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TENSÃO

Síria chegou a um elevado nível de perigo, alerta ONU

Segundo o enviado especial da ONU para a Síria, Geir Pedersen, situação foi agravada pelo conflito entre Israel e Hamas

Publicado: 30/10/2023 às 16:17

"Além da violência do próprio conflito sírio, o povo sírio enfrenta agora uma perspectiva terrível de uma potencial escalada mais ampla", disse Pedersen/Foto: AFP

"Além da violência do próprio conflito sírio, o povo sírio enfrenta agora uma perspectiva terrível de uma potencial escalada mais ampla", disse Pedersen (Foto: AFP)

O enviado especial da ONU para a Síria, Geir Pedersen, alertou hoje (30) na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que a situação no país "está no nível mais perigoso" em muito tempo, agravada pelo conflito entre Israel e o Hamas. "Além da violência do próprio conflito sírio, o povo sírio enfrenta agora uma perspectiva terrível de uma potencial escalada mais ampla, dado o desenvolvimento dos ataques de Israel em Gaza e na região. A repercussão na Síria não é apenas um risco. Já começou", disse Pedersen.

Na reunião da ONU, Pedersen denunciou que ataques aéreos atribuídos a Israel atingiram várias vezes os aeroportos de Aleppo e Damasco, paralisando temporariamente o serviço aéreo humanitário das Nações Unidas.

Por outro lado, os Estados Unidos dizem que as suas forças enfrentaram múltiplos ataques por parte de grupos alegadamente apoiados pelo Irã, incluindo em território sírio, levando Washington a realizar ataques a instalações na Síria, que afirmam serem usadas pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Na reunião de hoje, a embaixadora norte-americana da ONU, Linda Thomas-Greenfield, criticou o Governo de Bashar al-Assad, indicando que grupos terroristas, alguns apoiados pelo regime sírio e pelo Irã, ameaçam expandir o conflito entre Israel e o Hamas além de Gaza, utilizando o território sírio para planejar e lançar ataques contra Israel. "O regime sírio permitiu que o Irã e grupos terroristas, incluindo o Hezbollah, utilizassem os seus aeroportos internacionais para fins militares. Ao fazê-lo, o regime de Assad colocou em risco os viajantes civis nesses aeroportos. O regime deveria parar de fazer o papel de vítima", apontou a diplomata dos EUA.

Pedersen também destacou que a economia síria permanece num estado terrível e em agravamento; as infraestruturas críticas estão degradadas ou destruídas; a situação humanitária é alarmante; e há inúmeros relatos de detenções arbitrárias, de tortura e de mortes sob custódia, não havendo avanços significativos nos processos dos detidos e desaparecidos. “A Síria, o povo sírio e toda a região não estão em condições de suportar novas eclosões de conflitos violentos, sejam elas causadas por dinâmicas internas ou externas", afirmou.

Já Greenfield assegurou que os EUA já alertaram todos os intervenientes para não aproveitarem a situação em Gaza para ampliar ou aprofundar o conflito e deixaram claro que responderão aos ataques contra o pessoal norte-americano e instalações na Síria ou contra os interesses dos EUA. "E, quando apropriado, exerceremos o nosso direito à autodefesa de forma vigorosa, proporcional e de uma forma que minimize os danos civis. Ninguém pode argumentar que os ataques dos EUA foram ou serão sem aviso prévio. E como afirmou o Secretário da Defesa dos EUA, após os recentes ataques, os Estados Unidos não hesitarão em tomar outras medidas necessárias para proteger o nosso povo", disse a embaixadora.

Em contrapartida, na sua intervenção perante o Conselho, o governo sírio "relembrou os EUA do seu histórico repleto de episódios negros no Oriente Médio, incluindo a destruição do Iraque com base em mentiras e, posteriormente, o apoio incondicional a Israel, apesar do enorme número de vítimas civis palestinas”.
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