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Planejamento

Impeachment impediu reforma da Previdência anterior, afirma Dilma

Por: FolhaPress

Publicado em: 11/07/2019 21:52

Foto: Marcello Casal Jr/Agência  Brasil (Foto: Marcello Casal Jr/Agência  Brasil)
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou nesta quinta-feira (11) que gostaria de ter feito uma reforma da Previdência em seu governo e que iniciou um planejamento nesse sentido na ocasião, mas que o processo de impeachment a impediu de conclui-lo.

"Gostaríamos de ter feito uma reforma bem diferente dessa até porque achávamos que tínhamos que manter vários direitos adquiridos, mas também que era necessário, na medida em que nós mesmos fomos responsáveis pelo aumento da expectativa de vida no país", disse.

Ao lado da escritora espanhola Pilar del Río, Dilma visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cela em que ele é mantido na superintendência da PF em Curitiba.

A ex-presidente classificou como "estarrecedora" a liberação de emendas do governo Jair Bolsonaro (PSL) para parlamentares para viabilizar a aprovação do texto da reforma nesta quarta-feira (10). 

Questionada como ocorreria a negociação com o Congresso em seu governo, a petista afirmou que não fez e não faria essa liberação.

Para ela, há um temor de empobrecimento dos idosos brasileiros com a reforma. "O que vai acontecer agora? O que está acontecendo no Chile: aposentados que chegaram ao fim da vida de trabalho e não têm recursos suficientes para sobreviver", apontou.

Em 2016, seu último ano de mandato, a possibilidade de uma reforma no governo petista chegou a ser discutida. Na época, a então presidente declarou que "a Previdência Social precisa ser sustentável para um horizonte muito além" de seu governo.

Dilma ainda comentou os vazamentos de conversas entre procuradores da Lava Jato e o ex-juiz e atual ministro da Justiça Sergio Moro. Para ela, as mensagens deixam claro que o processo que condenou Lula foi viciado, mas que isso não representa um comprometimento de todos os casos investigados pela operação.

"Não estou dizendo que em relação a todos os réus está viciado. O que temos de dado claro é que, no caso do presidente Lula, houve uma tentativa deliberada e clara do juiz e dos procuradores no sentido de evitar que o presidente tivesse qualquer possibilidade de influenciar na eleição na qual ele era o mais votado pelas pesquisas", declarou.

Para a petista, é clara a afirmação do procurador Deltan Dallagnol de que as provas contra Lula eram frágeis e que, com a condenação posterior por Moro, houve perda de credibilidade do Judiciário brasileiro em todo o mundo.

"Um juiz que é capaz de funcionar como assessor da acusação, em outros momentos como dirigente da acusação não é um juiz isento nem parcial. Isso coloca um problema seríssimo para a Justiça brasileira que é a perda de credibilidade aos olhos não só da população, mas do mundo. Isso é inadmissível num país que se diz democrático. Estado democrático de Direito sem imparcialidade da Justiça não existe", disse.

Ela comparou ainda os vazamentos das conversas entre os procuradores e o atual ministro e os de 2016, em meio às investigações da Lava Jato. Na ocasião, Moro divulgou o áudio de uma conversa entre a então presidente e Lula, que acabava de ser nomeado para a o cargo de ministro da Casa Civil e ela pedia que ele usasse o termo de posse em caso de "necessidade".

"Foi em nome do combate à corrupção", ironizou. "O raciocínio é uma bomba atômica em cima do sistema de Justiça desse país", continuou. 
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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