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'Deu polêmica', diz ministro Ramos sobre eventual indicação de Eduardo Bolsonaro

Publicado em: 12/07/2019 11:50

Antonio Cruz/Agência Brasil
O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, avalia que a intenção do presidente Jair Bolsonaro de indicar um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), como novo embaixador dos Estados Unidos causou polêmica e poderia ter sido comunicada na próxima semana, após a votação em primeiro turno da Reforma da Previdência no plenário da Câmara. 

"Deu polêmica, reconheço, saiu na imprensa. Agora vamos aguardar. Poderia ter anunciado na semana que vem? Talvez, durante o recesso parlamentar", disse o ministro durante café da manhã com jornalistas, nesta sexta-feira (12), no Palácio do Planalto.

Ramos afirmou que a declaração do presidente "deu margem" para que oposicionistas usassem a possível indicação de Eduardo durante o processo de votações dos destaques da reforma, que entrou pela madrugada e ainda não foi concluído. "Eu assisti até de madrugada a votação na GloboNews e na TV Câmara e citaram a nomeação. Deu margem para o pessoal falar", considerou.

Apesar da avaliação, Ramos disse que o presidente Jair Bolsonaro "tem esses momentos", lembrando da promessa não cumprida de transferir a Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém. "O presidente tem esses momentos. Ele não disse da embaixada em Jerusalém? Deu a maior confusão. E ela (a embaixada) está onde hoje? Em Tel Aviv", declarou Ramos.

O ministro afirmou que soube da possível indicação pela imprensa e que não faz juízo de valor sobre o assunto. Também defendeu que o presidente tem direito de manifestar esse tipo de intenção e que a eventual decisão "não contraria a lei", pois já houve outras indicações políticas. "Não tenho juízo de valor para dizer se concordo ou discordo. Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos. Se for confirmado, Eduardo é um jovem preparado e de valor."

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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