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ATAQUE

Comunidade internacional está chocada com ataque no Sudão

A União Europeia busca monitorar a situação no Sudão, em cooperação com as Nações Unidas

Publicado em: 07/06/2024 18:59

A guerra no Sudão, que eclodiu em abril de 2023, já provocou mais de 30 mil mortos (foto: AFP)
A guerra no Sudão, que eclodiu em abril de 2023, já provocou mais de 30 mil mortos (foto: AFP)

A União Europeia (UE) declarou estar chocada com as informações sobre o ataque que aconteceu no Sudão atribuído as Forças de Apoio Rápido sudanesas, que matou mais de 100 pessoas numa aldeia do país.

 

“Os 27 membros da UE estão chocados com mais um massacre sem sentido a 100 aldeões

indefesos, cometido pelas Forças de Apoio Rápido em Wad al-Noura, no estado de Al-Jazira", anunciou o Alto-Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell.

 

Borrell comunicou que a UE busca monitorar a situação no Sudão, em cooperação com as Nações Unidas, para identificar violações dos direitos humanos no último ano para assegurar que os responsáveis por estes crimes são totalmente responsabilizados.

 

"Mais uma vez, a União Europeia exige o fim imediato das hostilidades e o acesso total ao apoio humanitário. O respeito pela lei internacional e a proteção de civis têm de ser cumpridos", afirmou o líder da diplomacia europeia. O ataque vitimou os aldeões com artilharia pesada pela Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), que lutam contra o exército sudanês. Segundo uma a organização local denominada de Comitê da Resistência, ainda se aguarda a confirmação do número preciso de mortos e feridos em Wad al-Noura, onde os paramilitares atacaram duas vezes.

 

Nas redes sociais, os ativistas do comitê publicaram imagens do que descreveram como uma ‘vala comum’ numa praça pública, com filas dos corpos dispostas num pátio. Já os paramilitares das RSF negaram ser os autores do massacre, mas, no entanto, admitiram ter atacado três campos do exército nessa mesma região de Wad al-Noura e ter entrado em confronto com os seus inimigos.

 

A guerra no Sudão, que eclodiu em abril de 2023, já provocou mais de 30 mil mortos, de acordo com dados divulgados pela União Médica Sudanesa. Na última atualização da Organização Internacional para as Migrações (OIM), divulgada na quinta-feira, quase dez milhões de pessoas se deslocaram devido à guerra civil, considerada a pior crise de deslocação interna do mundo.

 

Segundo a agência das Nações Unidas existem cerca de 9,9 milhões de pessoas deslocadas em 18 estados do país, incluindo 7,1 milhões desde o início do conflito e 2,8 milhões deslocados anteriormente. Mais de metade destas pessoas são mulheres e mais de um quarto são crianças com menos de cinco anos. "Há ameaça constante de fogo cruzado, fome, doenças e violência brutal baseada na etnia e no gênero", indicou a Diretora-Geral da OIM, Amy Pope, destacando que as necessidades humanitárias no país são enormes, graves e imediatas e que é preciso esforços internacionais unificados para evitar a fome no país.

 

"Estou profundamente chocado, mais uma vez, com os relatos de um massacre brutal de civis na aldeia sudanesa de Wad Al Noura. Estes assassinatos sugerem que os princípios da distinção, da proporcionalidade e da precaução estão sendo violados pelas partes beligerantes no conflito sudanês”, acusou Volker Türk, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.

 

A União Africana (UA) também condenou hoje o ataque, com o presidente da Comissão da UA, Moussa Faki, a instar a comunidade internacional a pôr fim de uma vez por todas à guerra no Sudão e ainda apelou às partes que facilitem o acesso humanitário sem entraves à população.

 

Nas últimas semanas o conflito se concentrou mais na cidade de Al Fasher, capital do Darfur do Norte, onde cerca de 800 mil civis continuam encurralados no meio de intensos combates entre o exército e o RSF, que impôs um cerco à cidade.