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TENSÃO

Maduro diz que vai conceder licença em área da Guiana e determina a criação de um estado

A estatal do petróleo venezuelana PDVSA prometeu seguir a tarefa ordenada por Maduro
Por: AFP

Publicado em: 06/12/2023 08:50 | Atualizado em: 06/12/2023 08:55

Para Venezuela explorar os poços de gasolina na Guiana terá que invadir o país (CRÉDITO: ZURIMAR CAMPOS / VENEZUELAN PRESIDENCY / AFP)
Para Venezuela explorar os poços de gasolina na Guiana terá que invadir o país (CRÉDITO: ZURIMAR CAMPOS / VENEZUELAN PRESIDENCY / AFP)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou, na terça-feira (5), à estatal petrolífera PDVSA a concessão de licenças para a exploração de recursos na região do Essequibo, a área disputada com a Guiana, onde Georgetown autorizou a operação de empresas petrolíferas estrangeiras e locais.

 

O presidente da Guiana, Irfaan Alí, reagiu e afirmou que as declarações de Maduro são uma "ameaça direta" contra seu país. Ele rejeitou as medidas anunciadas pelo chefe de Estado venezuelano sobre o território de Essequibo.

 

"Esta é uma ameaça direta à integridade territorial, à soberania e à independência política da Guiana", disse Ali pouco depois do discurso de Maduro sobre licenças de exploração na região de Essequibo.

 

Durante uma reunião com o alto escalão de seu governo, Maduro instruiu a criação da "divisão PDVSA-Essequibo" e a concessão "de imediato de licenças operacionais para a exploração de petróleo, gás e minerais em toda a área".

 

Ali anunciou que levará "o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que o organismo adote as medidas apropriadas". Também disse que entrou em contato com secretário-geral da ONU, António Guterres, e o Comando Sul dos Estados Unidos para informá-los sobro o ocorrido.

 

 

 

"Não permitiremos a violação do nosso território, nem que o desenvolvimento do nosso país seja prejudicado por esta ameaça desesperada", disse Ali.

 

A estatal do petróleo venezuelana PDVSA prometeu seguir a tarefa ordenada por Maduro. A medida faz parte de um conjunto de anúncios feitos pelo presidente nesta terça-feira, após o referendo consultivo do último domingo, no qual perguntou-se à população se Caracas devia seguir adiante com sua reivindicação sobre a região disputada.

 

Participaram do referendo mais de 10,4 milhões de votantes, metade do eleitorado da Venezuela, e mais de 95% concordaram que o Essequibo se torne uma província do país. O resultado não muda em nada o litígio que os dois países mantêm sobre a região na Corte Internacional de Justiça (CIJ), mais alta instância judicial das Nações Unidas, cuja jurisdição Caracas não reconhece.

 

A manobra do governo chavista segue-se à concessão pela Guiana, em outubro passado, para seis empresas petrolíferas, incluindo a americana Exxon e a francesa TotalEnergy, explorarem suas costas, o que gerou protesto da Venezuela por serem "águas pendentes por delimitar", e, em resposta, convocou o referendo.

 

Venezuela e Guiana disputam há mais de um século o território do Essequibo, uma região de 160.000 km², rica em petróleo e minerais, que atualmente é administrada pela Guiana.

 

A disputa reacendeu depois que a companhia ExxoMobil descobriu grandes reservas de petróleo na região. As tensões, no entanto, aumentaram depois que a Guiana concedeu as licitações a empresas estrangeiras e locais para explorar estas jazidas.

 

Nova província

 

Além das licenças, Maduro propôs, também nesta terça, a elaboração de uma lei especial para "proibir" a contratação destas empresas que operam na área sob concessões concedidas pela Guiana.

 

"Proponho [dar] três meses a todas essas empresas para se retirarem dessas operações no mar a delimitar, três meses", disse. No entanto, afirmou, "estamos abertos a conversar".

 

Com base no resultado da consulta de domingo, Maduro disse que vai exercer o "poder" outorgado pelo povo e avançou na promulgação de uma lei para a "criação da Guiana Essequiba", uma província da região disputada sob administração de Caracas.

 

Além disso, ordenou a criação de uma "zona de defesa integral da Guiana Essequiba", sem dar maiores detalhes, mas que ficará situada na localidade de Tumeremo, estado de Bolívar (sul), fronteiriço com a região em disputa.

 

Maduro também pediu a implantação de um plano de "atenção social" para a população da região disputada, "assim como a realização de um censo e a entrega de cédulas de identidade a seus habitantes".

 

A China, aliada da Venezuela e seu principal credor, afirmou nesta quarta-feira que apoia os dois países, "bons amigos" de Pequim, para uma "resolução adequada de questões sobre a delimitação de fronteiras".

 

Caracas argumenta que o rio Essequibo é a fronteira natural, como em 1777 quando era colônia da Espanha, e apela ao acordo de Genebra, assinado em 1966 antes da independência da Guiana do Reino Unido, que estabelecia as bases para uma solução negociada e anulava um laudo de 1899, que fixou os limites atuais.

 

A Guiana defende esse laudo e pede que seja ratificado pela CIJ. 

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