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Autoridades russas acusam Ucrânia, EUA e Reino Unido de envolvimento no atentado

Segundo o diretor do Serviço Federal de Segurança da Rússia, houve envolvimento da inteligência ucraniana e do Ocidente no atentado

Publicado em: 26/03/2024 16:19

Alexander Bortnikov, diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia (Foto: AFP)
Alexander Bortnikov, diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia (Foto: AFP)
Segundo a agência de notícias estatal russa TASS, o diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, Alexander Bortnikov, acusou os Estados Unidos, o Reino Unido e a Ucrânia de estarem por trás do atentado em Moscou, que vitimou 139 pessoas e causou 182 feridos. "O ataque terrorista em Crocus foi preparado por radicais islâmicos, mas tanto os serviços de inteligência ocidentais como os serviços de inteligência ucranianos estiveram diretamente envolvidos nele. Em termos gerais, acreditamos que eles estão envolvidos nisso. Há informações que indicam que essa parte é tendenciosa na preparação desta ação. A Ucrânia treinou militantes no Oriente Médio", apontou o chefe do FSB.
 
As autoridades russas dizem que a investigação ainda não identificou quem foi o mandante do ataque, mas que houve envolvimento da inteligência ucraniana e do Ocidente no atentado e argumentam que existe rastro ucraniano no atentado cometido por radicais islâmicos em Moscou.  “O ataque terrorista foi benéfico para os serviços de inteligência ocidentais e para a Ucrânia, a fim de abalar a situação na Rússia e semear o pânico na sociedade. Entendemos e vemos quem organizou esse processo, recrutou e definiu tarefas específicas. O círculo de pessoas que participaram do ataque terrorista está se expandindo e haverá mais cúmplices", declarou Bortnikov.
 
A acusação foi endossada ainda por Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia e aliado próximo do presidente Vladimir Putin. “É claro que a Ucrânia esteve por trás do atentado em Moscou”, afirmou. 
 
"É difícil acreditar nas palavras dos EUA sobre o não envolvimento de Kiev no ataque terrorista, quando foi o Ocidente que aplaudiu os extremistas na Ucrânia em 2013-2014", reiterou Maria Zakharova, a porta-voz da chancelaria russa.
 
Putin já culpou também Kiev de ajudar os terroristas envolvidos no ataque à casa de espetáculos Crocus City Hall, na capital russa na última sexta-feira, onde quatro homens armados invadiram o local atirando, sendo o pior atentado dos últimos 20 anos no país. O atentado foi reivindicado pelo grupo jihadista do Estado Islâmico (EI), inimigo da Rússia, que apoia o regime do ditador da Síria, Bashar Al-Asad. Foram às forças de Al-Asad, financiadas pelo Kremlin, que expulsaram o EI da Síria há quatro anos. "Por que os terroristas tentaram ir para a Ucrânia depois de cometerem um crime, quem os esperava lá", questionou.
 
Até agora, Moscou não citou uma possível ligação do Estado Islâmico com o ataque terrorista em Moscou, apesar do grupo já o ter assumido. As investigações ainda estão em andamento e não há uma versão oficial do Comitê de Investigação da Rússia sobre a autoria do atentado.
 
De acordo com a agência de notícias estatal russa RIA Novosti, sete suspeitos já foram detidos. São eles: Dalerdzhon Mirzoyev, Saidakrami Rachabalizoda, Shamsidin Fariduni e Muhammadsober Faizov, naturais do Tajiquistão, além de dois irmãos, Aminchon e Dilovar, filhos de Isroil Ismailov, também preso e o único dos sete que tem nacionalidade russa. Todos estão em prisão preventiva até 22 de maio.
 
Por outro lado, o governo da Ucrânia, nega qualquer ligação ou conexão com o atentado terrorista. Já o Conselho de Segurança Nacional dos EUA, além disso, anunciou logo após o ataque que havia alertado o Kremlin sobre a preparação de um ataque terrorista em locais de aglomeração em Moscou.  

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