Diario de Pernambuco
Busca

GUERRA

França diz que falas sobre envio de tropas a Ucrânia foram pensadas

Macron afirmou que declarações feitas na última segunda-feira sobre um possível envio de tropas ocidentais para a Ucrânia não foram casuais

Publicado em: 29/02/2024 15:34

Emmanuel Macron, presidente da França (Foto: Ludovic MARIN / POOL / AFP)
Emmanuel Macron, presidente da França (Foto: Ludovic MARIN / POOL / AFP)
Nesta quinta-feira (29), o presidente de França, Emmanuel Macron, disse que as declarações feitas na última segunda-feira sobre um possível envio de tropas ocidentais para a Ucrânia não foram casuais, assegurando ainda que “cada palavra” sobre o tema é “pensada e medida”. 
 
O líder francês, que esteve hoje presente na inauguração da Vila olímpica na capital francesa, reconheceu que aquele não era o local apropriado para fazer “avaliações geopolíticas”, mas sugestionou que mantém as declarações sobre a Ucrânia. 
 
Macron desencadeou uma controvérsia quando no final de uma cúpula com vários líderes mundiais, em Paris, indicou que não se podia descartar que os países da  Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) enviassem tropas para a Ucrânia, uma hipótese da qual praticamente todos os governos aliados se distanciaram rapidamente, com exceção da Eslováquia.  As declarações de Macron foram, inclusive, endossadas no dia seguinte pelo primeiro-ministro francês, Gabriel Attal, que também não excluiu a possibilidade do envio de tropas para combater a invasão russa da Ucrânia. “Não podemos excluir nada numa guerra que, mais uma vez, está acontecendo no coração da Europa e às portas da União Europeia. Há dois anos, muitos países excluíam o envio de armas, incluindo armas de defesa, aos ucranianos. Hoje estamos enviando mísseis de longo alcance para apoiar os ucranianos diante desta agressão”, pontuou Attal.
 
O governo da França enfatiza que não aceita que a Rússia possa vencer esta guerra e que o presidente russo Vladimir Putin possa dizer que assumiu o controle de outro país livre e democrático através da força.
 
Já o porta-voz da chancelaria francesa comunicou que os ministros europeus da Defesa e das Relações Exteriores irão se reunir em Paris nos próximos dias para debater mais formas de ajudar, com medidas concretas de apoio, a Ucrânia e ainda a Moldávia. 
 
A Moldávia criticou essa semana as iniciativas das autoridades da região separatista pró-russa da Transnístria, que pediram oficialmente à Rússia “medidas de proteção” alegando pressão econômica do governo moldávio. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que se encontrou ontem com a líder da Moldávia, Maia Sandu, durante uma visita à Albânia, afirmou que conversaram sobre a questão e como Moscou tenta desestabilizar a região. 
 
O líder ucraniano, além disso, deixou um aviso à Europa, aconselhando-a a estar preparada para "os próximos passos de Putin" e apelou aos aliados maior apoio para ajudar Kiev a ganhar das forças invasoras russas. Zelensky admitiu que uma vitória da Ucrânia depende do aumento do apoio do Ocidente à sua nação desarmada. “Todos os países em que a União Soviética tenha estado presente ficam automaticamente em risco caso Vladimir Putin sobreviva politicamente. A Rússia utilizará outras táticas. Exercerá influência nos países onde pode obter imediatamente o efeito do sucesso. E isso significa que os países pequenos e, por conseguinte, ameaçados, são os Estados Bálticos, a Moldávia e os Estados dos Bálcãs, onde quer que a URSS tenha estado presente", alertou Zelensky, que ainda chamou Putin de um Hitler 2.
 
Hoje, voltou novamente a avisar em um vídeo que a Rússia não vai parar e quer novas ondas de desestabilização. "Toda a gente vê que a Rússia não vai parar, quer uma corrida aos armamentos e novas ondas de desestabilização. Todos nós, na Europa, temos de estar conscientes deste fato. Se a liberdade de uma pessoa cair, a liberdade de todas as outras não sobreviverá. Esta é a realidade", concluiu.
Tags: guerra | rússia | ucrânia | frança |

COMENTÁRIOS

Os comentários a seguir não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.