Israel libera os 110 prisioneiros palestinos na troca de reféns realizada hoje
Netanyahu disse que quem se atrever a prejudicar os reféns, pagará o preço
Publicado: 30/01/2025 às 18:39
Dos 110 palestinos libertados dos presídios em Israel, 23 cumpriam penas de prisão perpétua (foto: HAMAS MEDIA OFFICE/AFP)

Em troca pelos oito reféns entregues hoje pelo Hamas, Israel libertou 110 palestinos, na terceira leva desde que entrou em vigor o cessar-fogo na Faixa de Gaza. A maior parte dos presos foi deixada na Cisjordânia ocupada, onde dados da Organização das Nações Unidas apontam que um em cada cinco palestinos já passou por uma prisão israelense.
A entrega dos detidos foi, num primeiro momento, suspensa pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que exigiu que a segurança de futuras libertações dos cativos em Gaza pudesse ser garantida. Isso porque houve tumulto com centenas de militantes do Hamas e da Jihad Islâmica, que chegaram em um comboio, enquanto milhares de pessoas se reuniam para assistir a entrega de Arbel Yehoud, Gadi Moses e de cinco tailandeses em Khan Yunis, no sul do território de Gaza. A confusão causou o adiamento da libertação dos prisioneiros palestinos pelo governo de Israel, que criticou a condução do processo. Antes, Agam Berger, a última militar israelense capturada em uma base das Forças Armadas de Israel, foi libertada pela manhã em Jabalia, no norte do enclave.
Netanyahu disse que quem se atrever a prejudicar os reféns, pagará o preço. As declarações foram feitas horas após o grupo ter libertado os reféns diante do que considerou um caos nas ruas de Gaza. O premiê de Israel depois comentou que os mediadores do acordo haviam afirmado que a próxima saída dos reféns será segura, abrindo então caminho para a liberação dos presos hoje mesmo.
Mas, segundo publicou o jornal britânico The Guardian, o Hamas e a Jihad Islâmica, apesar das pesadas perdas sofridas durante os últimos 15 meses de guerra, ainda desejam mostrar que existem e que são capazes de exibir força.
Dos 110 palestinos libertados dos presídios em Israel, 23 cumpriam penas de prisão perpétua. Dentre os libertos também se encontra Zakaria Zubeidi, um proeminente ex-líder militante, aliado do partido Fatah, da Autoridade Palestina, que participou em 2021de uma famosa fuga, antes de ser detido novamente alguns dias depois.
Já o cessar-fogo inicial desta primeira fase engloba a interrupção dos combates e ataques durante seis semanas, a entrada de ajuda humanitária, a libertação de um total de 33 reféns, incluindo mulheres, crianças, idosos e homens doentes ou feridos, sendo que oito deles foram confirmados estarem mortos, em troca de cerca de dois mil prisioneiros palestinos.
As partes devem utilizar este período para negociar um acordo em que o Hamas libertaria os restantes reféns e o cessar-fogo continuaria indefinidamente. Mas, a guerra poderá recomeçar no início de março se este entendimento não for alcançado, uma vez que a negociação de um acordo para a segunda fase é avaliada como difícil. O Hamas afirma que não libertará os restantes dos reféns sem o fim da guerra e sem a retirada completa do exército israelense de Gaza.
Entretanto, Israel afirma que continua empenhado em destruir o Hamas e os principais parceiros de extrema-direita da coligação política do gabinete de Netanyahu já apelam pela retomada do conflito após a conclusão da primeira fase do cessar-fogo.
ONU apela pelas crianças doentes de Gaza
Enquanto isso, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exigiu nesta quinta-feira a retirada imediata de 2.500 crianças de Gaza para tratamento médico urgente, mas com a garantia de que poderão regressar às suas famílias e comunidades. O apelo de Guterres ocorreu logo apos uma reunião do chefe da ONU com quatro médicos norte-americanos em serviço na Faixa de Gaza. “Fiquei profundamente comovido com os testemunhos e impressionado com a dedicação de quatro médicos americanos que trabalharam em Gaza”, relatou na rede social X.