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SEGURANÇA

ONU afirma que vai enviar ao Haiti uma missão multinacional

Missão multinacional será liderada pelo Quênia

Publicado: 23/10/2023 às 17:51

Violência de gangues controla mais da metade da capital Porto Príncipe/Foto: VALERIE BAERISWYL / AFP

Violência de gangues controla mais da metade da capital Porto Príncipe (Foto: VALERIE BAERISWYL / AFP)

A chefe do Gabinete Integrado da Organização das Nações Unidas no Haiti (BINUH), María Isabel Salvador, anunciou na reunião do Conselho de Segurança da ONU que a situação de segurança no país caribenho continua a se deteriorar à medida que a violência das gangues aumenta e os crimes graves atingem novos recordes.

A representante da ONU forneceu como exemplo dessa violência o fato de o secretário-geral do Alto Conselho de Transição ter sido raptado em plena luz do dia por membros de uma gangue que estavam disfarçados de agentes da polícia. "Os assassinatos, sequestros e a violência sexual, incluindo violações coletivas e mutilações, continuam a ser usados pelas gangues todos os dias e num contexto de um serviço de apoio às vítimas ineficaz ou sem uma resposta robusta da justiça", denunciou Salvador.

Diante da violência de gangues que controlam mais da metade da capital Porto Príncipe, o Conselho de Segurança da ONU deu luz verde ao envio de uma missão multinacional liderada pelo Quênia.

Segundo o mais recente relatório sobre o Haiti, do secretário-geral da ONU, António Guterres, os crimes graves, incluindo homicídios intencionais e sequestros registraram um aumento sem precedentes. De julho a setembro, a Polícia Nacional reportou 1.239 homicídios e 701 pessoas, incluindo 221 mulheres, oito meninas e 18 meninos, foram vítimas de seqüestro. Além disso, a crise de segurança ganhou uma nova complexidade, com o linchamento de pelo menos 395 alegados membros de gangues.

Salvador manifestou ainda preocupação por ver que os esforços rumo às eleições não estão avançando ao ritmo desejado. "Não pode haver segurança duradoura sem uma restauração das instituições democráticas e é impossível alcançar soluções políticas duradouras e totalmente representativas sem uma melhoria drástica na situação de segurança", destacou Salvador. “Mas com a aprovação do Conselho de Segurança do envio de uma missão multinacional aumenta as expectativas de milhões de haitianos no país e no exterior de um vislumbre de esperança", disse.  

A ONG Human Rights Watch também fez coro à denuncia da líder do BINUH, e ainda acusou  o governo haitiano de inação e falha em proteger a população da violência desses grupos criminosos, muitos dos quais com supostos vínculos com altos funcionários políticos, agentes econômicos e policiais. “No Haiti, o Estado é quase inexistente, a impunidade impera e quase metade da população sofre de insegurança alimentar grave, além das crises humanitárias, políticas e judiciais, e os abusos relacionados às intervenções internacionais anteriores”, disse a organização.
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