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Opinião
Duas palavras, um nome: Sidney Rocha

Raimundo Carrero
Membro da Academia Pernambucana de Letras
raimundocarrero@gmail.com

Publicado em: 18/05/2020 07:00 Atualizado em:

Escrever ficção é oferecer ao leitor uma versão da realidade. Por isso, pode-se afirmar com segurança que ficção - romance, novela, conto – não é mentira, como se costuma dizer, é uma versão imaginada e criadora, mas, seguramente, não é mentira. Popularmente, se diz: é uma forma de dizer. Um jeito particular e único, imaginativo. Real e verdadeiro.Absolutamente verdadeiro.

Com a vantagem de que a ficção não precisa provar nada. Basta criar e seduzir o leitor. Envolvê-lo, sobretudo. Ainda que muitas vezes pareça exagerado e devastador. A missão do ficcionista é muito ampla. Incrivelmente ampla. Até porque a imaginação é solta e livre, mesmo semjtirar os pés da realidade. Esta mesma realidade que nos anima.

Neste momento, é o caso do escritor Sidney Rocha, criteriosamente ficcionalista, com um prosa bela e forte, com uma obra já publicada em livros que causam muito boa impressão, justamente por sair da crueza da realidade. Esta realidade que nos atiça e nos inquieta. Basta ler com atenção.

É o caso, por exemplo, do recente romance A Estética da Indiferença, lançado pela Editora Iluminuras, de São Paulo, esta grande editora brasileira, que conquista sempre muitos leitores sobretudo pela qualidade do seu crescente catálogo.

Na verdade, a Iluminuras e Sidney formam uma dupla muito atuante e competente, com a publicação de vários livros importantes nos anos mais recentes, sobretudo o romance Sofia – uma brisa para dentro, subtítulo cujo bom gosto é questionável, mas que em nada deslustra a obra profundamente original e questionadora desde autor muito importante. Incontestável.

A Estética da Indiferença cria um resort que, como todos os resort da realidade, constrói um muro de isolamento entre os seus ricos moradores e o mundo cá fora. Pode-se viver ali sem qualquer contato com a realidade deste pobre e cruel mundo. Para quê? O ricos estão fartos e maravilhados, não precisam dos pobres e dos sujos, como se diz no carnaval a respeito de blocos populares e humildes.

Algo que se aproxima da realidade deste momento de quarentena e isolamento social, provados por um vírus, que, no íntimo, é o mesmo vírus social que nos atinge. Portanto, uma versão da realidade. Uma versão que, desta forma, não é mentira.

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