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Opinião
Uma saudade danada da redação

João Alberto Martins Sobral
Jornalista

Publicado em: 06/06/2020 03:00 Atualizado em: 06/06/2020 05:41

Claro que sinto falta de muitas coisas nesta inédita temporada de distanciamento social. Do encontro com os amigos, de ir aos meus restaurantes preferidos, de ver os filmes em tela grande (confesso que não sou adepto de ver na TV), de assistir aos shows e peças nos teatros, de circular pelos shoppings centers (mais para olhar do que para comprar), de curtir os fins de semana em Porto de Galinhas, de caminhar no calçadão, entre outras coisas. No entanto, o que eu mais sinto saudade é da redação.

Quem nunca teve a oportunidade de entrar numa redação de jornal não tem ideia de como é uma experiência fantástica. Falo de redações reais, não aquelas certinhas dos filmes. Claro que ela foi mudando com o tempo, mas continua mantendo o mesmo clima barulhento, o mesmo circular de pessoas, a convivência com os colegas, das brincadeiras, que as tornam nossa segunda casa. Nos mais de 50 anos de jornalismo, trabalhei em três redações do Diario de Pernambuco. Vale a pena recordar delas.

A primeira foi na Praça da Independência, até hoje chamada de Pracinha do Diario. Ficava num prédio histórico, hoje praticamente abandonado. Na redação, o barulho ensurdecedor das máquinas de datilografia  Remington ou Olivetti. Escrevíamos numa folha de papel jornal, com espaços para facilitar a observação do número de linhas. Antes de ir para os diagramadores, passavam pelo copy desk, que verificavam o texto e muitas vezes mudavam até o sentido do texto. Uma profissão que acabou. As notícias chegavam pelo telex, depois pelo fax. E havia o Departamento Fotográfico, que incluía um laboratório, para copiar as fotos. Em volta A Portuguesa, restaurante-bar, muito mais bar que restaurante), onde a gente se reunia quando a edição do jornal fechava. E pertinho, a Cristal, que tinha um caldo de cana com pão doce irresistível.

Depois, na Rua do Veiga, em Santo Amaro, um prédio moderno, inicialmente construído para a TV Guararapes, que pertencia aos Diários Associados (é a atual TV Clube). Um andar inteiro, que acabou ganhando “puxadinhos” para áreas exclusivas dos diagramadores e a direção de redação. Quando foi criado meu blog, ganhei um deles, que dividia com Jorge Moraes, Aldo Paes Barreto e a editoria de Viver. Tinha lanchonete, restaurante (que apelidei de Fome Zero) e até um Carrefour, nome dado a uma, digamos venda, que ficava junto. Ao lado, o parque gráfico e a garagem.

Finalmente, a atual redação, na Avenida Marquês de Olinda, no Recife Antigo, outra vez num prédio antigo. E com curiosidade: com um elevador bem antigo, a exemplo do da Praça da Independência, mas que nunca quebra. Exatamente o contrário dos dois modernos da Rua do Veiga, que quebravam com frequência. A exemplo da primeira redação, fica numa área de muito movimento, com a vantagem de ter vários restaurante em volta e estar no bairro mais charmoso do Recife. E com direito até a ao estúdio de uma emissora de televisão, a TV Diario de Pernambuco.

Sinto falta de me reunir com minha equipe, de encontrar e brincar com os colegas, de participar de reuniões com diretores. A carga de trabalho aumentou. O que não mudou foi o prazer de trabalhar numa redação. Não importa onde. Sei que muita coisa vai mudar. Hoje, nossa redação está praticamente vazia, com todo mundo trabalhando em home office, mas mantendo a garra para fazer um belo jornal on-line, mas espero que tudo volte, no que for possível, ao esquema anterior. Para, por exemplo, trocar informações com Kauê Diniz, Paulinha Losada e Vandeck Santiago, que comandam nossa redação. E termino confessando que estou com uma saudade danada da redação.

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