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GUERRA

ONU e OMS denunciam que Israel bloqueia ajuda humanitária a Gaza

Último comboio humanitário entrou no território palestino há mais de um mês, no dia 23 de janeiro

Publicado em: 27/02/2024 16:40

 (Foto: MAHMUD HAMS / AFP)
Foto: MAHMUD HAMS / AFP
Na conferência de imprensa, em Genebra, o porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da Organização das Nações Unidas, Jens Laerke, garantiu que todas as caravanas de ajuda que deviam entrar no norte da Faixa de Gaza foram recusadas pelas autoridades israelitas nas últimas semanas. Também, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o último comboio humanitário a entrar no território palestino foi há mais de um mês, no dia 23 de janeiro.

Laerke afirmou que mesmo a ajuda humanitária que tem autorização para ingressar é bloqueada frequentemente ou atacada pelos militares israelitas e, ainda é impossível retirar os feridos da região norte de Gaza. Em relação à área sul, o porta-voz diz que a situação está cada vez pior. Laerke revelou o caso que aconteceu no domingo passado (25), em Khan Younes, quando um comboio humanitário da OMS e da ONG Crescente Vermelho precisavam remover 24 feridos do hospital Al Amal, sitiado, foi bloqueado durante sete horas e paramédicos foram presos. 

“Apesar da coordenação prévia com as autoridades israelitas para todo o pessoal e para os veículos, as forças israelitas bloquearam o comboio da OMS assim que este saiu do hospital. Os militares israelitas forçaram os pacientes e o pessoal médico a sair das ambulâncias e obrigaram o pessoal médico a se despir. Três paramédicos do Crescente Vermelho foram posteriormente detidos, embora as suas informações pessoais tenham sido fornecidas antecipadamente às tropas israelitas, e só um deles foi libertado até agora”, contou.
 
Este comboio humanitário teve que deixar outros 31 pacientes no hospital Al Amal, sendo que a unidade de saúde palestina já não funciona apos ter sofrido 40 ataques em janeiro, que mataram pelo menos 25 pessoas. 

De acordo com este responsável das Nações Unidas, este não foi um incidente isolado. “Os trabalhadores humanitários estão expostos a riscos inaceitáveis e evitáveis”, acusou Laerke. 

O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da Organização das Nações Unidas relatou também que a população em Gaza busca transformar ração animal em farinha para sobreviver, mas mesmo essa fonte agora esta escassa. “Toda a população de aproximadamente 2,3 milhões de pessoas enfrenta níveis críticos de fome, desnutrição e o risco de morte aumentam a cada dia. A proporção de famílias em Gaza afetadas por elevados níveis de insegurança alimentar aguda é a maior já registrada no mundo”, apontou um relatório da ONU.
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