Moscou descarta cessar-fogo com Kiev e almeja acordo jurídico
Recentemente, o presidente russo, Vladimir Putin, também argumentou que estaria aberto a discutir um acordo de cessar-fogo na Ucrânia com o próximo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Publicado: 26/12/2024 às 14:53
(ROMAN PILIPEY/AFP)

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou hoje que a Rússia não vê sentido num cessar-fogo na Ucrânia, mas sim em um acordo juridicamente vinculativo para uma paz duradoura que garanta a sua própria segurança e a dos países vizinhos. “Uma trégua é um caminho para lado nenhum”, disse, alegando que isso apenas fornece ao Ocidente tempo para rearmar a Ucrânia.
“Precisamos de acordos legais finais que estabeleçam todas as condições para garantir a segurança da Rússia e, claro, os legítimos interesses de segurança dos nossos vizinhos”, destacou, acrescentando que os documentos legais devem ser redigidos de modo a garantir a impossibilidade de violar estes acordos.
A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakhrova, também acusou na quarta-feira (25) a Organização do Tratado do Atlântico Norte de tentar transformar a Moldávia em um centro logístico para abastecer o exercito da Ucrânia e buscar aproximar sua infraestrutura militar do território da Rússia. “Há uma grande transferência de armas para a Moldávia nos últimos meses”, disse.
Recentemente, o presidente russo, Vladimir Putin, também argumentou que estaria aberto a discutir um acordo de cessar-fogo na Ucrânia com o próximo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto descartou fazer concessões territoriais importantes e quer que a Ucrânia desista da ideia de aderir à OTAN.
Mas, na semana passada, Putin admitiu que estava pronto para ceder em possíveis negociações com Trump e enfatizou que não tinha condições para iniciar negociações diretamente com as autoridades ucranianas. No início de janeiro, o enviado de Trump à Kiev, o tenente-general reformado Keith Kellogg, viajará até a Ucrânia além de outras capitais europeias, numa tentativa de colocar um fim rápido à guerra.
"Espero realmente que a administração do Sr. Trump, incluindo o Sr. Kellogg, se envolva nas causas profundas do conflito. Estamos sempre prontos para consultas", citou Lavrov.
Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou Putin de realizar um ataque "desumano" no dia de Natal, lançando dezenas de mísseis e mais de 100 drones explosivos contra o seu país. “Alguns ataques provocaram cortes de eletricidade em várias regiões", mencionou. O grupo DTEK, o principal fornecedor privado de energia do país, declarou que as suas centrais térmicas tinham sido alvo deste novo ataque, tendo registrado danos graves no seu equipamento.
“Este terror de Natal é a resposta de Putin àqueles que falaram de um ilusório cessar-fogo de Natal entre Kiev e Moscou”, enfatizou Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia.
O bombardeio causou a morte de uma pessoa e deixou pelo menos seis feridos, segundo as autoridades locais.