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GUERRA

Ucrânia reage às palavras do Papa sobre rendição

Francisco defendeu conversações entre ucranianos e russos e apelou à coragem de levantar a bandeira branca e negociar para pôr fim à guerra

Publicado em: 11/03/2024 13:58

Diplomacia da Ucrânia criticou a sugestão de negociação com o presidente da Rússia (Foto: Sergei SUPINSKY/AFP)
Diplomacia da Ucrânia criticou a sugestão de negociação com o presidente da Rússia (Foto: Sergei SUPINSKY/AFP)
A embaixada da Ucrânia no Vaticano respondeu hoje (11) às declarações do Papa Francisco durante uma entrevista a um canal suíço, no qual defendeu conversações entre ucranianos e russos. Francisco apelou à coragem de levantar a bandeira branca e negociar para pôr fim à guerra na Ucrânia antes que as coisas piorem. "Quando vemos que estamos derrotados, que as coisas não estão correndo bem temos de ter a coragem de negociar. Temos vergonha, mas com quantos mortos é que isso vai acabar?", questionou o Papa.
 
A diplomacia da Ucrânia criticou a sugestão de negociação com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e citou ainda que na Segunda Guerra Mundial ninguém falou de negociações de paz com Hitler. "É muito importante ser coerente! Quando falamos da Terceira Guerra Mundial, temos de aprender as lições da Segunda Guerra Mundial. Nessa altura, alguém falou seriamente de negociações de paz com Hitler e da bandeira branca para satisfazê-lo? Então, a lição é só uma: se queremos acabar com a guerra, temos de fazer tudo o que pudermos para matar o Dragão", afirmou. 
 
Já o presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, acrescentou que a Igreja está junto das pessoas e não em algum lugar a dois mil e quinhentos quilômetros de distância, numa mediação virtual.

O Vaticano, por sua vez, assegurou que o Papa não falou de rendição, mas sim de negociação.
 
Enquanto isso, o governo da Turquia se ofereceu para promover uma cúpula de paz entre Kiev e Moscou. "Qualquer proposta de resolução desta guerra deve partir da fórmula proposta pelo país que defende o seu território e o seu povo. Queremos uma paz justa", apontou Zelensky à iniciativa do líder turco, Recep Tayyip Erdogan.
 
A Ucrânia exige a retirada das tropas russas do seu território, incluindo a Crimeia, anexada em 2014, como pré-condição para negociações com o Kremlin.
 
Por outro lado, a Rússia respondeu à exigência ucraniana afirmando que Kiev tem de se conformar com a nova realidade. Além da Crimeia, o governo russo anexou as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, desencadeando a guerra em curso.

Mas, a Ucrânia e a maioria da comunidade internacional não reconhecem a soberania russa nas regiões anexadas do território ucraniano.
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