilo. Agora as críticas são potencializadas.", completou. 

As críticas também foram direcionadas a França. "Eu vi que tem vários países, a quantidade que são importadas anualmente, se você pegar aqui tem a França aqui também, o tipo de madeira. Se você pega um montante de ipê, por exemplo, entre vários países, aquele montante é muito superior do que é permitido extrair em reserva legal, área de manejo. Augusto [jornalista] fez diretamente [a pergunta sobre] a França porque a França é uma concorrente nosso em commodities. O grande problema nosso para a gente avançar no acordo da união europeia com Mercosul é exatamente na França. Estamos fazendo o possível, mas a França, em defesa própria, ela nos atrapalha no tocante a isso daí", afirmou. 

Na quarta-feira, o presidente tinha afirmado que falaria durante a live quais são os países que importam madeira ilegal do Brasil. Mas, recuou, e disse que tem o nome das empresas que compram a madeira ilegal. "ós temos aqui os nomes das empresas que importam isso e que países ela pertence. A gente não vai acusar o país A, B ou C de estar cometendo um crime, mas a empresa desses países, sim. E isso já tem um processo." 

Mais cedo, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que a fala de Bolsonaro tratava-se de uma lista de empresas, apesar do chefe do Executivo se referir a "países" ao falar sobre os nomes. Mourão defendeu ainda que a fala do presidente não deve criar uma crise diplomática. "Não é país, são empresas. O presidente já deixou claro que são as empresas, está muito claro isso aí. Isso é uma questão de empresas, é uma questão de cooperação internacional isso aí", afirmou a jornalistas no Palácio do Planalto.

Na última terça-feira (17), durante reunião do Brics, Bolsonaro anunciou que divulgaria os países que compram madeira ilegal proveniente da Amazônia. Ontem, disse que falaria sobre o assunto na live desta quinta-feira. "Revelaremos nos próximos dias o nome dos países que importam essa madeira ilegal nossa através da imensidão qué a região amazônica, porque daí, sim, estaremos mostrando que estes países, alguns deles que muito nos criticam, em parte têm responsabilidade nessa questão", disse.
De acordo com o presidente, o sistema desenvolvido pela Polícia Federal é capaz de rastrear o DNA das madeiras apreendidas. "Essa lista vai revelar os países que têm importado madeira de forma ilegal da Amazônia. Muitos desses países são os mais severos críticos no tocante ao meu governo. Com essa lista essa prática vai diminuir e muito", defendeu na data.

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