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GUERRA

Canadá, Nova Zelândia e Austrália alertam sobre operação em Rafah e pedem cessar-fogo

Em uma rara declaração em conjunto, os três países da Commonwealth pediram ao primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu para não seguir esse caminho

Publicado em: 15/02/2024 12:50

Primeiro-ministro de Israel planeja um ataque a Rafah, tendo prometido uma "operação poderosa" (Foto: SAID KHATIB / AFP
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Primeiro-ministro de Israel planeja um ataque a Rafah, tendo prometido uma "operação poderosa" (Foto: SAID KHATIB / AFP )
Nesta quinta-feira (15), os líderes do Canadá, Austrália e Nova Zelândia alertaram o governo de Israel contra uma operação terrestre na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, considerando que "seria catastrófica". Além disso, apelaram por um cessar-fogo imediato no enclave.
 
Em uma rara declaração em conjunto, os três países da Commonwealth, grupo da Comunidade das Nações, pediram ao primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu para não seguir esse caminho. "Cerca de 1,5 milhões de palestinos se refugiaram na região, incluindo muitos dos nossos cidadãos e das suas famílias. Uma operação militar alargada seria devastadora. Exortamos o Governo israelita a não seguir esse caminho. Não há simplesmente nenhum lugar para onde os civis possam ir", diz o comunicado dos dirigentes dos países aliados dos Estados Unidos.
 
Apesar da crescente pressão internacional e de um número de mortos palestinos que chega a quase 29 mil, além de mais de 68 mil feridos, Netanyahu planeja um ataque a Rafah, tendo prometido uma "operação poderosa".
 
Mas, o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, disse que a ideia de uma evacuação para um lugar seguro em Gaza é uma “ilusão”. Griffiths ainda declarou que a possibilidade de alastramento do conflito ao Egito “esta mesmo diante dos nossos olhos em Rafah”.
 
A conselheira especial para a Prevenção do Genocídio, Alice Wairimu Nderitu, também expressou preocupação sobre os planos de Israel para uma incursão militar total em Rafah, que muitos temem que tenha consequências desastrosas para os civis da zona. "O risco de se cometerem crimes de atrocidade no caso de uma incursão militar total em Rafah é sério, real e elevado. É imperativo que seja dada prioridade à proteção dos civis e que o direito humanitário internacional seja respeitado em todas as circunstâncias. Chega de violência e chega de sofrimento para os mais vulneráveis, em Rafah e em toda a Faixa de Gaza", afirmou Nderitu, destacando também a necessidade de libertar incondicionalmente todos os reféns e de garantir que a ajuda humanitária possa chegar aos que mais precisam, bem como a necessidade de acelerar as negociações para que se possa evitar mais violência e aplicar um cessar-fogo sustentável. 
 
O chefe da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinos (UNRWA), Phillippe Lazzarini, indicou que não acredita que a UNRWA tenha capacidade para continuar as operações se existir uma ofensiva terrestre israelita em Rafah.
 
Enquanto isso, os países árabes nas Nações Unidas preparam a apresentação de uma resolução do Conselho de Segurança que apela a um cessar-fogo imediato em Gaza. A resolução deve exigir ajuda humanitária sem obstáculos e o bloqueio de qualquer deslocamento de residentes de Gaza para outro local, o que os líderes árabes insistem ser um castigo coletivo forçado contra o Direito Internacional. O enviado palestino às Nações Unidas, Riyad Mansour, anunciou que é "mais do que tempo" de a ONU atuar com uma resolução de cessar-fogo. Os EUA já declararam publicamente que se opõem ao projeto de resolução.

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