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Opinião
Doutora Carolina Maria de Jesus

Raimundo Carrero
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 01/03/2021 03:00 Atualizado em: 01/03/2021 06:16

Ela era negra, miserável, catadora de lixo, escritora, três livros publicados, quarto de despejos, provérbios, pedaços de fome, três filhos, agora é doutora  Carolina Maria de Jesus, doutora honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, título póstumo, quarenta anos depois de sua morte. Somente reconhecida agora pela sua luta antirracial, conforme anúncio da Assessoria de Imprensa da instituição.

A honraria é concedida independentemente do grau educacional do homenageado, considerando a sua contribuição em área de decisiva importância do país. Carolina foi um fenômeno editorial da década de 1960 quanado a Editora O Cruzeiro, do grupo Diários Associados, publicou seu livro Quarto de Despejo, onde escreveu o dia-a-dia de uma favelada catadora de lixo para sobreviver com as filhas.

A publicação se deu por indicação do jornalista Audálio Dantas, mais tarde presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, com intensa atividade no movimento das diretas já, mas falecido no  ano passado, vítima de infarto. Na época, Audálio era repórter da Revista Cruzeiro, responsável pela cobertura jornalística das favelas.

Um livro comovente e angustiante que, imediatamente, vendeu milhares de exemplares em todo o país, chamando a atenção, sobretudo, para a dor de uma família faminta sob a liderança de uma mulher negra, magra e analfabeta, vivendo numa sociedade que exclui e torna invisível um grupo familiar sem direitos a alimentação, educação e saúde.

Além disso, o livro foi traduzido para muitos países, o que animou a autora a escrever outros textos, desta vez sem a repercussão anterior, até porque o impacto já fora quebrado. Mesmo assim, a Editora Ática lançou mais uma edição, provocando ainda uma forte emoção.

Tudo isso, porém, continua ainda hoje, mesmo com o reconhecimento  da luta de Carolina Maria de Jesus, com o título também não convencional cujos efeitos somente serão visíveis mais tarde. Esta é uma luta presente, aliás, no romance Torto Arado, que está produzindo grande repercussão entre críticos e leitores atualmente.

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