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Chefe da UNRWA diz que a agencia enfrenta ameaça existencial

Na semana passada, Israel proibiu formalmente a UNRWA de operar no seu território

Publicado: 07/02/2025 às 19:27

Diretor da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini/foto: AFP

Diretor da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini (foto: AFP)

Diretor da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini

O diretor da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini, disse que, apesar da proibição israelense não tenha obrigado a agência a cessar as suas operações, esta enfrenta uma ameaça existencial a longo prazo.

 

"Tenho sido muito claro ao afirmar, que, apesar de todos os obstáculos e da pressão a que a agência está sujeita, o nosso objetivo é permanecer e cumprir a nossa missão até sermos impedidos de fazê-lo", declarou Lazzarini.

 

Na semana passada, Israel proibiu formalmente a UNRWA de operar no seu território. Como resultado, de acoco o chefe da UNRWA,, a equipe internacional teve de deixar Jerusalém Oriental, uma vez que os seus vistos expiraram, mas em Gaza e na Cisjordânia não houve impacto imediato nas operações humanitárias.

 

Mesmo em Jerusalém Oriental, comentou Lazzarini, os cuidados de saúde e outros serviços prestados pela UNRWA permanecem, embora não com o mesmo alcance que tinham antes.

 

Lazzarini também classificou de totalmente irrealista a proposta dos presidente dos EUA, Donald Trump, de reinstalar cerca de dois milhões de palestinos em outros países" e acrescentou: "Estamos falando de deslocação forçada. A deslocação forçada é um crime, um crime internacional. É uma limpeza étnica”, alertou.

 

Trump anunciou na última terça-feira que Washington não vai retomar o financiamento da UNRWA, que já estava suspenso desde janeiro de 2024, quando a administração de Joe Biden cortou a ajuda após as acusações de Israel de que funcionários do organismo em Gaza participaram no ataque liderado pelo Hamas, em 07 de outubro de 2023.

 

 

Conselho Norueguês para os Refugiados diz que ajuda em Gaza é insuficiente

 

Segundo também o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), uma agência de ajuda mundial, a entrada de ajuda humanitária em Gaza desde que o cessar-fogo entrou em vigor, informou que os 600 caminhões que passam diariamente pela passagem de Rafah são insuficientes para responder às necessidades urgentes da população, “Antes da guerra, 500 caminhões entravam em Gaza em qualquer dia útil e isso acontecia quando as pessoas trabalhavam e viviam nas suas casas. Agora, entram 600 caminhões por dia e estamos num cenário de crise de emergência e catástrofe”, afirmou Shaina Low, conselheira de comunicação do NRC. “

 

 

MSF revela aumento israelense de violência extrema na Cisjordânia

 

Enquanto isso, a organização internacional humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou o aumento da violência física extrema de colonos e tropas israelenses contra palestinos na Cisjordânia e da obstrução à prestação de cuidados de saúde no território palestino.

 

Num relatório da MSF, a entidade ressalta que a escalada de violência na Cisjordânia, desde o inicio da guerra contra o Hamas, tem dificultado gravemente o acesso aos cuidados de saúde e faz parte de um padrão de opressão sistêmica por parte das autoridades de Israel, que foi descrito pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) como correspondendo a segregação racial e apartheid.

 

Segundo a organização, no total, quase 900 palestinos foram mortos e mais de 7.100 ficaram feridos entre outubro de 2023 e janeiro de 2025. “A violência israelense contra palestinos e os ataques e obstrução a cuidados de saúde intensificado mais ainda desde que entrou em vigor o acordo de cessar-fogo em Gaza, no dia 19 de janeiro, agravaram as terríveis condições de vida de muitos palestinos, que estão a pagar um elevado preço físico e psicológico”, adverte a MSF.

 

 “Os doentes palestinos estão morrendo, porque simplesmente não conseguem chegar aos hospitais. Estamos assistindo ambulâncias bloqueadas pelas forças israelenses nos postos de controle enquanto transportam doentes em estado crítico, instalações médicas cercadas e invadidas durante cirurgias e profissionais de saúde alvos de violência física enquanto tentam salvar vidas”, afirmou o coordenador de emergência da MSF, Brice de le Vingne, citado no relatório.

 

“Um número crescente de ataques contra profissionais e instalações médicas foi relatado às equipes da MSF. Incluindo ataques a hospitais e destruição de instalações médicas improvisadas em campos de refugiados, além de perseguição, detenção, ferimentos e morte de socorristas e profissionais médicos pelas forças israelenses. Em zonas remotas e nos arredores de cidades como Jenin ou Nablus, a situação é especialmente grave, uma vez que os doentes com doenças crônicas, como os que necessitam de tratamento de hemodiálise regular, são obrigados a ficar em casa devido aos obstáculos intransponíveis para chegar às unidades de saúde”, aponta o relatório.

 

A MSF também comunicou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou 694 ataques a unidades de saúde na Cisjordânia, com hospitais e instalações de saúde frequentemente cercados por forças militares, exercendo um sentimento de insegurança aos profissionais de saúde, uma vez que são frequentemente perseguidos, detidos, feridos e mesmo mortos.

 

“Além disso, a destruição de infraestruturas civis vitais, como estradas, condução de água e sistemas de abastecimento de energia elétrica tem agravado a situação, em especial nos campos de refugiados de Tulkarem e Jenin”, diz o relatório,

 

O documento da MSF salienta ainda que, além das frequentes incursões militares israelenses, a violência dos colonos e a expansão cada vez maior dos assentamentos deixaram muitos palestinos vulneráveis à violência e com medo de se deslocarem na Cisjordânia, precisando que, no total, 1.500 ataques de colonos israelenses contra palestinos foram informados pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) entre outubro de 2023 e de 2024.

 

Os Médicos Sem Fronteiras destacaram que o sistema de saúde na Cisjordânia está sob imensa pressão e forçado a um estado de emergência perpétuo e que Israel, enquanto potência ocupante, tem obrigações jurídicas nos termos do Direito Internacional para garantir o acesso aos cuidados de saúde e proteger os profissionais de saúde. A MSF apelou ao governo de Tel Aviv para pôr fim à violência contra profissionais de saúde, doentes e instalações médicas e para cessar de impedir o pessoal médico de realizar missões que salvam vidas.

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