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ISRAEL E LÍBANO
Israel e Líbano chegam a acordo 'histórico' sobre disputa de fronteira marítima
Publicado: 11/10/2022 às 18:24
(Foto: MAHMOUD ZAYYAT / AFP)
Israel e Líbano chegaram a um acordo "histórico" intermediado pelos Estados Unidos para resolver uma antiga disputa sobre suas fronteiras marítimas que pode desbloquear a exploração de recursos de gás na área, comemorou o primeiro-ministro israelense Yair Lapid nesta terça-feira (11).
"Israel e Líbano chegaram a um acordo histórico que resolve a disputa marítima", disse um comunicado do escritório de Lapid, chamando-o de "um marco histórico que fortalecerá a segurança de Israel".
A Presidência do Líbano havia dito anteriormente que a proposta final apresentada pelo representante dos EUA Amos Hochstein era "satisfatória para o Líbano" e que esperava anunciar os limites acordados "o mais rápido possível".
Os Estados Unidos estão mediando há dois anos entre esses vizinhos sem relações diplomáticas para resolver a disputa fronteiriça em uma área do Mediterrâneo rica em recursos de gás.
Seu enviado Amos Hochstein apresentou uma proposta no início deste mês, que parecia ser bem recebida por ambos os lados.
Embora o pacto parecesse ruir depois que Israel rejeitou as emendas de Beirute, as negociações continuaram até que um acordo final fosse selado.
"Todas as nossas demandas foram atendidas, as mudanças que pedimos foram corrigidas. Protegemos os interesses de segurança de Israel e estamos a caminho de um acordo histórico", disse o principal negociador de Israel, Eyal Hulata, em nota nesta terça-feira.
O anúncio ocorre 20 dias antes do fim do mandato presidencial do presidente libanês Michel Aoun, data que coincide com as eleições legislativas israelenses em 1º de novembro, o que pode significar o retorno ao poder de Benjamin Netanyahu com seus aliados ultraortodoxos e de extrema-direita.
"Este não é um acordo histórico, mas uma capitulação histórica", disse Netanyahu em uma declaração ao vivo no Facebook nesta terça-feira, acusando Lapid de ter cedido ao movimento armado libanês Hezbollah e ao seu líder Hassan Nasrallah, que deve também deve falar nesta terça-feira.
O ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, saudou a decisão do Líbano de apoiar um acordo "positivo para os dois lados", apesar das ameaças do Hezbollah de prejudicá-lo.
Nasrallah indicou nesta terça-feira que o Hezbollah apoiaria o acordo se o governo libanês o aprovar.
"Se o presidente anunciar que o Líbano apoia oficialmente este acordo, então para nós (...) tudo será resolvido", disse Nasrallah na televisão, acrescentando que a exploração de hidrocarbonetos era "a única porta" para a prosperidade para este país golpeado pela crise.
De acordo com a imprensa e os responsáveis pela negociação, a proposta prevê deixar o campo de Karish sob controle israelense e ceder o campo de gás de Qana, localizado mais a nordeste, ao Líbano.
No entanto, uma parte desse depósito ultrapassará a linha de fronteira entre os dois países, com a qual Israel levaria parte dos benefícios da exploração, indicaram essas fontes.
Líbano e Israel ainda estão tecnicamente em guerra e não têm relações diplomáticas. Sua fronteira terrestre é patrulhada pelas Nações Unidas.
Em um contexto de escassez de gás na Europa devido à invasão da Ucrânia, Israel quer iniciar a exploração em Karish o quanto antes para exportar para o Velho Continente.
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